Balança comercial tem superávit reduzido em março, marcando o pior desempenho no mês em seis anos
Em março de 2026, a balança comercial brasileira apresentou um superávit de US$ 6,4 bilhões, o menor valor para o mês desde 2020, conforme informação divulgada pelo g1 com base no Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Esse resultado representa uma queda de 17,2% em relação a março do ano passado, quando o saldo positivo foi de US$ 7,73 bilhões.
A desaceleração no superávit está ligada à queda nas exportações e ao aumento das importações durante o mês. As vendas externas recuaram 5% na média diária, totalizando US$ 31,6 bilhões, enquanto as importações cresceram 3,7%, chegando a US$ 25,2 bilhões.
No acumulado do primeiro trimestre de 2026, o saldo comercial somou US$ 14,17 bilhões, avanço de 47,6% em comparação ao mesmo período de 2025, quando ficou em US$ 9,6 bilhões.
Impactos das variações nas exportações e importações de março
A redução nas exportações observada em março está relacionada a movimentos diferenciados entre os principais produtos vendidos pelo Brasil ao exterior. Produtos agrícolas, petróleo e minérios continuam sendo os destaques, porém com oscilações importantes.
A soja, principal produto agrícola, teve aumento de 4,3%, atingindo US$ 5,91 bilhões. Já o óleo bruto de petróleo exportado teve um crescimento expressivo de 70,4%, somando US$ 4,77 bilhões. Por outro lado, o minério de ferro caiu 1,4%, totalizando US$ 2 bilhões, e o café não torrado registrou queda significativa de 30,5%, com US$ 998 milhões exportados.
A carne bovina e os óleos combustíveis impulsionaram o desempenho com altas de 29% e 30%, respectivamente, com valores de US$ 1,36 bilhão e US$ 1,17 bilhão em exportações.
Principais destinos das exportações brasileiras em março de 2026
Os principais parceiros comerciais do Brasil também registraram variações diferentes no volume de compras no mês. A China destacou-se com alta de 17,8%, totalizando US$ 10,49 bilhões em importações brasileiras.
A União Europeia aumentou suas compras em 7,3%, alcançando US$ 4,11 bilhões, enquanto os Estados Unidos reduziram em 9,1%, somando US$ 2,89 bilhões. O Mercosul caiu 3,2%, e o ASEAN teve alta de 3,2%, chegando a US$ 1,9 bilhão. A África cresceu 27,9% em compras, atingindo US$ 1,47 bilhão, e México subiu 27,7%, para US$ 730 milhões.
Perspectivas e contexto do saldo comercial no primeiro trimestre
Apesar do desempenho menos favorável em março, o saldo positivo acumulado nos primeiros três meses do ano demonstra uma recuperação expressiva, refletindo um cenário de exportações crescendo 7,1% pela média diária em relação ao mesmo período do ano passado, totalizando US$ 82,33 bilhões.
As importações também cresceram, embora de forma mais contida, com alta de 1,3% e um total de US$ 68,16 bilhões no trimestre. Essa combinação indica que o comércio exterior brasileiro tem enfrentado desafios, como a retração na demanda internacional e alterações na dinâmica dos mercados parceiros.
Os dados apresentados reforçam a importância da diversificação dos produtos e mercados para garantir estabilidade ao superávit comercial no Brasil.
