quinta-feira, julho 23, 2026

Ajuste fiscal no Brasil: “no amor ou na porrada”, alerta CEO da AZ Quest

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A escalada dos gastos do governo federal no Brasil atingiu um ponto crítico, exigindo uma revisão que, segundo Walter Maciel, CEO da AZ Quest, será “no amor ou na porrada”. A declaração foi feita durante um painel sobre o futuro dos mercados na Expert XP 2026, evento que reúne especialistas para debater os rumos da economia.

A análise de Maciel, Daniel Dupont (Kapitalo) e Bruno Marques (XP Asset Management) sublinha a necessidade de o Brasil enfrentar seu desequilíbrio fiscal em um contexto internacional desafiador, marcado por elevados gastos nos Estados Unidos e a desaceleração econômica da China. Esses fatores globais exercem pressão sobre as taxas de juros e o controle da inflação, com reflexos diretos na vida do brasileiro.

O que você precisa saber

  • O CEO da AZ Quest, Walter Maciel, afirma que o Brasil precisa de um ajuste fiscal de 3,5% a 4,5% do PIB para estabilizar a dívida.
  • Medidas fiscais e parafiscais de R$ 200 bilhões foram adotadas para sustentar o consumo, contribuindo para o crescimento, mas também para a inflação e juros altos.
  • O Brasil enfrenta recordes de endividamento familiar (38% da renda) e recuperações judiciais, além da maior carga tributária da história.
  • O cenário internacional é adverso, com países desenvolvidos aumentando gastos, empresas de tecnologia se tornando grandes tomadoras de capital e a China em desaceleração.
  • A manutenção da atual trajetória de gastos públicos pode levar o país a uma crise econômica, com possíveis consequências severas.

O Desafio Fiscal Brasileiro e a Proposta de Solução

Apesar de dados econômicos locais mostrarem um Produto Interno Bruto (PIB) em crescimento e uma balança comercial positiva, o cenário fiscal do Brasil é preocupante. Felipe Manfredini, da XP, destacou o alto nível de endividamento e a inadimplência crescente como sinais de alerta. Bruno Marques, da XP Asset, observou que o crescimento atual do país não reflete uma melhora estrutural, mas sim o resultado de medidas de sustentação econômica que terão um custo elevado.

A relação dívida/PIB do Brasil subiu quase 10% nos últimos três anos, e os R$ 200 bilhões em pacotes fiscais e parafiscais para sustentar o consumo ajudam a explicar tanto o crescimento quanto a inflação elevada e os juros restritivos. Para Marques, seria necessário um ajuste de 3,5% a 4,5% do PIB para estabilizar a dívida.

Walter Maciel é enfático ao afirmar que a solução existe e é relativamente simples: um ajuste de 4% do PIB. Ele aponta que as renúncias fiscais no país chegam a 7% do PIB, indicando que há espaço para cortes sem grandes dificuldades. A implementação de um ajuste fiscal robusto, segundo Maciel, poderia gerar resultados em um ano, com juros neutros de 4% a 4,5%, um real valorizado e atração de investimentos, em um efeito comparável ao do Plano Real.

A Trajetória dos Gastos Públicos e Seus Riscos

Maciel fez um histórico dos gastos do governo federal, citando que no primeiro mandato de Lula, eles giravam em torno de 7% do PIB. No governo seguinte, subiram para 10%, patamar que a atual gestão se aproxima novamente. A pergunta “No próximo [governo], ele vai gastar quanto?” reflete a preocupação com a sustentabilidade dessa trajetória.

O especialista alerta que a continuidade da expansão dos gastos públicos sem um ajuste pode levar o Brasil a uma crise severa, inclusive com a possibilidade de impeachment ou eventos similares. A alta carga tributária, o endividamento recorde das famílias (atingindo 38% da renda) e o crescente número de recuperações judiciais são indicadores da fragilidade econômica que um descontrole fiscal pode agravar ainda mais.

O Cenário Internacional Adverso e Seus Impactos

A crise fiscal brasileira não ocorre isoladamente, mas se soma a um cenário global mais desafiador. Bruno Marques observou que, desde a pandemia, países desenvolvidos passaram a se assemelhar a emergentes, mantendo fortes estímulos fiscais que elevaram o endividamento e o consumo. Além disso, os investimentos massivos em inteligência artificial (IA) transformaram empresas de tecnologia, antes grandes poupadoras, em grandes tomadoras de capital.

Essa mudança significa que não apenas governos, mas também grandes corporações, precisam de muita dívida para se financiar. Essa demanda global por capital pressiona as taxas de juros em todo o mundo, exacerbando as pressões inflacionárias e atingindo mais duramente países com políticas fiscais vulneráveis. A XP Asset, por exemplo, está posicionada em juros nos EUA e México e comprada em dólar contra moedas de países mais frágeis, como o euro e o real.

A Desaceleração da China e Suas Consequências

Walter Maciel também destacou a desaceleração da economia chinesa como um fator internacional de grande preocupação. A China enfrenta um endividamento que alcança 350% do PIB e um crescimento real estimado em apenas 2% a 2,5%, bem abaixo dos 5% oficiais. Sinais de enfraquecimento incluem 30 meses consecutivos de deflação industrial, queda no consumo de veículos e desafios demográficos relacionados ao envelhecimento da população.

A falta de cobertura social ampla leva a população chinesa a poupar até 65% da renda, o que, somado à pressão geopolítica dos Estados Unidos (com tarifas e restrições), cria um cenário de fragilidade interna que pode culminar em uma crise financeira e fiscal no gigante asiático. Os impactos de uma crise chinesa seriam sentidos globalmente, inclusive no Brasil, um grande exportador de commodities para a China.

Aviso: este conteúdo é informativo e não representa recomendação individual de investimento, crédito, compra, venda ou decisão financeira. Antes de tomar decisões financeiras, avalie seu perfil, seus objetivos e, se necessário, procure orientação profissional.

O cenário apresentado na Expert XP 2026 desenha um futuro complexo para a economia brasileira, onde a urgência de um ajuste fiscal se torna inadiável. A escolha entre um ajuste planejado (“no amor”) ou forçado por uma crise (“na porrada”) definirá a capacidade do país de enfrentar tanto seus desafios internos quanto as turbulências do cenário global. Os próximos passos do governo em relação aos gastos públicos e à gestão da dívida serão cruciais e devem ser acompanhados de perto pelos cidadãos e pelo mercado.

Fontes consultadas

  • Fonte 1 informada ao ViralNews pelo sistema de curadoria automatizada
💡 Aviso importante: Este conteúdo é informativo e não representa recomendação individual de investimento ou decisão financeira. Consulte um profissional habilitado antes de tomar decisões financeiras.
Equipe ViralNews
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