Gigantes da tecnologia financiam projetos de energia nuclear modular para enfrentar a crescente demanda energética do setor de inteligência artificial e data centers
Em meio à expansão acelerada dos data centers e ao crescimento da inteligência artificial, empresas como Amazon, Meta e Google estão direcionando investimentos significativos para a construção de pequenos reatores nucleares modulares. Essa iniciativa visa oferecer uma fonte de energia confiável, sustentável e capaz de acompanhar a alta demanda elétrica do setor tecnológico.
Os acordos recentes entre essas big techs e empresas de energia nuclear representam um novo impulso para o segmento, que enfrenta dificuldades históricas para financiar e concretizar projetos nucleares comerciais nos Estados Unidos. Conforme informação divulgada pelo g1, a atuação dessas corporações traz maior segurança financeira para os empreendimentos, facilitando o acesso a crédito bancário e reduzindo riscos para investidores.
Nos próximos tópicos, explicamos o que são pequenos reatores modulares, por que se tornaram a aposta do setor e quais são os desafios atuais do mercado nuclear avançado.
Por que os pequenos reatores modulares atraem investimentos tecnológicos
Pequenos reatores nucleares modulares se destacam por terem uma escala menor e cronogramas de construção mais rápidos quando comparados às usinas nucleares tradicionais. Isso diminui o capital inicial necessário, reduzindo riscos e aumentando a viabilidade econômica para as empresas.
Um exemplo é o projeto da Amazon com a empresa X-energy, que prevê a operação de reatores modulares capazes de gerar até 5 gigawatts (GW) de potência até 2039 nos Estados Unidos. O Google, por sua vez, firmou compromisso com a Kairos Power para colocar o primeiro pequeno reator modular em funcionamento até 2030.
Segundo Shioly Dong, analista da BMI, unidade da Fitch Solutions, esses acordos garantem “a certeza de receita que os bancos comerciais exigirão para a dívida de construção”, uma das principais barreiras para o avanço do setor nuclear.
A alta demanda energética impulsionada pelos data centers e a inteligência artificial
Nos Estados Unidos, o consumo de eletricidade deve crescer 1% em 2024 e atingir uma alta de 3% no ano seguinte, impulsionado especialmente pela expansão dos data centers que suportam aplicações de inteligência artificial, segundo dados da Administração de Informação Energética (EIA).
Esse cenário cria uma necessidade urgente por fontes de energia confiáveis, com baixas emissões e capazes de operar em larga escala para atender à demanda crescente das big techs e seus clientes pelo mundo.
Desafios e perspectivas para o setor nuclear avançado
Apesar da empolgação, o setor de energia nuclear avançada ainda enfrenta desafios significativos, como altos riscos de construção, custos elevados e a necessidade de superar barreiras tecnológicas. Historicamente, ele dependeu de apoio governamental e investimentos de capital de risco, que agora começam a ser suplementados por interessados do setor privado.
Para Tim Winter, gerente de portfólio do Gabelli Utilities Fund, a disposição das grandes empresas tecnológicas em assumir os riscos financeiros referentes a possíveis atrasos e custos excedentes será determinante para o sucesso dessa nova fase do setor nuclear.
Além disso, a perspectiva de contratos de longo prazo, como o firmado entre a Meta e a Oklo, com financiamento para combustível nuclear e desenvolvimento do projeto em Ohio, sinaliza uma crescente maturidade do mercado.
Tess Carter, do Rhodium Group, destaca que bancos tradicionais já demonstram interesse mais intenso em financiar esse setor, “o que seria um grande desenvolvimento – ainda não tínhamos visto isso antes”, embora investimentos em larga escala ainda estejam por vir.
Assim, a aliança entre gigantes da tecnologia e projetos de energia nuclear modular aponta para um futuro em que essa fonte poderá se consolidar como protagonista do fornecimento energético para a nova economia digital movida pela inteligência artificial.