Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, registrou uma queda impressionante de 98% nos casos de dengue em 2026, um contraste notável com a situação em Franca, que apresenta uma incidência da doença cinco vezes maior no mesmo período. Apesar da diminuição das ocorrências em Ribeirão, especialistas alertam que os índices de infestação do mosquito Aedes aegypti aumentaram, indicando que o risco de novas epidemias permanece alto e a vigilância deve ser contínua.
O que você precisa saber
- Ribeirão Preto observou uma redução de 98% nos casos de dengue em 2026, atribuída principalmente à imunidade da população após epidemias recentes.
- Franca, por sua vez, registra uma incidência da doença cinco vezes superior à de Ribeirão Preto, refletindo um histórico epidemiológico diferente.
- Apesar da queda nos casos, os índices de infestação do mosquito Aedes aegypti aumentaram em Ribeirão Preto, sinalizando um risco contínuo de surtos.
- Especialistas questionam a eficácia da atual estratégia de vacinação no SUS, que foca em adolescentes, e defendem a imunização em massa para faixas etárias de maior risco.
- Há um alerta sobre a circulação do sorotipo 3 da dengue no Brasil, que pode gerar novas ondas da doença, reforçando a importância da eliminação semanal de criadouros.
A Contradição em Ribeirão Preto: Menos Casos, Mais Mosquitos
A expressiva queda de 98% nos casos de dengue em Ribeirão Preto em 2026, em comparação com anos anteriores, é um dado que, à primeira vista, poderia sugerir um cenário de controle. Especialistas ouvidos pelo g1 relacionam essa redução à imunidade coletiva da população, que foi exposta a grandes epidemias em 2024 e 2025, principalmente pelos sorotipos 1 e 2. Segundo a diretora da Vigilância Epidemiológica de Ribeirão Preto, Luzia Márcia Romanholi Passos, muitas pessoas já foram infectadas e, portanto, estão imunes a esses sorotipos específicos, criando uma barreira natural para a transmissão.
No entanto, essa aparente vitória esconde uma preocupação crescente: o aumento dos indicadores de infestação do Aedes aegypti. Dados da Vigilância Epidemiológica mostram que em julho de 2026, o Índice de Breteau – que mede a quantidade de recipientes com larvas a cada 100 imóveis vistoriados – atingiu 2,23, quase o dobro do valor registrado no mesmo período de 2025 (1,1). O Índice Predial, que indica a proporção de imóveis com focos do mosquito, também subiu para 1,70 em julho, contra 1,39 em maio. Para os especialistas, esses números são um alerta claro de que a presença do mosquito ainda é uma ameaça latente e que a queda nos casos não significa ausência de risco.
Franca: Um Histórico Diferente e o Desafio da Incidência
Enquanto Ribeirão Preto celebra a queda, Franca enfrenta um cenário mais desafiador, com uma incidência de dengue cinco vezes maior. Essa diferença, segundo Luzia Márcia Romanholi Passos, exige cautela ao comparar as cidades, pois seus históricos epidemiológicos são distintos. Ribeirão Preto convive com grandes epidemias há décadas, o que pode ter contribuído para a imunidade de sua população. Franca, por outro lado, devido ao seu clima mais frio, demorou mais para registrar surtos de grande proporção, mas viu a doença avançar significativamente a partir de 2021, com aumento de casos graves e óbitos.
O pediatra Homero Antônio Rosa Júnior, de Franca, reforça que a ‘memória imunológica’ da população franca não é a mesma de Ribeirão Preto. A cidade teve uma ‘defasagem de tempo’ para chegar à situação atual, e a menor exposição prévia a sorotipos específicos pode explicar a maior vulnerabilidade atual. Isso ressalta a importância de estratégias de combate e prevenção adaptadas às particularidades de cada município.
O Debate sobre a Vacinação e as Ações de Combate
A vacinação contra a dengue é um tema central no debate sobre a contenção da doença. Embora seja uma ferramenta vital, especialistas como Homero Antônio Rosa Júnior argumentam que as doses aplicadas até agora pelo Sistema Único de Saúde (SUS) – destinadas a crianças e adolescentes de 10 a 14 anos – não são a principal razão para a queda expressiva de casos em 2026. O pediatra aponta que essa faixa etária apresenta baixa incidência de quadros severos e óbitos, e que a estratégia deveria ser revista para alcançar a população mais vulnerável e que mais sobrecarrega os hospitais, ou seja, pessoas acima de 30, e principalmente, acima de 60 anos.
Para Homero, a única saída a longo prazo seria a vacinação em massa, imunizando pelo menos 80% dos brasileiros, para conter o avanço do vírus e reduzir a gravidade dos casos. Paralelamente, as ações de combate ao mosquito continuam sendo fundamentais. Em Ribeirão Preto, foram vistoriados mais de 313 mil imóveis e eliminados quase 14,5 mil focos de larvas no primeiro semestre, além da coleta de toneladas de materiais que serviam de criadouros. Franca segue diretrizes nacionais com visitas domiciliares, mutirões de limpeza e campanhas educativas. No entanto, ambos os especialistas reconhecem as limitações dessas ações, especialmente a dificuldade de vistoriar todos os imóveis, o que permite a persistência do mosquito.
O Alerta para o Futuro: Sorotipo 3 e a Importância da Prevenção Contínua
Apesar da redução de casos em algumas regiões, o alerta para a dengue permanece. Especialistas mencionam a circulação do sorotipo 3 no Brasil, que pode ser uma nova ameaça. Como a imunidade adquirida protege contra sorotipos específicos, a chegada de um novo tipo pode desencadear novos surtos em populações não imunes. Com a iminente volta das chuvas no segundo semestre, a orientação é manter a eliminação semanal de criadouros dentro de casa, um hábito que, segundo Luzia Márcia Romanholi Passos, deve ser uma prática contínua e não esporádica.
A situação da dengue no interior de São Paulo revela uma complexidade que exige abordagens multifacetadas. A queda de casos em Ribeirão Preto, embora positiva, não anula o risco imposto pelo aumento da infestação do mosquito. A alta incidência em Franca, por sua vez, mostra a necessidade de estratégias adaptadas ao histórico de cada localidade. O debate sobre a vacinação e a urgência da imunização em massa para as faixas etárias de maior risco, somados às ações contínuas de combate ao vetor, são cruciais para enfrentar o desafio da dengue no Brasil.
Aviso: este conteúdo é informativo e não substitui orientação médica, diagnóstico ou tratamento profissional. Em caso de sintomas, dúvidas ou emergência, procure um profissional de saúde ou serviço médico adequado.
Fontes consultadas
- Fonte 1 informada ao ViralNews pelo sistema de curadoria automatizada
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