quarta-feira, outubro 21, 2026

Data center de IA na Amazônia é investigado por risco climático

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O primeiro data center de inteligência artificial (IA) planejado para a Amazônia, localizado em Belém, no Pará, tornou-se alvo de um inquérito do Ministério Público do Estado (MPPA). A investigação busca esclarecer o potencial impacto ambiental do projeto, batizado de BEL1, incluindo o risco de criar “ilhas de calor” na região, e questiona a falta de consultas públicas com comunidades ribeirinhas e moradores de bairros vizinhos ao empreendimento.

Com um investimento previsto de R$ 250 milhões e operações programadas para iniciar em 2027, o BEL1 representa um marco na expansão da infraestrutura tecnológica no Brasil, especialmente no contexto do avanço da IA. No entanto, sua localização estratégica na Amazônia, uma área de alta sensibilidade ambiental, levanta preocupações significativas sobre a sustentabilidade e a adequação das regulamentações existentes.

O que você precisa saber

  • Inquérito do MPPA: O Ministério Público do Pará investiga o projeto BEL1 devido a potenciais riscos ambientais e sociais.
  • Risco de “Ilhas de Calor”: Há preocupação de que a dissipação de calor pelo data center eleve a temperatura local, agravando o clima já quente da Amazônia.
  • Estudo de Cambridge: Pesquisa da Universidade de Cambridge sugere que data centers podem elevar a temperatura média da superfície em até 2°C, com picos de 9,1°C.
  • Falta de Consulta Pública: O MPPA também apura a ausência de diálogo com comunidades ribeirinhas e moradores próximos ao local do empreendimento.
  • Defesa da Empresa: A Elea Data Centers, responsável pelo projeto, afirma que usará sistemas de ar-condicionado e que estudos de impacto térmico mais profundos seriam feitos apenas para fases futuras de maior potência.

O Projeto BEL1 e o Contexto Amazônico

O empreendimento BEL1, da Elea Data Centers, prevê uma capacidade inicial de 7,5 megawatts, energia suficiente para abastecer mais de 22,5 mil residências. Este volume de energia é indicativo da alta demanda de processamento de dados que a inteligência artificial exige, resultando em uma considerável dissipação de calor.

A escolha de Belém para sediar o primeiro data center de IA na Amazônia reflete a crescente busca por infraestrutura tecnológica em diversas regiões do país. Contudo, a Amazônia possui características climáticas e ecossistêmicas únicas, que a tornam particularmente vulnerável a alterações. A região já enfrenta sensações térmicas que frequentemente superam os 34ºC, e a adição de fontes de calor pode ter um impacto desproporcional.

A chegada de grandes projetos tecnológicos como este em áreas de alta biodiversidade e comunidades tradicionais exige uma análise rigorosa de seus efeitos a longo prazo, não apenas no clima, mas também no modo de vida das populações locais.

O Risco das “Ilhas de Calor” e a Ciência por Trás

O conceito de “ilhas de calor” refere-se a fenômenos onde áreas urbanas ou industrializadas registram temperaturas significativamente mais altas do que as áreas rurais ou naturais circundantes. Em data centers, a intensa atividade dos servidores gera uma grande quantidade de calor, que precisa ser dissipada para garantir o funcionamento adequado dos equipamentos. Essa energia é liberada no ambiente, podendo elevar a temperatura externa.

Um estudo da Universidade de Cambridge, citado pelo Ministério Público do Pará, aponta que data centers podem contribuir para um aumento da temperatura média da superfície terrestre em até 2°C, com picos localizados que chegam a 9,1°C. Este cenário é a base da preocupação do MPPA, que busca evitar que o BEL1 agrave as condições térmicas em Belém e arredores, uma cidade que já lida com altas temperaturas e umidade.

A elevação da temperatura, mesmo que localizada, pode ter consequências sérias para a saúde humana, o consumo de energia (com maior uso de ar-condicionado) e, potencialmente, para os ecossistemas próximos, alterando padrões de vento e umidade em uma região já sensível às mudanças climáticas.

A Resposta da Elea Data Centers e as Lacunas Regulatórias

A Elea Data Centers, empresa responsável pelo BEL1, defende que seus sistemas de resfriamento utilizarão ar-condicionado, e não água, para manter a temperatura dos equipamentos. Esta abordagem é apresentada como uma forma de mitigar o impacto ambiental em relação ao consumo hídrico, um recurso precioso na região.

No entanto, a empresa também informou que estudos de impacto térmico mais aprofundados seriam realizados apenas para a fase de 100 megawatts do projeto, que ainda não tem data para sair do papel. Essa declaração levanta questões sobre a adequação das avaliações ambientais para a fase inicial do empreendimento, que, embora menor, já possui uma capacidade energética considerável.

A investigação do MPPA também destaca a ausência de regras claras para a instalação de data centers de IA e a falta de consultas públicas com as comunidades. A participação e o consentimento das populações afetadas são pilares da governança ambiental e social, especialmente em projetos que podem gerar impactos diretos no cotidiano e no ambiente de vida dessas pessoas. A omissão de tais consultas pode gerar conflitos e desconfiança, além de comprometer a legitimidade do projeto perante a sociedade.

Implicações para o Futuro da Infraestrutura de IA no Brasil

A situação do BEL1 em Belém sublinha um desafio crescente para o Brasil: como equilibrar o avanço tecnológico e a demanda por infraestrutura de inteligência artificial com a necessidade premente de preservação ambiental e justiça social. A expansão de data centers é crucial para o desenvolvimento digital, mas precisa ser acompanhada de regulamentações robustas e avaliações de impacto que considerem as especificidades de cada bioma.

Este caso pode servir como um precedente para a criação de diretrizes mais claras e abrangentes para a instalação de infraestruturas de alta demanda energética em regiões ecologicamente sensíveis. O inquérito do MPPA demonstra a importância da fiscalização e da atuação dos órgãos de controle para garantir que o desenvolvimento tecnológico ocorra de forma responsável e sustentável, minimizando riscos e promovendo o diálogo com as comunidades.

O desfecho desta investigação será fundamental para definir os padrões de licenciamento e operação de futuros projetos de IA e tecnologia na Amazônia e em outras áreas de valor ambiental no país, reforçando a necessidade de uma abordagem integrada que considere tanto o progresso tecnológico quanto a proteção do clima e o bem-estar das populações.

Fontes consultadas

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Equipe ViralNews
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