Medidas do Irã no Estreito de Ormuz geram alta tensão no mercado de petróleo e ameaçam a principal rota de transporte mundial
Nas últimas 24 horas, o movimento de navios pelo Estreito de Ormuz caiu drasticamente, chegando a apenas seis embarcações, enquanto normalmente o canal registra cerca de 140 passagens diárias. Essa redução brusca ocorre após o líder supremo do Irã anunciar uma nova fase na gestão do estreito, indicando a cobrança de pedágio para reparação dos danos decorrentes de conflitos com os Estados Unidos e Israel.
O Estreito de Ormuz é uma rota estratégica responsável por cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo, e as medidas adotadas pelo Irã despertam apreensão internacional, acentuando a volatilidade dos preços do petróleo, que chegaram a oscilar próximo a US$ 100 por barril nesta quinta-feira.
Conforme informação divulgada pelo g1, a Guarda Revolucionária iraniana ordenou que os navios transitem exclusivamente pelas águas ao redor da ilha de Larak, sob supervisão rigorosa, para evitar riscos como minas navais, o que vem restringindo ainda mais o fluxo e gerando grande acúmulo de embarcações no Golfo Pérsico.
Restrição extrema do tráfego e cobrança de pedágio
O líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, afirmou que o controle do Estreito de Ormuz entrará em uma etapa de cobrança de pedágio sobre navios que passam pela região, visto como uma reparação pelos danos provocados por ataques dos EUA e Israel. Essa decisão sinaliza um endurecimento na postura iraniana, que historicamente usa o estreito como um ponto de pressão geopolítica.
Os dados recentes da agência Reuters revelam que o tráfego marítimo está abaixo de 10% do volume usual. Isso inclui seis navios, entre eles apenas um petroleiro, enfrentando restrições severas para navegar até novas determinações. Atualmente, mais de 180 petroleiros estão retidos no Golfo, totalizando cerca de 172 milhões de barris de petróleo e derivados, segundo a empresa de rastreamento Kpler.
Segurança e risco de minas navais no estreito
A marinha da Guarda Revolucionária do Irã exige que as embarcações naveguem em um percurso controlado ao redor da ilha de Larak, para evitar minas navais e outras ameaças no estreito. Minas navais são explosivos submersos que podem ser ativados automaticamente ao detectar navios por contato ou sensores magnéticos, de pressão ou acústicos.
Estima-se que o Irã possua um estoque de 2 mil a 6 mil minas navais, aumentando o risco para navios que transitam sem autorização. Apesar disso, pesquisadores indicam que mesmo uma mina dificilmente poderia afundar um navio de grande porte, mas o dano que poderia causar é significativo.
Impactos no mercado internacional e perspectivas futuras
Essa nova fase imposta pelo Irã traz muita incerteza ao mercado global de petróleo. Mesmo com alguma redução dos preços no pregão desta quinta-feira, os valores permaneceram elevados devido ao temor pela continuidade das restrições. A Reuters cita que, segundo especialistas da empresa Verisk Maplecroft, a cautela deve persistir, e o sobreacúmulo de navios dificilmente será resolvido em semanas, mesmo se o tráfego aumentar repentinamente.
Em um momento tão sensível para o comércio mundial, a estratégia do Irã no Estreito de Ormuz demonstra a intensificação de seu papel geopolítico na região, aumentando a volatilidade econômica e política no mercado de energia global.
