Um vídeo inusitado, que mostra um “exército” de cerca de 500 marrecos marchando de forma ordenada por uma rua em Rio dos Cedros, Santa Catarina, viralizou nas redes sociais, capturando a atenção de milhares de internautas. O registro, feito por uma professora, revela uma prática agrícola tradicional e eficaz, onde as aves desempenham um papel crucial no controle biológico de pragas em lavouras de arroz da região, destacando a engenhosidade de produtores locais em busca de soluções sustentáveis.
O que você precisa saber
- Aproximadamente 500 marrecos foram filmados em Rio dos Cedros, Santa Catarina, em uma “marcha” organizada que viralizou na internet.
- As aves são utilizadas por agricultores locais, conhecidos como risicultores, para o controle biológico de pragas e plantas daninhas em suas lavouras de arroz.
- O deslocamento dos marrecos pela rua faz parte da rotina agrícola, sendo a forma mais prática de transferi-los entre diferentes áreas de cultivo.
- O comportamento disciplinado dos marrecos é resultado de um condicionamento iniciado desde os primeiros dias de vida, quando vivem em bandos.
- A utilização dos marrecos como controle biológico contribui para a redução do uso de insumos químicos na rizicultura da região, promovendo uma agricultura mais sustentável.
A marcha organizada e sua repercussão online
A cena, registrada na última terça-feira (31), mostrou os marrecos se deslocando em fila e de forma surpreendentemente organizada, acompanhados por apenas quatro tutores. A publicação do vídeo gerou uma onda de comentários e compartilhamentos, com muitos usuários expressando admiração pela obediência das aves. “Olha que obedientes, só quatro pessoas cuidando para um tantão”, escreveu uma internauta, refletindo o espanto geral com a coordenação do grupo.
A diretora de Agricultura de Rio dos Cedros, Jessica Figurski, e o técnico em agropecuária Carlos Luiz Zanella confirmaram que a prática é comum na cidade e que o número de aves envolvidas chega a cerca de 500.
Marrecos como aliados da agricultura sustentável
A aparente excentricidade da cena esconde uma estratégia agrícola inteligente e ecológica. Os produtores de arroz da região, ou risicultores, empregam os marrecos como uma ferramenta de controle biológico. As aves são soltas nas lavouras para se alimentarem de pragas e plantas daninhas que poderiam prejudicar o cultivo do arroz. Essa técnica milenar, que tem ganhado destaque em sistemas de produção orgânica e sustentável, permite que os agricultores diminuam significativamente a dependência de pesticidas e herbicidas químicos, resultando em um produto final mais limpo e um impacto ambiental reduzido.
Rotina e condicionamento das aves
O deslocamento dos marrecos pela estrada não é um evento isolado, mas uma parte integrante da rotina desses animais na fazenda. Segundo Carlos Luiz Zanella, os produtores precisam transferir os bandos entre diferentes “quadras” de arrozais à medida que as necessidades de controle de pragas mudam. “Eles têm um intervalo de tempo e vão de quadra por quadra”, explica Jessica Figurski. Para facilitar essa transição, os produtores optam por conduzi-los pela estrada, especialmente porque uma única família de agricultores pode possuir várias áreas de plantio na localidade.
O comportamento de se mover em bando é instintivo, mas também é reforçado desde que os marrecos chegam às propriedades, com apenas um dia de vida. Eles são condicionados a viver e se deslocar em grupo, tornando essas “marchas” um evento diário. Durante o dia, cumprem sua função nas lavouras e, à noite, retornam a um local específico, como um estaleiro ou poleiro, para descanso e proteção.
Impacto na produção e meio ambiente
A adoção de marrecos para o controle de pragas é um exemplo prático de como a agricultura brasileira pode integrar soluções naturais para otimizar a produção e proteger o meio ambiente. Ao reduzir a aplicação de produtos químicos, os risicultores de Rio dos Cedros não apenas diminuem seus custos operacionais, mas também contribuem para a saúde do solo, da água e da biodiversidade local. Essa abordagem se alinha com tendências globais de sustentabilidade na agricultura, oferecendo um modelo valioso para outras culturas e regiões que buscam métodos de cultivo mais ecológicos e eficientes, garantindo alimentos seguros e um ecossistema mais equilibrado.
O episódio dos marrecos de Rio dos Cedros serve como um lembrete vívido de como práticas agrícolas tradicionais, aliadas à natureza, podem oferecer soluções eficazes e sustentáveis. A viralização do vídeo não apenas entreteve, mas também trouxe à luz uma técnica valiosa que contribui para a produção de alimentos de forma mais ecológica, um modelo que pode inspirar outras regiões e produtores em busca de alternativas menos impactantes ao meio ambiente. Acompanhar a evolução e a disseminação dessas práticas será fundamental para um futuro agrícola mais verde no Brasil.
Fontes consultadas
- Fonte 1 informada ao ViralNews pelo sistema de curadoria automatizada
Este conteúdo é informativo e não substitui orientação médica.
