TCU encaminha ao Congresso análise sobre gestão e impactos da crise nos Correios com rombo crescente e plano de reestruturação anunciado
A crise financeira dos Correios, que registraram um prejuízo de R$ 4,4 bilhões no primeiro semestre de 2025, está sendo acompanhada de perto pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Em atendimento ao pedido do deputado Evair Ferreira (PP-ES), o TCU enviará ao Congresso Nacional um detalhamento sobre a gestão financeira, gastos e problemas na governança da estatal.
O tribunal já havia incluído em 2024 a sustentabilidade econômica dos Correios na Lista de Alto Risco (LAR), sinalizando vulnerabilidades graves que podem comprometer serviços essenciais e gerar impactos fiscais graves.
Na tentativa de conter as perdas, a empresa anunciou um plano de reestruturação com cortes, vendas e fechamento de agências, visando economizar até R$ 2 bilhões por ano a partir de 2027. Essas são algumas das medidas para tentar reverter uma sequência de 12 trimestres consecutivos de prejuízos, conforme informação divulgada pelo g1.
Despesas crescentes e monitoramento prioritário do TCU
O relator do caso no TCU, ministro Walton Alencar, destacou em seu voto que a evolução das despesas administrativas e financeiras da estatal é alarmante, e vem sendo monitorada há anos pelo tribunal. A inclusão da sustentabilidade financeira dos Correios na Lista de Alto Risco impõe ao tribunal um monitoramento intensivo, focado em desempenho financeiro, gestão de pessoal e eficiência operacional.
Esse rigor visa mitigar riscos como fraude, desperdício e má gestão, pois a continuidade do modelo atual ameaça a prestação dos serviços postais em todo o país.
Prejuízos acumulados e necessidade de intervenção financeira
Os prejuízos da empresa têm aumentado significativamente. Em 2022, o déficit foi superior a R$ 700 milhões, saltando para R$ 2,5 bilhões em 2024. Em 2025, o resultado parcial aponta para um prejuízo de R$ 4,4 bilhões.
Para manter as operações, os Correios contrataram um empréstimo de R$ 12 bilhões junto a cinco bancos, com garantia do Tesouro Nacional, e já receberam R$ 10 bilhões. O objetivo desse recurso é quitar dívidas emergenciais e sustentar o funcionamento da estatal, que admite a possibilidade de precisar de mais R$ 8 bilhões ao longo deste ano.
O presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, afirmou que se não houver reversão no ciclo de perdas, o resultado negativo de 2026 pode chegar a R$ 23 bilhões, evidenciando a gravidade da situação.
Plano de reestruturação e perspectivas futuras
A reestruturação anunciada pelos Correios inclui o corte de R$ 2 bilhões em gastos com pessoal, venda de imóveis e o fechamento de cerca de mil agências, considerando que atualmente a estatal possui aproximadamente cinco mil unidades.
Segundo Emmanoel Rondon, o modelo econômico-financeiro vigente deixou de ser viável. O plano pretende reverter uma série de 12 trimestres consecutivos de prejuízos e assegurar a sustentabilidade futura da empresa pública.
A expectativa é que as medidas possam gerar uma economia anual de R$ 2 bilhões a partir de 2027, reduzindo os impactos financeiros negativos e preparando a estatal para operar de forma mais eficiente.
Governança, investimentos e responsabilidade fiscal sob análise
Além dos dados financeiros, o deputado Evair Ferreira solicitou que o TCU encaminhe informações ao Congresso sobre as falhas de governança nos Correios e a compatibilidade dos investimentos realizados com os princípios da responsabilidade fiscal.
Conforme o ministro Walton Alencar, esses aspectos fazem parte do monitoramento prioritário a fim de assegurar transparência e evitar novos riscos fiscais para a administração pública.
Fontes consultadas
- Agência Brasil
- Valor Econômico
- G1
