quinta-feira, setembro 3, 2026

Dentista é denunciada por interromper cirurgias para postar em redes sociais

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A cirurgiã-dentista Mariana Laranja e seu sobrinho, Nathan Laranja, foram formalmente denunciados pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES) sob acusações graves que incluem a interrupção de procedimentos cirúrgicos para a gravação de conteúdo para redes sociais, além de negligência e exercício ilegal da profissão. O caso, que envolve a realização de “mini lifting facial” em pacientes que desenvolveram infecções severas e deformidades permanentes, levanta um alerta sobre a segurança e os limites da atuação em procedimentos estéticos no Brasil.

O que você precisa saber

  • A dentista Mariana Laranja e seu sobrinho Nathan Laranja foram denunciados pelo MPES por exercício ilegal da profissão e lesões corporais graves e gravíssimas.
  • As acusações incluem a interrupção de cirurgias de “mini lifting facial” para postagens em redes sociais e a delegação de etapas críticas a pessoas sem habilitação.
  • Três vítimas relataram ter sofrido infecções graves, necroses e deformidades permanentes após os procedimentos, que eram prometidos como “simples e sem riscos”.
  • O Ministério Público solicita indenização mínima de R$ 500 mil às vítimas, além de medidas como a suspensão das atividades dos dentistas e a apreensão de seus passaportes.
  • O Conselho Regional de Odontologia do Espírito Santo (CRO-ES) já cassou o registro profissional de Mariana Laranja, mas a decisão ainda aguarda confirmação do Conselho Federal.

Práticas questionáveis em sala de cirurgia

A denúncia detalha uma série de condutas que o MPES classifica como negligentes e abusivas. Uma das pacientes relatou ter percebido, enquanto estava sob anestesia local, que a dentista Mariana Laranja pausava as incisões cirúrgicas para capturar imagens e vídeos para suas redes sociais. Durante esses momentos, a vítima permanecia com os cortes abertos na bochecha, e o procedimento era realizado ao som de música eletrônica. Outro ponto crítico é a acusação de que a etapa de sutura (costura dos tecidos) era repassada a Nathan Laranja, que, em algumas ocasiões, executava o procedimento sem utilizar touca protetora sanitária. Em um dos casos, Mariana teria se ausentado da sala cirúrgica no meio de uma operação, deixando a incisão profunda e a finalização da costura sob a responsabilidade de Nathan e de assistentes da clínica sem habilitação médica ou profissional para tal.

Os procedimentos, descritos como “mini lifting facial”, eram divulgados nas redes sociais da dentista com a promessa de serem “extremamente simples, sem riscos e com recuperação total em 15 dias”. Contudo, as promessas se transformaram em sequelas graves e permanentes para as vítimas. Além disso, o Instituto Laranja, clínica onde os procedimentos eram realizados em Vila Velha, operava com alvará sanitário vencido, adicionando mais uma irregularidade ao cenário.

Deformidades e sofrimento: os relatos das vítimas

As investigações do MPES se baseiam em depoimentos detalhados de três pacientes, cujas identidades foram preservadas. Todas foram atraídas pela forte publicidade que a dentista fazia nas redes sociais. A realidade pós-operatória, no entanto, foi drasticamente diferente das expectativas criadas:

  • Vítima 1 (60 anos): Submetida a uma cirurgia invasiva nas bochechas e no pescoço sem exames pré-operatórios adequados. Durante a operação, notou a presença de várias pessoas sem vestimentas sanitárias. No pós-operatório, sofreu com dores insuportáveis, enjoos e infecções graves com acúmulo de secreção purulenta e necrose. Precisou de tratamento particular com um cirurgião plástico para conter a infecção, que avançava perigosamente. O laudo médico-legal confirmou deformidades permanentes e incapacidade ocupacional.
  • Vítima 2: Pagou R$ 8.500 pela cirurgia e relatou a interrupção do procedimento para gravação de vídeos. No pós-operatório, uma infecção grave e necrose dos tecidos resultaram na perda de pele e um “buraco” profundo na bochecha esquerda. Sem suporte adequado da clínica, teve que arcar com tratamentos particulares e ficou incapacitada de trabalhar por mais de um mês, com deformidade permanente.
  • Vítima 3: Teve a garantia de uma cirurgia “simples e sem riscos”. Durante a operação, a dentista se ausentou, deixando os cortes e a sutura para o sobrinho e assistentes. Com o fechamento da clínica para recesso, ficou sem contato de emergência, e os pontos cirúrgicos romperam-se completamente nos dois lados do rosto, expondo tecidos internos. Necessitou de 21 sessões de tratamento com enfermagem especializada e acompanhamento com cirurgião plástico, com alto risco de sequelas estéticas e funcionais irreversíveis.

