Irã questiona confiança nos EUA após negociações no Paquistão e enfatiza propostas construtivas apesar do impasse nuclear
Após longas horas de negociação presencial em Islamabad, a delegação iraniana afirma que os Estados Unidos não conseguiram conquistar sua confiança, recusando-se a avançar para um diálogo confiável. Mohammad Bagher Qalibaf, presidente do Parlamento do Irã e integrante da equipe de negociação, ressaltou a postura “propositiva” do Irã frente às discussões, mas destacou que cabe agora a Washington decidir se está interessada em estabelecer um diálogo honesto e eficaz.
O encontro, que durou cerca de 21 horas no dia 12 de junho, culminou na declaração do vice-presidente dos EUA, JD Vance, que anunciou o abandono das conversas citando a recusa iraniana em aceitar termos definitivos que impeçam o desenvolvimento de armas nucleares. No cenário político estadunidense, o ex-presidente Donald Trump minimizou as consequências do fracasso das negociações, afirmando que o equilíbrio militar já favorece os EUA e que a abertura do Estreito de Ormuz é prioritária.
Conforme informação divulgada pelo g1, essas tensões nas negociações refletem a complexidade das relações entre os dois países e o impasse que ronda as questões nucleares e estratégicas.
Posição do Irã na mesa de negociações de Islamabad
Mohammad Bagher Qalibaf, representante visto como conservador linha-dura e presidente do Parlamento desde 2020, declarou que o Irã apresentou propostas consideradas “propositivas” e que sua delegação agiu com transparência durante toda a negociação extensiva. Ele indicou que os Estados Unidos, embora pareçam ter compreendido os princípios e a lógica iranianos, não demonstraram estar preparados para conquistar a confiança do país.
Qalibaf publicou no X uma mensagem que reforça a necessidade de os EUA fazerem uma escolha definitiva sobre a confiança e a continuidade do diálogo bilateral, reforçando o posicionamento iraniano em não ceder além dos seus limites estratégicos.
Justificativas americanas para o término das negociações
Em contrapartida, o vice-presidente dos EUA, JD Vance, justificou a saída das negociações apontando a resistência do Irã em aceitar condições que eliminem futuras capacidades nucleares militares. Em pronunciamento breve, Vance explicou que apesar dos contatos constantes com o presidente Donald Trump, a ausência de consenso nas bases fundamentais do acordo inviabilizou um desfecho positivo.
Essa visão é endossada pela postura do ex-presidente Trump, que se manifestou na Casa Branca com um tom de desdém, afirmando que a falta de acordo não impacta a posição estratégica dos EUA. Trump destacou que o foco do governo está voltado para a segurança do Estreito de Ormuz e o domínio militar já estabelecido no momento.
Implicações para o futuro das negociações nucleares
O episódio mostra um cenário delicado na tentativa de reaproximação entre Irã e Estados Unidos, com profundas divergências sobre as condições para controle e limitação das atividades nucleares iranianas. Com a questão da confiança como elemento central, o caminho para novas negociações ainda é incerto, dependendo da disposição bilateral para compor acordos considerados mutuamente aceitáveis.
O impasse sugere que será necessário um novo esforço diplomático alinhado a condições mais claras e talvez a mediações adicionais para evitar um agravamento das tensões no Oriente Médio, região fundamental para a estabilidade geopolítica mundial.
