Preços do petróleo avançam com Brent a US$ 109,13 e WTI a US$ 112,31, e refinarias buscam alternativas diante da interrupção das exportações do Oriente Médio
Os contratos futuros do petróleo reagiram com leve alta na manhã de segunda-feira, em um cenário de incerteza diplomática e risco de interrupções mais longas no fornecimento global.
A elevação dos preços reflete dúvidas sobre a reabertura do tráfego no Estreito de Ormuz e a possibilidade de novas ações militares, após rejeições a um esboço de cessar-fogo por parte de Irã e Estados Unidos.
O mercado observa ainda a movimentação da Opep+ e os sinais de restrição na oferta, com refinarias mudando fontes de abastecimento, conforme informação divulgada pelo g1
Oscilação dos preços e dados observados
Por volta das 10h45, os contratos futuros do petróleo Brent, referência internacional, avançavam 0,1%, para US$ 109,13 por barril. Já o West Texas Intermediate, WTI, usado como referência nos EUA, subia 0,69%, ou 77 centavos, para US$ 112,31 por barril.
Esses números mostram cautela dos investidores, que buscam sinalizações claras sobre a normalização do tráfego marítimo e a continuidade das exportações do Oriente Médio.
Estreito de Ormuz e risco ao comércio
O Estreito de Ormuz é uma das rotas mais importantes para o transporte de petróleo, por onde passam cargas do Iraque, Arábia Saudita, Catar, Kuwait e Emirados Árabes Unidos.
Desde o início do conflito em 28 de fevereiro, a passagem ficou em grande parte interrompida após ataques iranianos contra embarcações, embora alguns navios tenham voltado a atravessar nos últimos dias, com o Irã permitindo a passagem de embarcações de países considerados mais próximos diplomaticamente.
A continuidade do bloqueio levou o presidente dos EUA, Donald Trump, a afirmar que poderia, e citou a expressão, “fazer chover inferno”, caso um acordo não seja alcançado até o fim da terça-feira, aumentando a tensão sobre o roteiro de fornecimento global.
Ajustes de oferta, Opep+ e produção russa
Em resposta ao aperto na oferta, a Opep+ decidiu aumentar a produção em 206 mil barris por dia a partir de maio, movimento que analistas consideram limitado se o comércio marítimo seguir afetado.
Além das tensões no Oriente Médio, a oferta russa também enfrentou interrupções após ataques de drones ucranianos a terminais no Mar Báltico, ainda que alguns terminais tenham retomado carregamentos, e exportações pelo Mar Negro devam crescer em abril, conforme relatos de traders e cálculos da Reuters.
Impacto nas refinarias e nas rotas de abastecimento
Com a interrupção das exportações do Oriente Médio, refinarias passaram a buscar petróleo em outras regiões, principalmente nos EUA e no Mar do Norte, elevando a competição por cargas disponíveis.
Esse movimento fez com que os prêmios pagos no mercado à vista pelo WTI atingissem níveis recordes, e levou refinarias na Índia a adiar paradas programadas para manter oferta interna suficiente.
A Arábia Saudita também reajustou preços para a Ásia, fixando o Arab Light com um prêmio recorde de US$ 19,50 por barril acima da média de referência Oman/Dubai, aumento de US$ 17 em relação ao mês anterior, conforme divulgado pela estatal Aramco, pressionando ainda mais os custos no mercado asiático.
O cenário combina restrição logística, reajustes de preços e risco geopolítico, o que mantém os investidores e as cadeias de abastecimento em estado de vigilância, à espera de qualquer sinal que reduza a tensão sobre o fluxo de petróleo.
