Presidente dos EUA insiste em prazo para Irã e alerta sobre possíveis consequências graves, enquanto Teerã convoca civis para defesa nacional
Conforme informação divulgada pelo g1, o clima de tensão entre Estados Unidos e Irã aumentou às vésperas do prazo dado pelo presidente Donald Trump para a reabertura do Estreito de Ormuz, uma rota vital por onde circula cerca de 20% do petróleo comercializado globalmente.
Horas antes do prazo se encerrar, Trump usou as redes sociais para afirmar que “uma civilização inteira morrerá nesta noite” caso o Irã não atenda às exigências americanas, demonstrando preocupação com um conflito que pode ser devastador para a região e o mundo.
Enquanto isso, o governo iraniano convocou a população a formar correntes humanas para proteger infraestruturas estratégicas, indicando que não pretende ceder ao ultimato e se prepara para uma possível escalada bélica. Saiba a seguir os principais fatos e motivações por trás dessa crise.
Trump alerta para “ataque como nunca se viu antes” se Irã não cumprir exigências
Em uma série de declarações feitas nesta terça-feira, 7 de abril, Donald Trump disse no aplicativo Truth Social que não deseja que “isso aconteça, mas provavelmente acontecerá” em referência a um ataque massivo do EUA contra o Irã. Ele afirmou que “47 anos de extorsão, corrupção e morte finalmente chegarão ao fim” e que espera que uma mudança de regime traga uma virada no país.
O presidente norte-americano estabeleceu o horário das 21h, em Brasília, como prazo máximo para o Irã reabrir o Estreito de Ormuz, além de rejeitar uma proposta de cessar-fogo parcial apresentada pelo Paquistão na segunda-feira. Segundo Trump, se as negociações não avançarem concretamente até o prazo, o país pode enfrentar um ataque devastador.
Um repórter da Fox News afirmou que Trump avisou sobre um acontecimento “às 8 pm” no horário de Washington, reforçando a credibilidade da ameaça, mas também deixou aberta a possibilidade de mudança caso um acordo seja firmado. O foco continua na possível interrupção da passagem estratégica bloqueada pelo Irã desde ataques de EUA e Israel em 28 de fevereiro.
Irã mobiliza milhões para proteger instalações em resposta ao ultimato americano
Do lado iraniano, a resposta tem sido firme e demonstra resistência. Antes mesmo do prazo final, o governo pediu na TV estatal que a população forme correntes humanas em torno das usinas de energia e diversas pontes para protegê-las de possíveis ataques.
Alireza Rahimi, secretário do Conselho Supremo da Juventude e dos Adolescentes, convocou em rede nacional “jovens, atletas, artistas, estudantes universitários e professores” para se voluntariarem, ressaltando que “as usinas de energia são nossos ativos e capital nacional”.
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, destacou nas redes sociais que mais de 14 milhões de iranianos já se dispõem a sacrificar suas vidas em defesa do país, sinalizando mobilização popular em meio ao clima de incerteza e possível confronto.
Negociações estagnadas diante de propostas divergentes e preocupações regionais
Apesar de esforços diplomáticos e da intermediação do Paquistão, as negociações entre Irã e EUA permaneceram sem avanços significativos. O cessar-fogo apresentado previa uma pausa imediata nas hostilidades para permitir a reabertura do Estreito de Ormuz e a negociação de um acordo mais amplo em até 20 dias.
O governo iraniano rejeitou a proposta, argumentando que prefere negociar o fim total do conflito a uma trégua temporária que poderia beneficiar seus inimigos, conforme declarou a agência estatal Irna. Essa postura aumenta a incerteza sobre o desdobramento da crise nas próximas horas.
Impactos globais e cenário doméstico
A controvérsia no Estreito de Ormuz reverbera nos mercados mundiais de petróleo e gás, já que o bloqueio da passagem disrupta o trânsito de grandes volumes de energia essenciais à economia global. Em Teerã, relatos indicam um clima de apreensão e medo diante da possibilidade de cortes de energia e ataques militares.
Um jovem, em condição de anonimato, resumiu a sensação da população, dizendo que se sente “preso entre as lâminas de uma tesoura”, um reflexo da tensão entre forças nacionais e internacionais que colocam o Irã em um momento crítico.
Conforme relato do g1, o desfecho dessa situação dificilmente será pacífico, e o mundo acompanha atento entre o risco de uma escalada militar com consequências incalculáveis para a região e para toda a conjuntura global de energia e segurança.
