Conflitos armados em alta causam impacto econômico significativo e persistente nas nações e na economia mundial, segundo estudo do FMI
Em 2024, mais de 35 países enfrentam conflitos internos, alcançando o maior número de guerras em um mesmo ano desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Cerca de 45% da população mundial vive em locais afetados por combates ativos, revelou uma análise do Fundo Monetário Internacional (FMI).
A pesquisa inclui dados sobre o aumento expressivo dos gastos militares em 164 países, e destaca que, além das perdas humanas, as guerras geram custos econômicos profundos, com efeitos que se prolongam por décadas.
Essas informações foram divulgadas em dois capítulos do próximo relatório Perspectiva Mundial do FMI, que deve ser publicado na próxima terça-feira, conforme informação divulgada pelo g1.
Consequências macroeconômicas duradouras das guerras para países envolvidos e suas regiões
O estudo do FMI aponta que os países onde ocorrem efetivamente os combates enfrentam desafios macroeconômicos severos, incluindo perda significativa de produção econômica que pode durar mais de dez anos. Essas perdas são normalmente maiores que as provocadas por crises financeiras ou desastres naturais graves.
Por sua vez, as nações vizinhas ou principais parceiros comerciais também sentem o impacto dos conflitos, mesmo que não sofram destruição física direta. Essas economias acabam enfrentando choques causados pelo aumento dos desequilíbrios externos, afetando suas reservas internacionais e desvalorizando suas moedas.
Efeitos globais sobre crescimento e inflação indicam cenário econômico complexo
Para a diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, os conflitos em andamento obrigarão o fundo a revisar para baixo as projeções de crescimento global e para cima as taxas de inflação. Isto foi destacado durante entrevista à Reuters na segunda-feira.
O presidente do Banco Mundial, Ajay Banga, também ressaltou que a guerra, independentemente da duração, causará crescimento econômico mais lento e inflação elevada.
Gastos militares em alta e o papel das políticas econômicas
O relatório do FMI mostra que os aumentos acentuados nos gastos militares contribuem para pressão sobre as finanças públicas e desequilíbrios macroeconômicos. Países em guerra enfrentam necessidades urgentes de financiamento, o que pode levar a déficits maiores, depreciação da moeda e perda de reservas cambiais importantes para sustentar a economia.
Assim, as decisões políticas relacionadas ao financiamento dos conflitos refletem diretamente na estabilidade econômica e nas condições de vida da população, impondo difíceis compensações aos governos.
Perspectivas para a recuperação econômica e importância da estabilidade
O FMI alerta que, mesmo após o fim dos conflitos, as economias afetadas dificilmente recuperarão suas taxas de produção imediatamente. O impacto persistente demanda políticas eficazes de reconstrução, apoio internacional e estabilidade macroeconômica para contornar os efeitos da guerra.
Dessa forma, a pesquisa reforça o entendimento de que os custos econômicos das guerras vão muito além do campo de batalha, afetando as dinâmicas globais e regionais por anos.
