Um ex-diretor de engenharia da Meta Platforms, Arturo Bejar, testemunhou recentemente que o CEO Mark Zuckerberg foi o principal responsável por uma cultura corporativa que pode ter levado a empresa a negligenciar a segurança de crianças e adolescentes em plataformas como Facebook e Instagram. A declaração de Bejar ocorreu durante um julgamento considerado histórico nos Estados Unidos, onde uma coalizão de estados acusa a Meta de projetar suas redes sociais para promover dependência entre jovens e coletar dados de menores de 13 anos de forma ilegal.
As revelações trazem à tona um debate crucial sobre a responsabilidade das gigantes da tecnologia na proteção de seus usuários mais vulneráveis, ecoando preocupações globais, inclusive no Brasil, sobre o impacto das redes sociais na saúde mental e desenvolvimento de jovens.
O que você precisa saber
- Arturo Bejar, ex-diretor de engenharia da Meta, afirmou que Mark Zuckerberg priorizou o crescimento da empresa sobre a segurança infantil.
- O depoimento faz parte de um julgamento nos EUA onde estados acusam a Meta de criar plataformas viciantes e coletar dados de crianças ilegalmente.
- Bejar indicou que a estrutura hierárquica da Meta exigia a aprovação de Zuckerberg para mudanças significativas nos produtos, e que a segurança ficava em segundo plano.
- Ferramentas de bem-estar, como lembretes para pausas, teriam sido projetadas para falhar, não sendo ativadas por padrão e sendo fáceis de ignorar.
- A Meta é acusada de ter tecnologia para identificar menores de 13 anos, mas optou por uma política de ‘não pergunte, não conte’ por considerar financeiramente vantajoso a longo prazo.
Acusações e o Papel Central de Zuckerberg
Arturo Bejar, que trabalhou na Meta entre 2009 e 2015 e, posteriormente, em uma equipe que analisava o impacto do Instagram no bem-estar de adolescentes entre 2019 e 2021, detalhou como a liderança de Mark Zuckerberg influenciava as prioridades da empresa. Segundo Bejar, a hierarquia da Meta era tal que a aprovação do CEO era essencial para a implementação de qualquer mudança significativa nos produtos. “Se Mark prioriza algo, montanhas se movem em poucos meses”, afirmou o ex-executivo, sublinhando a influência direta de Zuckerberg nas operações.
Bejar argumentou que a Meta utilizava métricas como nível de engajamento e número de usuários ativos diários para avaliar e recompensar seus funcionários. Essa cultura, de acordo com ele, direcionava a atenção para o crescimento e a rentabilidade, relegando a segurança dos usuários a um papel secundário. A empresa, que já enfrentou críticas por questões de privacidade e desinformação, agora vê sua abordagem à segurança infantil sob um escrutínio judicial intenso.
O Julgamento Histórico e Suas Alegações
Este julgamento é considerado o maior teste judicial até o momento sobre os efeitos das redes sociais entre os jovens. Uma coalizão de estados americanos, incluindo Califórnia, Colorado, Kentucky e Nova Jersey, além de outros 25, acusa a Meta de desenvolver intencionalmente o Facebook e o Instagram de forma a incentivar o uso compulsivo por jovens. As alegações apontam que essa estratégia contribui para problemas graves como ansiedade, depressão e até pensamentos suicidas entre adolescentes.
Além das acusações de design viciante, os estados também afirmam que a Meta induziu consumidores ao erro sobre a segurança de suas plataformas e violou a legislação federal ao coletar e utilizar indevidamente dados pessoais de crianças menores de 13 anos. A Meta, por sua vez, negou as acusações, argumentando que as opiniões de Bejar extrapolam o escopo de suas funções na empresa. O julgamento, que começou na terça-feira no tribunal federal de Oakland, na Califórnia, deve durar cerca de seis semanas, com a expectativa de que o próprio Mark Zuckerberg preste depoimento.
Impacto no Bem-Estar Juvenil e Práticas da Empresa
As preocupações com a saúde mental e a segurança de adolescentes nas redes sociais não são novas, mas o depoimento de Bejar oferece uma visão interna sobre como as prioridades corporativas podem ter agravado esses problemas. O ex-executivo destacou que a Meta tinha conhecimento de casos de assédio e outros desafios enfrentados por adolescentes em suas plataformas, mas não adotou medidas suficientes. Bejar, inclusive, tornou-se um dos principais críticos das políticas de segurança da Meta para crianças, tendo deposto anteriormente diante de uma comissão do Senado dos Estados Unidos em 2023.
Um exemplo citado por Bejar foi a ferramenta criada para incentivar pausas no uso dos aplicativos, frequentemente mencionada pela Meta em sua defesa. Segundo ele, o recurso foi “projetado para falhar”, pois não vem ativado por padrão e os lembretes são fáceis de ignorar. “Tudo depende de como o tempo de desenvolvimento dos produtos é distribuído”, disse Bejar. “Nesse contexto, a segurança sempre ficou em segundo plano.” Ele também revelou que a Meta possuía tecnologia para identificar usuários suspeitos de terem menos de 13 anos e exigir verificações adicionais de idade, mas optava por uma postura de “não pergunte, não conte”, por considerar essa estratégia financeiramente vantajosa a longo prazo, visando os “usuários do futuro”.
Precedentes e o Cenário para a Meta
Este julgamento não é um caso isolado para a Meta. A empresa enfrenta milhares de processos semelhantes relacionados a supostos danos causados a crianças. Bejar já atuou como testemunha em outros três casos que chegaram a julgamento. Um deles, movido pelo estado do Novo México, resultou na imposição de US$ 942 milhões em indenizações e multas, além de uma ordem judicial determinando mudanças nas plataformas da empresa no estado.
Para o Brasil, embora o julgamento ocorra nos EUA, o desfecho pode ter implicações significativas. A crescente preocupação com a segurança digital infantil e a saúde mental de jovens nas redes sociais tem impulsionado debates e propostas de regulamentação no país. Decisões judiciais de grande impacto em outras jurisdições frequentemente servem como precedentes ou influenciam a discussão legislativa e as práticas das empresas em escala global. As famílias brasileiras, assim como as de outros países, anseiam por plataformas mais seguras e transparentes para seus filhos.
O julgamento da Meta nos EUA representa um momento crucial para a indústria de tecnologia e para a proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital. Acompanhar os desdobramentos é essencial para entender as futuras responsabilidades das empresas de redes sociais e as possíveis mudanças que podem ser implementadas para garantir um ambiente online mais seguro para todos.
Fontes consultadas
- Fonte 1 informada ao ViralNews pelo sistema de curadoria automatizada
Este conteúdo é informativo e não substitui orientação médica.