sábado, setembro 5, 2026

Azzas 2154 se desfaz em menos de 2 anos, redefinindo o varejo de moda no Brasil

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A Azzas 2154, conglomerado que reuniu algumas das maiores marcas de moda do Brasil, como Farm, Hering, Animale e Schutz, anunciou formalmente sua cisão nesta quarta-feira (2), menos de dois anos após sua formação. A decisão encerra uma fase conturbada para a empresa, que foi palco de intensas disputas entre seus fundadores e registrou uma significativa queda em seus resultados financeiros.

A separação marca o retorno das operações independentes da Arezzo&Co e do Grupo Soma, as duas companhias que deram origem à Azzas 2154 em 2024. Este movimento reflete a dificuldade em conciliar visões estratégicas e modelos de gestão distintos, apesar da promessa inicial de criar uma potência no varejo nacional.

O que você precisa saber

  • A Azzas 2154, fusão entre Arezzo&Co e Grupo Soma, formalizou sua cisão em 2 de agosto, menos de dois anos após sua criação.
  • A separação resultará na Arezzo&Co, liderada por Alexandre Birman, e no Grupo Soma, sob comando de Roberto Luiz Jatahy, operando de forma independente.
  • Ambas as empresas deverão ser novamente listadas no Novo Mercado da B3, com estruturas próprias de administração e governança.
  • Divergências entre os acionistas, uma série de mudanças no alto escalão e uma ação judicial entre os fundadores foram fatores decisivos para a cisão.
  • A companhia registrou quedas expressivas no lucro líquido nos últimos trimestres, o que também contribuiu para a decisão.

A breve trajetória da Azzas 2154 e a volta às origens

A união entre a Arezzo&Co e o Grupo Soma, anunciada em 2024, foi celebrada pelo mercado como um marco no varejo de moda brasileiro. A proposta era criar uma gigante com mais de 30 marcas, cerca de 2 mil lojas e um faturamento conjunto estimado em R$ 12 bilhões, combinando a força da Arezzo&Co em calçados e acessórios (Arezzo, Schutz, Reserva) com o domínio do Grupo Soma no vestuário (Farm, Animale, Hering).

No entanto, o comunicado conjunto de Roberto Luiz Jatahy e Alexandre Birman, enviado ao mercado, aponta que a cisão permitirá que cada companhia opere com administração separada, “com foco em seus respectivos modelos de negócios e oportunidades de mercado, além de acesso direto e independente ao mercado de capitais e a outras fontes de financiamento”. Na prática, isso significa que a visão de sinergia e integração que pautou a fusão não se concretizou da forma esperada, e a fragmentação é vista como a melhor saída para otimizar o desempenho de cada segmento.

A reorganização prevê ainda a criação de uma sociedade específica para a marca Farm e suas extensões, com participação de 57,4% da Arezzo&Co e 42,6% da SOMA. Essa estrutura sugere que a Farm, uma das marcas mais valiosas do portfólio, terá um tratamento especial na nova configuração, buscando preservar seu valor e potencial de crescimento.

Disputas internas e a “dança das cadeiras” no alto escalão

A decisão pela cisão não foi abrupta, mas sim o culminar de um período de crescentes tensões e desentendimentos entre os dois blocos de acionistas. Ao longo do último ano, a Azzas 2154 passou por uma série de mudanças em seu conselho de administração e estrutura de governança, evidenciando os impasses entre Jatahy e Birman.

A “dança das cadeiras” começou em maio de 2025, menos de um ano após a fusão, com a saída de Guilherme Benchimol, fundador da XP, do conselho. Em junho, uma reestruturação mais ampla resultou na renúncia de Pedro Parente e Anna Chaia, com a nomeação de Nicola Calicchio Neto como presidente e Marcel Sapir como vice-presidente. Outros executivos, como Rony Meisler, fundador da marca Reserva, também deixaram seus cargos, culminando com a saída do próprio Calicchio Neto um ano após assumir a presidência.

O ápice das divergências veio a público em maio deste ano, quando Roberto Luiz Jatahy entrou com um processo judicial contra Alexandre Birman, buscando barrar mudanças internas promovidas pelo então presidente da empresa. A Justiça acatou o pedido, mantendo Jatahy como responsável pelas unidades de vestuário feminino e masculino, e Birman teve seu recurso negado. O incidente expôs a fragilidade da relação entre os sócios e intensificou as especulações sobre uma eventual cisão.

Resultados financeiros aquém das expectativas

Além das turbulências na gestão, o desempenho financeiro da Azzas 2154 também contribuiu para o cenário de crise. Nos últimos trimestres, a companhia registrou uma desaceleração significativa em seus resultados, o que provavelmente adicionou pressão para uma reavaliação estratégica.

No segundo trimestre deste ano, o lucro líquido recorrente da Azzas 2154 foi de R$ 106,5 milhões, representando uma queda de 62,5% em comparação com o mesmo período de 2025. Embora este resultado tenha sido superior ao do primeiro trimestre de 2026 (quando o lucro recorrente foi de R$ 63,9 milhões), a performance geral indicava uma dificuldade em gerar o crescimento e a rentabilidade esperados após a fusão. No primeiro trimestre, o lucro líquido já havia recuado 45,7% em relação ao ano anterior, passando de R$ 117,7 milhões para os R$ 63,9 milhões mencionados.

O que muda para o mercado e os consumidores

Para o mercado financeiro, a cisão significa que investidores terão novamente a opção de apostar em empresas com perfis mais específicos: uma focada em calçados e acessórios e outra em vestuário. A expectativa é que, com gestões separadas, cada companhia possa desenvolver estratégias mais alinhadas aos seus respectivos nichos, o que pode gerar maior eficiência e, consequentemente, melhores resultados a longo prazo.

Para os consumidores, o impacto direto pode ser menos perceptível no curto prazo, uma vez que as marcas continuarão existindo e operando. No entanto, a separação pode influenciar futuras coleções, campanhas de marketing e a expansão das redes de lojas, à medida que cada grupo busca consolidar sua identidade e competitividade no cenário da moda brasileira. A reestruturação da Farm, por exemplo, pode abrir portas para novas abordagens de mercado para uma das marcas mais queridas do país.

Aviso: este conteúdo é informativo e não representa recomendação individual de investimento, crédito, compra, venda ou decisão financeira. Antes de tomar decisões financeiras, avalie seu perfil, seus objetivos e, se necessário, procure orientação profissional.

Fontes consultadas

  • Fonte 1 informada ao ViralNews pelo sistema de curadoria automatizada

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Equipe ViralNews
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