Problemas nas urnas postergam apuração e ampliam tensão em eleição presidencial com recorde histórico de candidatos no Peru
Mais de 63 mil peruanos, incluindo moradores de Lima e registrados no exterior, não conseguiram finalizar a votação no domingo (12) devido a falhas logísticas, o que levou as autoridades eleitorais a estender a votação para segunda-feira (13). A ampliação do prazo, anunciada após o início da contagem dos votos, impede que o resultado final da eleição presidencial seja conhecido ainda neste fim de semana.
Conforme informação divulgada pelo g1, a prorrogação da votação abrange cidadãos em pontos estratégicos como Orlando e Paterson, nos Estados Unidos, locais com significativo número de peruanos aptos a votar. O voto é obrigatório para pessoas entre 18 e 70 anos, e o não comparecimento pode resultar em multa de até US$ 32 (aproximadamente R$ 160,71).
A eleição se destaca pela disputa acirrada entre 35 candidatos, número recorde na história do país andino, refletindo um cenário político fragmentado e conturbado. A demora na apuração e a diversidade dos concorrentes evidenciam o desafio para a composição do próximo governo, reforçado pela crise de segurança e corrupção que ronda o país.
Divisão e fragmentação na disputa presidencial
A contagem inicial indicava liderança da candidata Keiko Fujimori, com cerca de 15% das intenções de voto, seguida pelo humorista Carlos Álvarez com 8% e pelo ultraconservador Rafael López Aliaga, com 7%. O ex-prefeito de Lima, Ricardo Belmont, de 80 anos, aparece em situação de empate técnico com os dois últimos, evidenciando a atomização do eleitorado.
Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, busca o quarto mandato, apoiada por uma base fiel, mas limitada por um cenário de forte polarização. Já Álvarez se posiciona como outsider, mesclando ideologias de direita, esquerda e centro, com propostas controversas como a pena de morte e a retirada do Peru da Convenção Americana de Direitos Humanos. López Aliaga, representante de uma direita ultraconservadora e defensor de valores religiosos rigorosos, traz uma pauta marcadamente restritiva.
Com votos divididos entre tantos concorrentes, a previsão é de segundo turno quase certa, devido à necessidade de superar 50% dos votos para vitória no primeiro turno.
Contexto político marcado por instabilidade e desconfiança popular
O texto enfatiza um cenário de profunda crise institucional, com o Peru tendo eleito nove presidentes em uma década, incluindo sete interinos. Escândalos de corrupção foram responsáveis pela prisão de todos os presidentes eleitos neste século, e até um mandatário foi afastado após tentativa de autogolpe.
O quadro eleitoral reflete a desconfiança generalizada da população frente à classe política. A insegurança pública e os casos de corrupção dominam as preocupações dos eleitores, que muitas vezes veem os candidatos como desonestos e despreparados para o cargo. Diante disso, muitos postulantes apresentaram propostas duras, como a construção de megaprisões e o restabelecimento da pena capital para crimes graves, buscando tentar recuperar a confiança dos eleitores.
Reformas legislativas e nova dinâmica do Congresso
Além da escolha presidencial, os peruanos também votam pela primeira vez em mais de 30 anos para um Congresso bicameral, resultado de reformas recentes que ampliam o poder da nova câmara alta. Com o Congresso dividido em diversos pequenos grupos, o futuro presidente enfrentará um cenário desafiador para obter maioria parlamentar.
Mais de 27 milhões de eleitores estão registrados, sendo cerca de 1,2 milhão votantes no exterior, principalmente nos Estados Unidos e Argentina, reforçando a importância das regiões internacionais no contexto eleitoral e na extensão da votação devido aos problemas ocorridos no domingo.
