sábado, abril 18, 2026

Conflito no Oriente Médio eleva incertezas e limita espaço para cortes da Selic no Brasil em meio à alta da inflação global

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Oriente Médio provoca oscilações nos preços globais e desafia margem para queda da Selic no Brasil, segundo especialistas econômicos

O conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã no Oriente Médio tem aumentado a pressão sobre a inflação global e afetado diretamente o cenário econômico brasileiro. As tensões têm provocado alta nos preços da energia e gerado incertezas que impedem um corte mais amplo da taxa Selic pelo Banco Central.

Apesar do atual patamar elevado dos juros, que, segundo o diretor do BC, ainda possui espaço para cortes, o choque inflacionário decorrente do conflito pode limitar essa margem de manobra. O Banco Central já adotou redução de 0,25 ponto percentual em março, fixando a Selic em 14,75% ao ano, mas mantém a cautela diante do cenário externo desfavorável.

Conforme informação divulgada pelo g1, o diretor do Banco Central destacou que a inflação pode sofrer efeitos de segunda ordem provocados pelo aumento no custo dos combustíveis e da energia, impactando a política monetária brasileira nos próximos meses.

Espaço limitado para cortes na Selic diante dos choques inflacionários

Em evento promovido pelo Bradesco BBI, o diretor do Banco Central afirmou que o atual nível da Selic tem mais “gordura” do que o observado há seis meses, o que em tese permitiria cortes adicionais sem perder o controle da inflação. No entanto, o conflito no Oriente Médio potencializa choques de preços que podem reduzir essa margem.

Segundo ele, “Esse conflito atua no sentido oposto, pois provoca um choque relevante de preços, com chances reais de gerar efeitos de segunda ordem”. O BC, portanto, não pode baixar a guarda e precisa manter a taxa em patamar restritivo para conter o avanço dos preços.

Além disso, a recente piora nas expectativas de inflação para 2027 e 2028 aponta para a percepção equivocada de que o Banco Central não atuará para conter novas pressões inflacionárias. O diretor rebate e afirma que “O Banco Central vai buscar a meta”.

Efeitos do conflito no câmbio brasileiro e na volatilidade

O avanço do dólar em relação ao real desde o início da guerra no Oriente Médio também foi tema do pronunciamento. Embora tenha havido desvalorização do real, segundo o diretor, esse movimento “não foi tão diferente” do que ocorreu em outras moedas de países emergentes.

Ele ressaltou que o Brasil já enfrentou oscilações cambiais ainda maiores, como na transição entre 2024 e 2025, quando o dólar à vista superou R$ 6,20. O panorama inclui o fortalecimento do dólar no mercado externo e o aumento da incerteza sobre a inflação local.

O diretor ainda explicou que a volatilidade cambial dificulta o processo de retornar a inflação à meta estabelecida e que as intervenções do Banco Central buscam evitar maiores oscilações, reduzindo o impacto negativo sobre a economia.

Perspectivas e desafios para a política monetária brasileira

O cenário global de tensões e preços elevados impõe desafios à condução da política monetária no Brasil. O Banco Central precisa equilibrar a necessidade de conter a inflação e a urgência de evitar o aperto excessivo que poderia prejudicar a retomada econômica.

Com o aumento dos preços de energia — um dos principais impactos do conflito no Oriente Médio — o BC deve manter postura cautelosa e considerar as pressões externas que limitam a capacidade de baixar a Selic.

Em suma, o conflito internacional reforça a necessidade de vigilância e ação firme do Banco Central para garantir a estabilidade dos preços e preservar o poder de compra dos brasileiros nos próximos anos.

Equipe ViralNews
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