Etanol no Brasil: como a frota bicombustível e a safra recorde de 30 bilhões de litros freiam a alta do petróleo e protegem preços domésticos

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O papel do etanol na contenção dos impactos do conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel, e como isso ajuda a manter preços mais estáveis no Brasil

O etanol produzido a partir da cana-de-açúcar funciona como uma reserva energética, porque dezenas de milhões de veículos no Brasil podem rodar com etanol puro ou com mistura de gasolina e biocombustível.

Essa flexibilidade nacional ajuda a amortecer choques externos no preço do petróleo, e tem atraído interesse de países como Índia e México, que estudam o modelo brasileiro.

Conforme informação divulgada pelo g1, a combinação da frota bicombustível, investimento em pesquisa e uma safra recorde sustenta essa vantagem.

Como o etanol protege consumidores e mercados

Em março, a gasolina no Brasil subiu apenas 5%, em comparação com 30% nos Estados Unidos, o que analistas relacionam parcialmente à indústria de biocombustíveis já consolidada, segundo reportagem do g1.

O país conta com veículos flex que permitem ao motorista escolher entre etanol 100% e gasolina misturada com até 30% de biocombustível, oferecendo uma alternativa imediata ao petróleo importado.

Evandro Gussi, presidente da Associação Brasileira da Indústria da Cana-de-Açúcar, afirma, “O Brasil está muito mais bem preparado do que a maioria dos países porque possui uma alternativa viável dessa natureza”.

Escala de produção e números que explicam a vantagem

A próxima safra, que começa na primeira quinzena de abril, deve produzir um recorde de 30 bilhões de litros de etanol, segundo a reportagem, um aumento de 4 bilhões de litros em relação ao ano anterior.

Gussi observa que, “Esse aumento, por si só, equivale à quantidade total de gasolina que o Brasil importou durante todo o ano passado”.

Em 2025, o etanol representou 37,1 bilhões de litros de vendas, segundo a Empresa de Pesquisa Energética, o que mostra a escala doméstica do combustível.

Limites do modelo, o problema do diesel e riscos imediatos

Apesar da vantagem do etanol, o diesel segue vulnerável, porque é produzido em maior parte a partir de petróleo bruto importado e contém menos biocombustíveis.

O biodiesel, feito majoritariamente de óleo de soja, representa apenas 14% da mistura do diesel, e só poderá atingir 30% em 2030 caso pesquisas e avanços tecnológicos avancem, conforme noticiado.

Os preços do diesel no Brasil subiram mais de 20% em março, o que levou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a propor subsídios à importação até maio, diante do risco de greves de caminhoneiros e da pressão sobre os preços dos alimentos, segundo a reportagem.

As autoridades brasileiras afirmam que o país importou quase 17 bilhões de litros de diesel no ano passado, e que o Brasil precisa comprar entre 20% e 30% do seu diesel mensalmente, a maior parte proveniente da Rússia.

Pesquisa, tecnologia e interesse internacional

O sucesso do etanol brasileiro também decorre de décadas de pesquisa pública e privada, com centros como o Centro de Desenvolvimento Científico do Etanol da Unicamp contribuindo para motores, processos de produção e políticas de mistura.

O coordenador Luis Cortez diz, “Temos flexibilidade na produção de etanol, nos motores dos veículos e por parte do governo federal, que define a porcentagem de etanol na mistura de combustível”, e acrescenta, “Temos flexibilidade em três níveis.”

Chefes de Estado de países como México e Índia têm demonstrado interesse no modelo, e a presidente mexicana Claudia Sheinbaum mencionou interesse em produzir etanol a partir do agave, com tecnologias a serem avaliadas.

Consequências práticas e desafios futuros

No curto prazo, o aumento da oferta de etanol e a extensa frota flex dão ao Brasil um amortecedor contra choques de oferta e preços, reduzindo a inflação direta na bomba.

No entanto, a dependência de combustíveis refinados importados e a fragilidade do suprimento de diesel expõem gargalos logísticos e políticos que precisam ser resolvidos para tornar a segurança energética completa.

O caso brasileiro mostra que a combinação de produção em escala, pesquisa e políticas de mistura pode ser replicada, mas demanda tempo, investimento e coordenação entre estados, setor privado e governo, conforme a matéria do g1.

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