Entenda os motivos que têm levado o dólar a recuar contra o real e outras moedas ao redor do mundo
Nos últimos dias, o dólar americano recuou e fechou pela primeira vez em mais de dois anos abaixo da casa dos R$ 5 frente ao real. Esse movimento vem acontecendo em meio a um cenário global marcado por decisões geopolíticas dos Estados Unidos que geram incertezas e provocam um reposicionamento dos investidores.
Conforme informação divulgada pelo g1, a busca por alternativas de investimento fora dos EUA tem fortalecido não apenas o real, mas também outras moedas emergentes, diante da menor atratividade do dólar e do ambiente de instabilidade ligado às ações da política externa americana.
Nesta matéria, vamos explicar os principais fatores que explicam a queda do dólar em 2025 e como esse cenário reflete no mercado brasileiro e internacional.
Busca por ativos fora dos EUA e o impacto no dólar
As recentes decisões do governo americano, especialmente no âmbito da política externa, têm aumentado a insegurança dos investidores globais. Após o bloqueio do Estreito de Ormuz, determinado pelo presidente Donald Trump, a volatilidade dos mercados financeiros cresceu, fazendo com que os investidores direcionassem seus recursos para outras regiões.
Na prática, essa movimentação requer a venda de dólares para a compra de moedas locais, como o real, o que eleva a oferta da moeda americana e pressiona seu preço para baixo. Segundo o estrategista-chefe da Avenue, William Castro Alves, houve um “rearranjo de realocação do capital global que fez com que o dólar sofresse não só contra o real, mas contra diversas outras moedas”.
Cenário geopolítico e influência no mercado de commodities
O conflito no Oriente Médio também desempenha papel importante na valorização do real. Após o fracasso nas negociações entre EUA e Irã para um acordo de paz, o bloqueio ao Estreito de Ormuz elevou o alerta mundial para uma possível alta nos preços do petróleo, que já oscilam em torno dos US$ 100 o barril.
Para o Brasil, exportador líquido de commodities, esse fato é positivo, pois impulsiona a balança comercial e melhora as contas externas. O estrategista ressalta que essa posição favorável do país dentro do universo dos emergentes contribui para o fortalecimento da moeda brasileira.
Expectativas econômicas e diferencial de juros
Além do contexto externo, o ambiente interno brasileiro tem sido atraente para investidores globais. O diferencial entre a taxa básica de juros brasileira e a americana estimula a entrada de capital no país, reforçando a compra de reais e, consequentemente, a queda do dólar.
Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, destaca que apesar do dólar ter iniciado sessões em alta, o movimento perde força com a melhora gradual do humor externo, sinais de retomada de negociações internacionais e a recuperação das bolsas de valores, principalmente em Nova York.
Queda do dólar não é fenômeno recente
A tendência de desvalorização do dólar frente ao real não se concentra em 2025. No acumulado do ano, a moeda americana registrou uma queda de 11,8%, o maior recuo em quase uma década, segundo dados mencionados pelo g1. Em 2016, o dólar chegou a cair 17,8% contra a moeda brasileira.
Esse movimento é consequência da expectativa por juros mais baixos nos Estados Unidos e do aumento das incertezas políticas americanas, que têm reduzido a atratividade do dólar como ativo seguro.
Por fim, o conjunto de fatores globais e locais tem provocado um ambiente favorável para a valorização do real. Investidores que buscam diversificar riscos e buscar retornos mais estáveis têm preferido ativos brasileiros mesmo diante das oscilações do cenário internacional.