Descubra os requisitos legais, investimentos e cuidados para criar pacas, um roedor valorizado pela carne suculenta e mercado crescente
A criação de pacas para a produção comercial de carne tem ganhado espaço entre produtores rurais que desejam diversificar suas atividades. Esse roedor nativo do continente americano é parente da capivara e da cutia, e sua carne é valorizada pelo sabor e textura diferenciados.
Conforme informação divulgada pelo g1, o processo para abrir um criadouro envolve a obtenção de autorização ambiental, investimento considerável em infraestrutura e manejo técnico detalhado. O texto a seguir explica os principais aspectos para quem quer iniciar esse negócio.
Leia também como as exigências e peculiaridades da criação garantem a sustentabilidade e o retorno econômico esperado no mercado.
Autorização ambiental e aquisição dos animais
Por ser um animal da fauna silvestre, a criação comercial de pacas exige a obtenção de uma licença ambiental oficial. Em estados como Minas Gerais, o órgão responsável é o Instituto Estadual de Florestas (IEF), que exige um projeto técnico assinado por profissional habilitado, como biólogo, zootecnista ou veterinário. O prazo para aprovação pode chegar a um ano.
É indispensável que os animais sejam adquiridos somente de criadores autorizados, pois a captura dessas espécies na natureza é proibida. Essa medida é fundamental para garantir a preservação da fauna nativa e a legislação ambiental vigentes.
Investimento inicial e infraestrutura para criação
O custo estimado para montar uma criação com 15 matrizes é de cerca de R$ 60 mil, contando instalações, assessoria técnica e compra dos animais. Para projetos maiores, os gastos podem alcançar até R$ 400 mil, especialmente quando há necessidade de galpões estruturados.
As instalações precisam contemplar baias com cerca de 30 metros quadrados, abrigando até oito pacas por unidade. Para o bem-estar dos animais, é essencial a instalação de mini piscinas com limpeza diária, que auxiliam na regulação da temperatura corporal e no comportamento social.
Além disso, cada recinto deve conter caixas-ninho com duas saídas para simular tocas naturais e galhos que favoreçam a roedura, já que os dentes das pacas crescem continuamente. Todos esses cuidados são cruciais para manter a saúde e o conforto dos animais, influenciando diretamente no sucesso da criação.
Manejo alimentar e sanitário para rentabilidade
A dieta da paca é mista, com consumo diário em torno de 1 kg. A alimentação inclui alimentos in natura — como frutas, legumes, tubérculos e verduras, que devem ser oferecidos com moderação para evitar problemas digestivos — e parte seca, composta por farelos de milho, trigo e soja. Os grãos de milho são fornecidos separadamente para auxiliar no desgaste dos dentes.
Quanto ao manejo sanitário, a vermifugação a cada três meses é recomendada para prevenir doenças intestinais e garantir o peso ideal para o abate. As pacas vivem em grupos familiares, geralmente com duas fêmeas para cada macho, sendo necessário um processo gradual de adaptação ao cheiro para evitar conflitos na introdução de novos animais.
Ciclo produtivo, mercado e valor gastronômico da carne de paca
A reprodução das pacas é considerada lenta, pois a gestação dura até quatro meses e normalmente ocorre o nascimento de apenas um filhote por cria. O desmame acontece com três meses, seguido pelas fases de recria e engorda, que se estendem até o animal atingir entre 7 e 9 kg, peso ideal para o abate, geralmente aos 12 meses.
Um controle rigoroso do plantel é exigido, com a aplicação obrigatória de microchip para identificação individual dos animais. No mercado, a carne de paca é valorizada pela maciez e suculência, com sabor levemente adocicado semelhante à carne suína, podendo ser preparada com marinadas de alho, limão e especiarias para realçar o paladar.
Clientes potenciais podem ser frigoríficos, que pagam cerca de R$ 100 por quilo do animal vivo, embora a escala produtiva determine a viabilidade. A venda de reprodutores também é uma fonte lucrativa, com preços entre R$ 2.500 e R$ 3.000 por matriz vendida para outros criadores.
Por fim, antes de investir, especialistas recomendam estudar profundamente o mercado local e buscar potenciais compradores, etapa fundamental para garantir o retorno financeiro e a sustentabilidade do negócio.
