Guerra no Irã: Teerã afirma que combate seguirá até forçar arrependimento do inimigo, após Trump anunciar ataques e ameaçar infraestrutura

0
10

Porta-voz do Comando das Forças Armadas afirma que confronto seguirá até ‘rendição e o arrependimento permanente do inimigo’, enquanto autoridades trocam ameaças

O Irã anunciou nesta quinta-feira que a guerra continuará até que o adversário aceite a derrota e mostre arrependimento, em um recado direto a Washington e a seus aliados.

O pronunciamento iraniano surge em resposta ao discurso do presidente dos Estados Unidos, que na quarta-feira afirmou que os objetivos militares norte-americanos estão quase concluídos e prometeu ataques mais amplos se necessário.

A troca de mensagens elevou o tom do conflito e reacendeu temores sobre novas ações contra instalações iranianas, com impacto direto em diplomacia e mercados globais, conforme informação divulgada pelo g1.

Resposta oficial do Irã e tom das ameaças

Conforme a mídia local Tasmin citou o porta-voz do Comando das Forças Armadas, Ebrahim Zolfaqari, o Irã afirmou que a guerra vai continuar até a rendição e o arrependimento permanente do inimigo. A declaração foi feita um dia depois do pronunciamento do presidente Donald Trump.

O governo iraniano criticou avaliações que descrevem suas forças como enfraquecidas, qualificando as estimativas dos EUA e de Israel sobre a capacidade militar do Irã como “incompletas”, e advertiu que poderá responder com ações “mais esmagadoras, amplas e destrutivas” contra Aliança e Estados que participem de ofensivas.

Carta do presidente iraniano ao povo dos EUA

Antes do discurso de Trump, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, enviou uma carta dirigida diretamente ao povo norte-americano. Na mensagem, ele afirmou que o Irã não nutre inimizade contra as pessoas comuns dos Estados Unidos, e disse não ser uma ameaça.

Na carta, divulgada pela imprensa estatal iraniana, Pezeshkian pediu aos norte-americanos que questionem se Washington coloca realmente os interesses dos EUA em primeiro lugar, ou se atua como representante de Israel, e afirmou que Trump estaria disposto a lutar “até o último soldado americano”.

Discurso de Trump e ameaças à infraestrutura iraniana

Em pronunciamento pela TV na quarta-feira, Trump declarou, de pé em frente a um púlpito na Casa Branca, “Tenho o prazer de informar que esses objetivos estratégicos fundamentais estão quase concluídos. Nós vamos terminar o trabalho, e vamos terminar logo”.

O presidente também afirmou que os objetivos eram destruir a capacidade de Teerã realizar um ataque contra os EUA e impedir sua projeção militar externa, e voltou a dizer que a troca de regime não era o objetivo, apesar de afirmar que ela ocorreu com a morte de antigos líderes, e que a nova liderança é “menos radical e muito mais razoável”.

Trump renovou a ameaça de atacar alvos de infraestrutura, incluindo usinas de energia, caso não haja acordo, afirmando que “vamos atacá-los com extrema força nas próximas duas ou três semanas. Vamos trazê-los de volta à Idade da Pedra, de onde vieram”.

Ao comentar sobre o estreito de Ormuz, o presidente disse que os EUA praticamente não dependem mais do petróleo que passa por ali, afirmando, em referência à produção interna e à Venezuela, que “não precisamos disso” e que outros países deveriam proteger a passagem.

Repercussão interna nos EUA e apoio internacional

A guerra é amplamente impopular entre eleitores norte-americanos, e pesquisas mostram resistência ao prolongamento do conflito. Em levantamento Reuters/Ipsos, “60% dos eleitores disseram que desaprovavam a guerra, enquanto 35% a aprovavam”.

O mesmo levantamento indica que “cerca de 66% dos entrevistados disseram que os EUA deveriam trabalhar para encerrar rapidamente seu envolvimento na guerra, mesmo que isso signifique não atingir as metas estabelecidas pelo governo”. Esses números pressionam a administração a justificar o conflito e apresentar cronogramas claros.

Além disso, Trump criticou a OTAN pela falta de apoio, e sugeriu a possibilidade de retirar os EUA da aliança, enquanto aliados europeus têm relutado em enviar navios para reabrir o tráfego pelo Estreito de Ormuz, alegando que o problema foi criado pelos EUA e Israel e que não cabe a eles colocar tropas no teatro de operações.

Com as tensões em alta, analistas destacam o risco de escalada regional, impacto no mercado de petróleo e pressões domésticas em Washington por uma saída negociada, enquanto Teerã mantém seu discurso de resistência e retaliação.

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here