As implicações legais e a defesa dos acusados

Com base na gravidade das lesões e no sofrimento das vítimas, o Ministério Público solicitou à Justiça a condenação dos denunciados ao pagamento de, no mínimo, R$ 500 mil em indenizações. Esse valor seria dividido em R$ 200 mil para a paciente de 60 anos, R$ 200 mil para a que teve o rosto perfurado por necrose e R$ 100 mil para a que sofreu a abertura bilateral dos pontos.

Além das indenizações, o MPES pediu a suspensão imediata de qualquer atividade estética ou cirúrgica dos dois dentistas, com multa diária de R$ 50 mil por cada atendimento ou procedimento realizado. O órgão também requereu a apreensão dos passaportes da dupla e a proibição de que deixem a cidade e o país sem autorização judicial, alegando risco de fuga para o exterior, dado que os dentistas realizavam viagens frequentes e tentaram dar baixa no CNPJ da clínica.

A denúncia aponta que Mariana Barros Laranja Roeder, 44 anos, e Nathan Laranja Roeder Holz, 25 anos, cometeram crimes de exercício ilegal da profissão de forma qualificada (por visar lucro) e lesões corporais de natureza grave e gravíssima. A defesa dos investigados, no entanto, afirmou que a denúncia é uma acusação prévia e não uma sentença, e que ainda não foi aceita pela Justiça. Destacou que a peça é unilateral, elaborada sem contraditório, e que o inquérito tramita sob segredo de justiça, questionando a divulgação pública de seu conteúdo antes mesmo da comunicação oficial aos investigados. A defesa assegurou que qualquer determinação judicial será integralmente cumprida e que os profissionais permanecem à disposição da Justiça. Argumentou também que Mariana Laranja possui uma extensa trajetória profissional e acadêmica na área de harmonização orofacial, que não deveria ser desconsiderada por uma acusação.

Atuação dos conselhos profissionais

Paralelamente à ação do Ministério Público, o Conselho Regional de Odontologia (CRO) do Espírito Santo já havia cassado, em agosto, o exercício profissional da dentista Mariana Laranja. A decisão, baseada em uma nova denúncia de uma paciente que sofreu lesões graves após um ultrassom microfocado, apontou que Mariana deixou de zelar pela saúde e dignidade da paciente e negou acesso ao prontuário. Contudo, a cassação ainda não tem efeito prático, pois precisa ser confirmada pelo Conselho Federal de Odontologia (CFO). A defesa de Mariana Laranja considera a decisão “juridicamente inadmissível” e afirmou que a dentista não executou o procedimento denunciado, tendo recorrido da decisão. Segundo a defesa, a clínica e o Instituto Laranja seguem funcionando regularmente, embora o CRO tenha informado que Mariana foi notificada da cassação e tem um mês para recorrer antes que o processo seja enviado à esfera federal.

Aviso: este conteúdo é informativo e não substitui orientação médica, diagnóstico ou tratamento profissional. Em caso de sintomas, dúvidas ou emergência, procure um profissional de saúde ou serviço médico adequado.

Este caso complexo ainda está em fase inicial no sistema judiciário, com a denúncia do Ministério Público aguardando aceitação pela Justiça. O desdobramento das medidas cautelares solicitadas, como a apreensão de passaportes, e a decisão final sobre a cassação do registro profissional de Mariana Laranja pelo Conselho Federal de Odontologia, serão pontos cruciais a serem acompanhados. A situação ressalta a importância da diligência dos pacientes ao escolher profissionais para procedimentos estéticos e a necessidade de fiscalização rigorosa dos órgãos competentes para garantir a segurança e a ética na prática odontológica.

Fontes consultadas

  • Fonte 1 informada ao ViralNews pelo sistema de curadoria automatizada
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