Estreito de Ormuz permanece parcialmente fechado com risco constante de minas, dificultando passagem de navios apesar de cessar-fogo
O Estreito de Ormuz, rota marítima vital para o comércio global de petróleo, continua limitado para a navegação devido ao controle impreciso do Irã sobre minas navais espalhadas na região durante o recente conflito. Autoridades do governo Trump informaram ao jornal The New York Times que o Irã não sabe a localização exata dessas minas, o que impede a liberação total do tráfego.
A demora na reabertura do estreito tem causado desgaste diplomático, principalmente com os Estados Unidos que pressionam por retomada imediata. O presidente Donald Trump criticou publicamente o Irã, afirmando que o país está fazendo um “trabalho muito ruim” na gestão da passagem.
Segundo informações divulgadas pelo G1, o governo iraniano afirma que a passagem está aberta, mas com restrições coordenadas pela Guarda Revolucionária para evitar riscos causados pelas minas, o que na prática tem limitado a passagem de embarcações para menos de 5% do fluxo habitual.
Coordenação e restrições no tráfego marítimo
O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Saeed Khatibzadeh, declarou que o estreito permanece aberto porém sob restrições rigorosas. A Guarda Revolucionária orienta as embarcações a navegarem próximas à Ilha de Larak, dentro das águas iranianas, para evitar áreas onde as minas foram instaladas.
Essa medida tem causado forte redução no trânsito de navios, com apenas seis embarcações autorizadas a passar em um dia recente, comparado a cerca de 140 na média normal, conforme dados de rastreamento marítimo publicados pela Reuters.
Implicações estratégicas e decisão de cobrança de pedágio
O estreito responde por cerca de 20% do petróleo comercializado globalmente, o que torna o controle dessa rota um fator estratégico importante para o Irã em sua guerra contra os Estados Unidos e Israel. Além disso, o governo de Teerã indicou interesse em cobrar pedágio pela passagem dos navios para compensar os custos decorrentes do conflito.
O acordo inicial de cessar-fogo firmado em 7 de outubro previa a reabertura total do estreito, mas a retomada do tráfego ainda não ocorreu plenamente devido às contínuas tensões e à segurança comprometida pelo perigo das minas.
Tecnologia e riscos das minas navais
As minas navais podem estar fixas no fundo do mar ou flutuando à deriva e são equipadas com sensores que detectam a presença de embarcações, podendo causar estragos significativos. Estima-se que o Irã possua entre 2 mil e 6 mil minas navais, de variados modelos e tecnologias.
Especialistas indicam que, mesmo com a capacidade de danificar navios, é improvável que uma única mina consiga afundar uma embarcação de grande porte como um petroleiro, mas o risco de danos é elevado e justifica a cautela extrema na navegação pela região.
Uma empresa britânica de segurança marítima, a Ambrey, alertou que há perigo real para embarcações sem autorização para transitar pelo estreito e ressaltou que navios autorizados também enfrentam dificuldades para atravessar devido às restrições iranianas.
