Itália nega uso da base de Sigonella por aviões dos EUA em rota ao Oriente Médio, decisão aumenta tensão entre aliados e leva a restrições aéreas na Europa

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Recusa para escala na base de Sigonella ocorreu por falta de pedido prévio, fontes citam negativa em 27 de março, e França e Espanha já impuseram limites ao tráfego militar

Autoridades italianas negaram na semana passada autorização para aeronaves militares dos Estados Unidos pousarem em Sigonella, instalação situada no leste da Sicília.

A recusa foi motivada, segundo fontes, pela ausência de pedido prévio ao governo e pela falta de consulta à cúpula militar italiana, exigida pelos tratados que regulam o uso de bases estrangeiras.

Uma das fontes afirmou que a negativa ocorreu em 27 de março, e outra confirmou a informação a agências internacionais, conforme informação divulgada pelo g1.

Por que a autorização foi negada

A exigência central é administrativa e jurídica, segundo fontes, as escalas devem ser autorizadas previamente pelo governo e pelas autoridades militares italianas.

O jornal que revelou o caso citou que “alguns bombardeiros americanos” planejavam fazer escala antes de seguir para o Oriente Médio, mas não informou quando o pouso ocorreria.

Fontes ouvidas pela Reuters confirmaram a negativa e disseram não ter detalhes sobre o número de aeronaves envolvidas, além de indicar que os pedidos são avaliados caso a caso.

Posição oficial de Roma

Em nota, o governo disse que atua “em total conformidade com os acordos internacionais vigentes”, e ressaltou que todos os pedidos de uso das bases “são analisados com cuidado, caso a caso”.

O texto governamental ainda afirmou que não há “problemas ou atritos” com parceiros internacionais e, sobre a relação com Washington, declarou que “As relações com os Estados Unidos, em particular, são sólidas e baseadas em cooperação plena e leal”.

A embaixada dos EUA em Roma, segundo o relato das fontes, não comentou o caso de imediato.

Reações na Europa e restrições aéreas

O episódio ocorre em um contexto de limitação de apoio logístico por parte de aliados europeus, em especial no uso de espaços aéreos e instalações.

A França anunciou que fechou o uso de seu espaço aéreo para transportar armas, e autoridades espanholas informaram o fechamento do espaço aéreo para aeronaves americanas envolvidas em ataques contra o Irã.

A ministra da Defesa da Espanha, Margarita Robles, foi citada ao comunicar a ampliação das proibições, enquanto o primeiro-ministro Pedro Sánchez permanece crítico às ações de Washington e de Israel.

Impactos para a OTAN e próximos passos

A recusa em Sigonella coloca em evidência a tensão entre decisões soberanas de Estados europeus e as exigências operacionais dos EUA em teatros de conflito externos.

Fontes internas e partidos políticos na Itália pressionam por maior controle parlamentar sobre pedidos de uso de bases, e a primeira-ministra declarou que buscará aprovação do Parlamento caso Washington solicite formalmente o uso de instalações italianas.

Analistas apontam que, além do impacto imediato nas operações, o episódio tende a estimular debates no bloco sobre regras de transito logístico, transparência e consultas prévias entre aliados.

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