O candidato à Presidência pelo PL, senador Flávio Bolsonaro, trouxe a taxa básica de juros, a Selic, para o centro do debate econômico de sua campanha ao admitir, em entrevista, que “não entende tanto de economia”. A declaração foi seguida de uma pergunta direta à ex-presidente da Caixa e integrante de sua equipe econômica, Daniella Marques, sobre o ritmo de queda da Selic caso ele vença as eleições. A discussão sobre a política monetária e fiscal ganha relevância, pois a Selic impacta diretamente o custo do crédito, os investimentos e a inflação no país, afetando o dia a dia de todos os brasileiros.
Flávio Bolsonaro questionou Daniella Marques no podcast Market Makers: “Não entendo tanto de economia. Vamos supor, ganhamos a eleição. Como funciona a próxima taxa de juro com as sinalizações que vamos fazer? Ela cai rápido ou demora a cair?”. A resposta da economista aponta para uma redução acelerada, condicionada a propostas de corte de gastos que a campanha já estaria preparando.
O que você precisa saber
- Flávio Bolsonaro admitiu não ter profundo conhecimento em economia e questionou sua equipe sobre o ritmo de queda da Selic.
- Daniella Marques, de sua equipe econômica, projetou uma queda rápida da Selic em caso de vitória, atrelada a cortes de gastos.
- A campanha estaria preparando Propostas de Emenda à Constituição (PECs) e Projetos de Lei (PLs) focados em redução de despesas públicas.
- O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a Selic para 14% recentemente, a quarta queda consecutiva.
- A equipe econômica de Flávio Bolsonaro defende que a “vontade política” para aprovar reformas é mais crucial do que o conhecimento técnico do presidente em economia.
A Selic no debate eleitoral e o impacto para o bolso do brasileiro
A taxa Selic é a principal ferramenta do Banco Central para controlar a inflação. Seu valor influencia diretamente as taxas de juros de empréstimos, financiamentos e cartões de crédito, bem como a rentabilidade de investimentos em renda fixa. Quando a Selic está alta, o crédito fica mais caro, o que desestimula o consumo e o investimento, ajudando a conter a inflação. Por outro lado, uma Selic em queda barateia o crédito, incentivando a economia, mas exige cautela para não reaquecer a inflação.
No contexto eleitoral, a discussão sobre a Selic se torna um termômetro das propostas econômicas dos candidatos. Flávio Bolsonaro, ao colocar a questão, reflete uma preocupação comum dos eleitores e do mercado: qual será a política monetária e fiscal do próximo governo? A projeção de Daniella Marques de uma queda rápida da Selic, se concretizada, poderia significar financiamentos mais acessíveis para imóveis e veículos, menor custo para empresas tomarem crédito e, consequentemente, um impulso para a atividade econômica.
Proposta de cortes de gastos e a visão da equipe econômica
A resposta de Daniella Marques à pergunta de Flávio Bolsonaro foi enfática: “Cai rápido. Um pedaço do ajuste vem na curva. Cada um ponto de Selic custa R$ 90 bilhões. Se você faz um corte de 1,5 ponto, 2,5 vem do próprio ajuste da curva. O Brasil não precisa de presidente que entenda de economia, precisa de presidente que tenha vontade política de aprovar o que tem que ser aprovado no Congresso.”
Essa visão sugere que a equipe econômica do candidato aposta em uma forte política de ajuste fiscal para sinalizar ao mercado a sustentabilidade das contas públicas. A redução de gastos, segundo essa perspectiva, criaria um ambiente de maior confiança, permitindo que o Banco Central reduzisse a Selic de forma mais agressiva sem comprometer o controle inflacionário. A menção de que a campanha já prepara Propostas de Emenda à Constituição (PECs) e Projetos de Lei (PLs) para corte de gastos reforça essa estratégia, indicando um plano de ação legislativo para o caso de vitória.
O papel do Banco Central e as projeções de mercado
É fundamental lembrar que a decisão sobre a taxa Selic é de responsabilidade do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, uma instituição com autonomia operacional. Na quarta-feira anterior à declaração de Flávio, o Copom havia diminuído a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, pela quarta vez consecutiva, fixando-a em 14%. O órgão, no entanto, reforçou que continuará acompanhando o cenário para manter a “restrição adequada” nos juros, ou seja, agirá de forma cautelosa e baseada em dados.
As projeções do mercado financeiro, coletadas no relatório Focus do Banco Central, indicam uma expectativa de Selic a 13,75% no fim de 2026 e a 12% no fim de 2027. Embora essas projeções apontem para uma trajetória de queda, elas são mais graduais do que a “queda rápida” mencionada por Daniella Marques. A diferença reside na premissa: enquanto a equipe de campanha projeta uma aceleração da queda com base em suas propostas de governo, o mercado opera com um cenário mais conservador, considerando variáveis como inflação, cenário internacional e a própria execução das políticas fiscais.
A dinâmica entre política fiscal (cortes de gastos) e política monetária (Selic) é complexa. Um governo que consegue controlar seus gastos e reduzir o endividamento tende a gerar confiança, o que pode, de fato, abrir espaço para o Banco Central diminuir os juros sem medo de desequilibrar a economia. Contudo, a velocidade e a magnitude dessa queda dependem de uma série de fatores, incluindo a aprovação e implementação das reformas propostas, o cenário global e a própria reação da inflação.
Aviso: este conteúdo é informativo e não representa recomendação individual de investimento, crédito, compra, venda ou decisão financeira. Antes de tomar decisões financeiras, avalie seu perfil, seus objetivos e, se necessário, procure orientação profissional.
O debate sobre a Selic e a política econômica ganha cada vez mais destaque na corrida presidencial. As declarações de Flávio Bolsonaro e sua equipe sinalizam uma prioridade para o ajuste fiscal como meio de reduzir os juros. Resta agora acompanhar a apresentação detalhada das propostas de corte de gastos, a evolução da inflação e as futuras decisões do Copom para entender como esses fatores podem convergir ou divergir das projeções de campanha.
Fontes consultadas
- Fonte 1 informada ao ViralNews pelo sistema de curadoria automatizada
