Iranianos se preparam para defender o país enquanto EUA insistem em ultimato com risco de ataque massivo nesta terça-feira
Conforme informação divulgada pelo g1, a crise entre Estados Unidos e Irã atingiu seu ápice na segunda-feira, 6 de abril, com declarações alarmantes do presidente americano Donald Trump, que prometeu um ataque severo caso Teerã não atenda ao ultimato para reabrir a passagem estratégica do Estreito de Ormuz.
A tensão aumenta com o Irã mobilizando sua população para proteger instalações vitais e rejeitando propostas de cessar-fogo, enquanto a comunidade internacional observa apreensiva as repercussões globais do conflito, sobretudo na oferta de petróleo.
Veja a seguir o panorama das ameaças, as respostas iranianas e o impasse diplomático que pode mudar o cenário geopolítico da região e afetar o mundo.
Trump anuncia possibilidade de ataque devastador e cita mudança de regime no Irã
Em pronunciamento feito poucas horas antes do prazo final, Trump declarou que não deseja que a crise escale, mas alertou que é provável que “uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais ser ressuscitada” caso o Irã não ceda. Ele denunciou o regime iraniano vigente há 47 anos como fonte de “extorsão, corrupção e morte” e expressou esperança numa reforma radical com mentes “mais inteligentes e menos radicalizadas”.
O presidente reiterou a ameaça ao canal Fox News, apontando para as 21h de Brasília (20h em Washington) como o momento decisivo para um possível ataque “como nunca se viu antes”. Apesar disso, ele mencionou que as negociações continuam e podem modificar o desfecho.
Irã convoca voluntários para proteger usinas e população se prepara para sacrifícios
Do lado iraniano, a postura é de resistência. A televisão estatal exortou jovens, atletas, artistas e estudantes a formarem correntes humanas ao redor das usinas de energia, consideradas os “ativos e capital nacional” do país, diante do risco de ataques. O secretário do Conselho Supremo da Juventude e dos Adolescentes, Alireza Rahimi, fez a convocação pública, retomando uma tática já usada em crises anteriores com o Ocidente.
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, declarou que “mais de 14 milhões de iranianos valentes já declararam estar prontos a sacrificar suas vidas em defesa do país“. Embora respeitável, este número representa cerca de 15% da população total, reforçando a dimensão do desafio interno que a nação enfrenta.
Segundo relatos em Teerã, o clima é de apreensão e incerteza. Um jovem comentou anonimamente sentir-se “preso entre as lâminas de uma tesoura”, destacando o temor de apagões e cortes de energia em escala nacional.
Negociações estagnadas e rejeição ao cessar-fogo proposto pelo Paquistão
Diplomaticamente, as negociações encontram-se emperradas. O Paquistão sugeriu um plano de cessar-fogo imediato e reabertura do Estreito de Ormuz, com um período posterior para acordos mais amplos. Embora Trump tenha elogiado a contraproposta iraniana, ele considerou-a insuficiente.
Por sua vez, a agência oficial iraniana Irna informou que o Irã rejeitou essa proposta porque deseja o fim total do conflito, não uma trégua temporária que poderia servir para os inimigos se rearmarem. Ao mesmo tempo, o Estreito, fundamental para o comércio mundial de petróleo – cerca de 20% do petróleo comercializado passa por ali –, continua praticamente bloqueado desde bombardeios dos EUA e Israel em 28 de fevereiro, afetando preços globais de energia.
Repercussões globais e o papel da ONU diante impasse entre EUA e Irã
A crise no Estreito de Ormuz e a ameaça de destruição do Irã geram preocupação internacional sobre a estabilidade do comércio de energia e a escalada militar na região. Recentemente, vetos da China e Rússia impediram que o Conselho de Segurança da ONU aprovasse uma intervenção militar para reabrir o estreito, demonstrando a complexidade diplomática do conflito.
Com o prazo final imposto pelos EUA se aproximando, a comunidade global segue atenta para desdobramentos que possam evitar um conflito devastador, enquanto a retórica de ambos os lados aumenta o temor de uma guerra que pode ter consequências profundas para a segurança mundial.
