Bloqueio naval iniciado pelos Estados Unidos no Estreito de Ormuz intensifica a guerra no Oriente Médio e causa disparada nos preços do petróleo
Conforme informação divulgada pelo g1, a tensão no Oriente Médio escalou novamente nesta segunda-feira, 13 de abril de 2026, com o início do bloqueio naval americano ao Irã, previsto para as 11h no horário de Brasília. A medida, anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ocorre após o fracasso das negociações de paz durante o fim de semana e já impacta os mercados globais, com o preço do petróleo Brent ultrapassando os US$ 100 por barril, um aumento superior a 7%.
O estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte de cerca de 20% do petróleo mundial, tornou-se o epicentro da crise, pois conecta importantes produtores do Golfo Pérsico a mercados da Ásia, Europa e América do Norte. A ação dos EUA visa bloquear navios que entram e saem dos portos iranianos, enquanto o Irã ameaça responder severamente a qualquer violação militar em suas águas.
Este artigo detalha os desdobramentos do bloqueio naval dos EUA, as reações de Teerã, o impacto no fluxo marítimo e as implicações para o mercado de energia e a geopolítica global.
Início do bloqueio naval americano e sua dimensão
As Forças Armadas dos EUA iniciaram o bloqueio aos portos iranianos para impedir a passagem de embarcações que, segundo o presidente Donald Trump, tenham pago um pedágio ao Irã para transitar pelo estreito de Ormuz. Trump declarou nas redes sociais que “instruiu a Marinha a procurar e interceptar toda embarcação em águas internacionais que tenha pago esse pedágio ilegal”, ressaltando que qualquer ataque iraniano contra forças americanas ou navios pacíficos será respondido com força extrema.
O Comando Central dos Estados Unidos, Centcom, reforçou que o bloqueio será direcionado apenas a navios com destino ou partida de portos iranianos, não afetando embarcações que navegam entre outros países na região. Esse movimento segue após o Irã manter um bloqueio seletivo na região desde o início do conflito, apenas liberando a passagem para países aliados ou para quem paga o pedágio estimado em cerca de US$ 2 milhões.
Reação do Irã e riscos de escalada militar
Em resposta imediata, as Forças Navais do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) do Irã alertaram que qualquer embarcação militar que se aproximar do estreito será considerada em violação do cessar-fogo e será “tratada severamente”. O Irã também afirmou que o estreito permanece aberto para o trânsito inocente de navios não militares, regulamentado sob suas normas, contestando as acusações americanas.
O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, líder da delegação que participou das negociações no Paquistão, comunicou que os Estados Unidos ainda não conquistaram a confiança do Irã e que o país não cedera a ameaças, ressaltando a continuidade dos esforços iranianos para fortalecer sua defesa nacional.
Impactos no mercado global de petróleo e na economia
A ação militar americana teve efeito imediato nos preços globais do petróleo. O barril do tipo Brent ultrapassou os US$ 100, registrando uma alta superior a 7%, refletindo preocupações reais com o fornecimento mundial de energia caso o bloqueio naval se prolongue ou seja intensificado.
O estreito de Ormuz é uma das rotas energéticas mais vitais do mundo e conduz não só petróleo, mas também gás natural liquefeito e insumos agrícolas essenciais, influenciando cadeias produtivas globais. Segundo dados do Joint Maritime Information Centre, antes do conflito, cerca de 130 navios atravessavam a região diariamente; desde o início da guerra, esse número caiu para cinco ou seis, uma redução de 95%, gerando impactos significativos no abastecimento e nos preços internacionais.
Divergências nas negociações e perspectivas futuras
Donald Trump afirmou que as negociações de paz, mediadas pelo vice-presidente americano J.D. Vance em Islamabad, foram produtivas em diversos pontos, porém o principal tema das ambições nucleares iranianas não foi resolvido. Segundo o presidente, “o Irã não está disposto a renunciar às suas ambições nucleares”, mas ele prevê que os iranianos retornarão à mesa de negociações para aceitar as condições americanas.
Entretanto, do lado iraniano há forte ceticismo. Ghalibaf afirmou que o momento é de decidir se os EUA podem merecer a confiança iraniana, dado o histórico de conflitos e a postura ameaçadora dos Estados Unidos. A expectativa é de que a crise no estreito de Ormuz e o impasse nas negociações mantenham a região em alerta máximo, com elevadas consequências para a estabilidade regional e global.
