Impacto no preço do petróleo aumenta com interrupções no Estreito de Ormuz, refinarias buscam cargas nos EUA e Mar do Norte, Trump ameaça ação caso bloqueio persista
Os preços do petróleo subiram levemente na manhã desta segunda-feira, diante da incerteza sobre negociações entre Irã e Estados Unidos e do risco de interrupções mais prolongadas no fornecimento global.
As cotações refletiram a rejeição de um esboço de proposta de cessar-fogo por parte do Irã, e a resposta ameaçadora do presidente dos EUA, que afirmou que poderia “fazer chover inferno” caso não haja acordo até o fim de terça-feira.
O movimento também responde ao fechamento parcial do Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passam cargas relevantes de petróleo, e à busca de refinarias por alternativas de abastecimento.
conforme informação divulgada pelo g1
Variação dos preços e números do mercado
Por volta das 10h45, os contratos futuros do petróleo Brent, referência internacional, avançavam 0,1%, para US$ 109,13 por barril, enquanto o WTI, referência dos EUA, subia 0,69%, ou 77 centavos, para US$ 112,31 por barril.
As oscilações mostram a cautela dos investidores diante do risco de interrupções no fornecimento, com o mercado tentando calibrar impactos mais duradouros na oferta global.
Estreito de Ormuz e movimentação de navios
O Estreito de Ormuz segue em grande parte interrompido desde o início do conflito em 28 de fevereiro, após ataques iranianos contra embarcações na região, ponto por onde passam cargas de Iraque, Arábia Saudita, Catar, Kuwait e Emirados Árabes Unidos.
Mesmo assim, alguns navios voltaram a cruzar a rota nos últimos dias. Dados de navegação indicam que um petroleiro operado por Omã, um navio porta-contêineres de propriedade francesa e um navio de transporte de gás japonês passaram pelo estreito desde quinta-feira, o que reflete a política do Irã de permitir a travessia de embarcações de países considerados mais próximos diplomaticamente.
Segundo Ole Hvalbye, da SEB Research, “O mercado está tentando entender o que esperar daqui para frente. A principal notícia do fim de semana foi que alguns navios conseguiram atravessar o estreito”.
Refinarias buscam alternativas, e competição por cargas aumenta
Com as exportações do Oriente Médio interrompidas, refinarias passaram a procurar petróleo em outras regiões, principalmente nos EUA e no Mar do Norte, o que aumentou a competição por cargas disponíveis.
Esse movimento elevou prêmios no mercado à vista do WTI americano, que atingiram níveis recordes, e levou refinarias indianas a adiarem paradas programadas para manutenção para garantir suprimento interno.
Resposta dos produtores e riscos na oferta
A Opep+ decidiu aumentar a produção em 206 mil barris por dia a partir de maio, mas analistas avaliam que o efeito pode ser limitado enquanto o conflito afetar o comércio global de petróleo.
Como aponta Janiv Shah, da consultoria Rystad, “Os movimentos da Opep parecem enfrentar limitações relacionadas à disponibilidade de exportações”. A Arábia Saudita também elevou o preço oficial de venda do petróleo Arab Light para a Ásia em maio, fixando um prêmio recorde de US$ 19,50 por barril acima da média de referência Oman/Dubai, aumento de US$ 17 em relação ao mês anterior, segundo dados citados na matéria.
Além das tensões no Oriente Médio, a oferta russa também sofreu interrupções após ataques de drones ucranianos a terminais de exportação no Mar Báltico, embora relatos indiquem retomada de carregamentos em alguns pontos, e previsões de aumento nas exportações do porto de Tuapse neste mês.
O cenário, portanto, mantém o mercado de petróleo em alerta, com impactos que dependem da evolução das negociações diplomáticas, das ações dos grandes produtores e do comportamento das rotas marítimas estratégicas.