Grávidas cubanas lidam com apagões gerais, falta de combustível e serviços de saúde comprometidos, com doações limitadas e temor de dar à luz sem energia
Nas últimas semanas, mulheres gestantes em Cuba vêm enfrentando interrupções de energia que prejudicam consultas, exames e a rotina doméstica.
O colapso do sistema elétrico, a escassez de combustível e a falta de alimentos ampliam o risco para mães e bebês, e deixam famílias em alerta constante.
As histórias de quem está grávida mostram medo, adaptações improvisadas e esforço das equipes médicas para manter cuidados essenciais, conforme informação divulgada pelo g1.
Rotina doméstica e alimentação comprometida
Para muitas, a vida cotidiana ficou improvisada, com geladeiras vazias e a impossibilidade de usar fogões elétricos por dias seguidos.
Indira Martínez, grávida de sete meses, conta que sua casa ficou sem eletricidade e que a família só consegue cozinhar usando um pequeno forno a lenha, improvisado pelo marido.
Ela relata, “Você precisa se levantar de madrugada, quando a energia volta, para cozinhar o que tiver”, e afirma que a alimentação oferecida muitas vezes não supre as vitaminas e proteínas necessárias para a gravidez.
A situação financeira e a interrupção do trabalho também agravam a insegurança alimentar, com famílias passando a depender apenas da renda modesta de um dos cônjuges.
Hospitais, geradores e atendimento sob pressão
Nos centros de saúde, o funcionamento depende de geradores, mas a disponibilidade de combustível é incerta, o que torna o atendimento mais vulnerável a falhas.
Uma gestante que recebeu atendimento hospitalar descreveu a equipe trabalhando contra o relógio, e disse, “Eles fizeram todo o possível por mim no hospital”, incluindo fornecimento de remédios e insulina para proteger o bebê e a placenta.
O país já registrou apagões nacionais em dias recentes, e essas interrupções tornaram o atendimento de saúde mais precário, enquanto hospitais tentam manter os serviços essenciais em condições difíceis.
Escassez, estatísticas e incerteza sobre o futuro
Segundo os números citados, estima-se que haja atualmente cerca de 32,8 mil mulheres grávidas em Cuba, um contingente que vive a crise de forma desigual, com muitas sem o apoio que outras receberam.
Além da eletricidade, há relatos de que parte da ajuda humanitária enviada ao país, como leite em pó para gestantes, não chegou a todas as gestantes, e algumas famílias afirmam não ter recebido nada.
Indira resume a angústia ao dizer, “Meu marido e eu sabíamos muito bem o que estávamos fazendo quando decidimos ter um bebê em meio a esta situação. Sabíamos que não poderíamos contar com a ajuda do governo. Somos nós contra o mundo!”
Impacto demográfico e perspectivas
A crise econômica e os cortes de serviços incidem sobre uma ilha que já enfrenta envelhecimento da população, baixa taxa de natalidade e altos índices de emigração.
Grávidas e jovens relatam perda de oportunidades, deterioração de serviços como educação e saúde, e crescem dúvidas sobre o futuro das crianças que nascerão em meio à instabilidade.
Enquanto isso, hospitais mantêm geradores, doações chegam de parceiros internacionais, e famílias seguem tentando adaptar sua rotina para garantir o parto seguro e a sobrevivência dos recém-nascidos, em um cenário marcado pela incerteza e pelo esforço cotidiano das próprias comunidades.