Os moradores das principais capitais brasileiras estão dedicando cada vez mais tempo a seus deslocamentos diários. Uma pesquisa recente da Ipsos-Ipec, intitulada “Viver nas Cidades”, revela que o tempo médio gasto em ir e vir nas cidades superou a marca de duas horas por dia, atingindo 2h05 em 2026. Esse aumento de nove minutos em relação ao ano anterior (1h56 em 2025) acende um alerta sobre a persistência dos desafios da mobilidade urbana no país e seu impacto direto na qualidade de vida dos cidadãos.
O que você precisa saber
- O tempo médio de deslocamento diário nas capitais pesquisadas é de 2h05, um aumento de nove minutos em relação a 2025.
- Fortaleza registra o maior tempo médio diário de deslocamento, com 2h18, enquanto Porto Alegre tem o menor, com 1h37.
- O ônibus continua sendo o principal meio de transporte para 35% dos moradores, e usuários de transporte coletivo gastam mais tempo (2h17) que os de transporte individual (1h47).
- Problemas como lotação, preço da tarifa e condições dos veículos são as maiores preocupações dos usuários de transporte público.
- O custo das passagens impacta diretamente a vida das pessoas, levando a 63% delas a deixar de visitar amigos e familiares e 59% a abrir mão de atividades de lazer.
- Oito em cada dez pedestres (80%) se sentem inseguros ao caminhar pelas cidades, percentual que chega a 85% entre as mulheres.
Aumento do tempo e impacto na rotina
O estudo da Ipsos-Ipec, que entrevistou 3.500 internautas em dez capitais brasileiras (Manaus, Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre e Goiânia), mostra que o aumento no tempo de deslocamento não é um fenômeno isolado. Quatro em cada dez entrevistados (42%) afirmam gastar mais de uma hora e meia por dia se locomovendo pela cidade.
A situação é mais crítica em algumas metrópoles. Fortaleza, por exemplo, registra o maior tempo médio diário de deslocamento, com alarmantes 2h18, e foi a capital com o maior avanço em relação a 2025, com 20 minutos a mais. Outras cidades que viram o tempo de deslocamento aumentar significativamente foram Recife (+17 minutos), Goiânia (+15 minutos) e Rio de Janeiro (+12 minutos). Apenas Belém apresentou uma redução de 12 minutos, enquanto Porto Alegre manteve o menor tempo médio, com 1h37 por dia. Esse tempo perdido diariamente poderia ser dedicado ao trabalho, estudo, lazer ou convívio familiar, evidenciando o custo indireto de uma mobilidade ineficiente.
O desafio do transporte coletivo
Apesar do avanço de outras modalidades, o transporte coletivo, especialmente o ônibus, permanece como o principal meio de locomoção. Em 2026, 35% dos entrevistados afirmam utilizar ônibus, BRT ou MOVE como principal modal, um percentual estável em relação ao ano anterior. O carro individual aparece em seguida (18%), seguido por carros por aplicativo (8%) e metrô (8%). No total, 54% priorizam meios coletivos, contra 44% que preferem os individuais.
No entanto, a pesquisa aponta uma contradição: quem utiliza transporte coletivo gasta, em média, mais tempo se deslocando. São 2h17 por dia para esses usuários, contra 1h47 para quem usa prioritariamente transporte individual. Essa diferença, de 30 minutos diários, reforça a percepção de ineficiência e a necessidade de melhorias importantes no sistema. Salvador é a capital com maior parcela de usuários de transporte coletivo (65%), enquanto Goiânia (67%) e Manaus (59%) se destacam pela maior dependência do transporte individual.
Para atrair mais usuários para o transporte coletivo, os internautas apontam a redução do tempo de espera nos pontos (41%), a agilidade do trajeto em comparação com outros meios (40%) e a ampliação das linhas e cobertura do sistema (32%) como fatores cruciais. É importante notar que 78% dos participantes utilizam algum tipo de transporte público coletivo ocasionalmente, com maior frequência entre as classes C, D/E e pessoas com menor renda, o que sublinha o papel vital desse modal para a inclusão social e o acesso a serviços urbanos.
Custos, qualidade e a discussão da tarifa zero
Os problemas mais importantes apontados pelos usuários do transporte público continuam os mesmos: lotação dos veículos (24%), preço da tarifa (20%), estado e condições gerais dos veículos (12%), segurança (10%) e pontualidade/frequência (10% cada). A tarifa, em particular, tem um impacto significativo na vida dos cidadãos.
Segundo o levantamento, 63% dos entrevistados afirmam deixar de visitar amigos ou familiares devido ao custo das passagens, e 59% abrem mão de atividades de lazer. Consultas médicas (51%), procura por emprego (44%) e frequência à escola ou universidade (33%) também são afetadas, especialmente entre os mais jovens e aqueles com menor renda familiar. Essa realidade restringe o acesso a oportunidades e a serviços essenciais.
A discussão sobre a tarifa zero, embora vista com bons olhos, é condicionada à melhoria da qualidade do serviço. Para 25% dos entrevistados, a gratuidade seria positiva se acompanhada de melhorias na qualidade e frequência. Outros 22% veem a medida como um ampliador do acesso e redutor da exclusão social, e 16% acreditam que ela incentivaria a redução do uso do carro e diminuiria congestionamentos e emissões de poluentes.
Insegurança nas ruas para pedestres
Além dos desafios no transporte, a segurança para pedestres é outro ponto crítico. Oito em cada dez respondentes (80%) afirmam sentir-se pouco seguros ou nada seguros ao transitar a pé pela cidade, um número que se mantém similar ao de 2025 e que atinge 85% entre as mulheres. O Rio de Janeiro apresenta o pior cenário, com 87% de seus moradores relatando sensação de insegurança, enquanto Goiânia, apesar de ser a capital com o “melhor” resultado, ainda registra que a maioria (62%) se sente insegura como pedestre. Esse dado reforça a necessidade de investimentos em iluminação pública, policiamento e infraestrutura urbana que priorize a segurança dos cidadãos em seus deslocamentos a pé.
O panorama da mobilidade urbana nas capitais brasileiras em 2026, conforme a pesquisa Ipsos-Ipec, revela um cenário de estagnação e piora em alguns aspectos. O aumento do tempo de deslocamento, a persistência de problemas no transporte coletivo e a insegurança para pedestres indicam a urgência de políticas públicas mais eficazes. Para o futuro, é essencial que gestores urbanos priorizem investimentos em infraestrutura, modernização dos sistemas de transporte e segurança pública, visando garantir cidades mais eficientes, inclusivas e com melhor qualidade de vida para seus habitantes.
Fontes consultadas
- Fonte 1 informada ao ViralNews pelo sistema de curadoria automatizada
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