Cena de maternidades à luz de lanternas, filas por remédios, doações chegando e unidades de saúde lutando para manter geradores, com milhares de grávidas vulneráveis
A rotina de muitas mulheres que esperam bebês em Cuba virou uma contagem regressiva por eletricidade, combustível e comida.
Algumas recebem atendimento hospitalar intenso, outras ficam sem cozinhar por dias, e todas vivem com o medo de um parto às escuras.
Estima-se que haja atualmente cerca de 32,8 mil mulheres grávidas em Cuba, conforme informação divulgada pelo g1.
Partos sob a sombra dos apagões
No hospital, a gestante Mauren Echevarría passou semanas em repouso e sob constante vigilância, e teme a possibilidade de dar à luz em um apagão que dure um dia inteiro.
Echevarría agradece a equipe médica, e relata diretamente, “Eles fizeram todo o possível por mim no hospital”, com os médicos presentes no quarto.
Ela também afirma que “Eles me deram os remédios e a insulina necessária para a saúde do meu bebê e da placenta”, elogio à equipe que trabalhou contra o relógio em condições adversas.
Rotina e fome em casa
Em um subúrbio de Havana, Indira Martínez, grávida de sete meses, vive sem eletricidade por dias, com geladeira vazia e forno elétrico inoperante.
O marido improvisou um pequeno forno a lenha, e Martínez explica, “Você precisa se levantar de madrugada, quando a energia volta, para cozinhar o que tiver”.
Ela resume a condição alimentar, “E, muitas vezes, isso não tem as vitaminas e proteínas de que preciso e certamente não mata minha fome maior por causa da gravidez”, mostrando o impacto da crise nutricional nas grávidas cubanas.
Medo do futuro e da educação
Martínez deixou o emprego em salão de beleza para proteger o bebê dos produtos químicos, e a família sobrevive com a renda do marido, ferreiro de ofício.
Ela teme não só o parto, mas o futuro da filha, perguntando, “Como vou dizer a ela que não há futuro? Porque ela não terá…”, resignada perante a deterioração de serviços como educação e oportunidades de trabalho.
A crise econômica, o envelhecimento da população, a baixa natalidade e a emigração agravam o sentimento de insegurança entre muitos pais e gestantes.
O colapso dos serviços de saúde e a resposta externa
Hospitais mantêm geradores, mas enfrentam dificuldade para obter combustível, e apagões nacionais recentes prejudicaram o atendimento, com interrupções que já chegaram a durar um dia inteiro.
Segundo o texto do g1, após eventos recentes na região, os envios de petróleo sofreram fortes restrições, e o México despachou ajuda humanitária com leite em pó para gestantes, embora nem todas as gestantes tenham recebido esses suprimentos.
Indira afirma, “Não vi nada da ajuda humanitária enviada para Cuba”, sentimento comum entre muitas famílias que não acessaram as doações.
As histórias de Mauren e Indira colocam em evidência a fragilidade vivida por grávidas cubanas, entre o esforço dos profissionais de saúde e a incerteza de nascer em um país à beira do colapso.