terça-feira, outubro 27, 2026

CIO da Gama: Correr para tirar dinheiro do Brasil após eleição é erro

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Em um cenário de forte turbulência nos mercados financeiros brasileiros, logo após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que derrotou Jair Bolsonaro (PL), muitos investidores sentem o impulso de retirar seus recursos do país. Contudo, Ian Cao, CIO da Gama Investimentos, uma casa especializada em investimentos internacionais, adota uma postura surpreendente: ele desaconselha essa corrida, alertando que agir por pânico pode resultar em decisões financeiras equivocadas.

A segunda-feira pós-eleição viu o Ibovespa despencar quase 14% e o dólar atingir R$ 5,40. Embora a moeda americana tenha devolvido parte dessa alta no dia seguinte, a volatilidade acendeu um sinal de alerta para muitos. Para Cao, quem decide mover dinheiro para o exterior motivado pelo susto está fazendo um “trade” (especulação de curto prazo), e não um investimento bem planejado. A diversificação, segundo ele, deve ser construída gradualmente, como uma política estrutural, e não como uma resposta imediata a um dia de pânico.

O que você precisa saber

  • Ian Cao, CIO da Gama Investimentos, desaconselha a corrida para tirar dinheiro do Brasil em momentos de pânico pós-eleição.
  • Ações e o real apresentaram forte desvalorização após o resultado eleitoral, mas o movimento é visto como uma ‘devolução’ de expectativas anteriores.
  • Investir no exterior deve ser parte de uma estratégia de diversificação de longo prazo, não um ‘trade’ reativo à volatilidade.
  • Agir por impulso pode levar a prejuízos, como comprar dólar no pico e vender quando ele recua.
  • Uma carteira diversificada objetivamente se beneficia da descorrelação de ativos, oferecendo mais segurança e potencial de retorno.

O Perigo de Agir por Pânico e a ‘Devolução’ de Expectativas

A reação do mercado à reeleição de Lula, com a queda do Ibovespa e a alta do dólar, gerou um clima de incerteza. No entanto, Ian Cao ressalta que, em dias de grande volatilidade, a melhor atitude é ‘desligar a Bloomberg e o telefone’, pois a chance de cometer erros é de aproximadamente 90%. Ele argumenta que o mercado atual, com mecanismos como o circuit breaker, é pouco funcional para dar um parecer claro sobre o cenário.

Cao contextualiza que a atual queda da bolsa é, em grande parte, uma ‘devolução’ das expectativas otimistas que impulsionaram o Ibovespa a 210 mil pontos em agosto, quando o mercado precificava uma transição para um modelo econômico mais pró-mercado. Antes disso, em maio, a bolsa estava em 177 mil pontos, patamar ao qual retornou. Portanto, o movimento atual reflete mais um ajuste de expectativas do que uma precificação catastrófica do futuro.

Dólar: Um Ativo que Desafia Previsões

O raciocínio de Cao se estende ao dólar. Ele explica que o fluxo de capital é a variável mais importante para a moeda, influenciado pelo ‘smart money’ internacional que busca o carry trade de curtíssimo prazo, aproveitando diferenciais de juros. Contudo, a direção de médio prazo do câmbio dependerá das sinalizações do Banco Central e do Ministério da Fazenda.

O CIO da Gama Investimentos alerta que quem agiu no pânico, comprando dólar a R$ 5,60 quando ele subiu, já pode ter amargado um prejuízo ao vê-lo recuar para R$ 5,33. A imprevisibilidade do dólar é tamanha que Cao brinca: ‘o dólar é uma coisa em que até o passado é incerto. Para frente, esquece’. Isso reforça a ideia de que decisões impulsivas baseadas em movimentos de curto prazo são arriscadas.

Diversificação Estrutural: Um Escudo Contra a Volatilidade

A diversificação internacional não deve ser associada ao medo de perder dinheiro no Brasil, mas sim a uma estratégia de otimização de carteira. Cao usa o exemplo dos Estados Unidos, a economia mais dinâmica do mundo, onde mais de 20% dos investimentos estão no exterior, mesmo com o S&P 500 em máximas históricas. Isso demonstra que a diversificação é uma prática globalmente reconhecida para melhorar o desempenho de uma carteira.

Uma carteira diversificada é objetivamente melhor porque se aproveita da descorrelação dos ativos. Em um dia como o pós-eleição, enquanto NTN-B, ações e o real perdem valor, ativos no exterior, como crédito e bolsas estrangeiras, podem ignorar a eleição brasileira. Agir por pânico, comprando dólar a R$ 6 e vendendo a R$ 5,20 para ‘voltar’ ao Brasil, pode levar a uma ‘operação sanfona’ que só gera prejuízos.

A Maturação dos Mercados e a Necessidade de Proteção

A volatilidade observada no Brasil é menos comum em mercados mais maduros, como os Estados Unidos, onde o presidente tem menor impacto na política monetária e nas instituições. Nos emergentes, contudo, a política pode gerar movimentos extremos, como a explosão da bolsa argentina com a entrada de Milei e a subsequente devolução. Em crises de magnitude global, o Brasil tende a ter um ‘beta maior que um’, ou seja, apanha mais, reforçando a importância da diversificação.

A Gama Investimentos, mesmo podendo se beneficiar da migração de capital para o exterior, opta por não incentivar o pânico. A recomendação é construir uma carteira internacional aos poucos, conhecendo os produtos e a tolerância a risco. Começar com uma pequena porcentagem e aumentar gradualmente, até 40% ou mais, pode resultar em uma carteira mais resiliente e com melhor desempenho no longo prazo.

Construindo uma Carteira Global Consciente

Não existe uma ‘receita de bolo’ para a alocação no exterior, pois ela depende da tolerância a risco de cada investidor. No entanto, Ian Cao sugere que uma alocação inferior a 20% no exterior é ‘quase por definição’ errada, baseando-se em simulações históricas. A carteira pode misturar bolsa e renda fixa, replicando o perfil de risco do investidor brasileiro em ativos globais.

Atualmente, algumas classes de ativos chamam a atenção para a diversificação, como crédito privado e private equity, que apresentam boas perspectivas. Hedge funds, que geram valor descorrelacionado da bolsa, e a bolsa com gestão ativa, que diversifica além da concentração em tecnologia e IA do S&P 500, também são opções válidas. O fundamental é que a diversificação seja pensada como uma política de investimento estrutural, não como uma reação a eventos pontuais.

Aviso: este conteúdo é informativo e não representa recomendação individual de investimento, crédito, compra, venda ou decisão financeira. Antes de tomar decisões financeiras, avalie seu perfil, seus objetivos e, se necessário, procure orientação profissional.

Diante do cenário de volatilidade pós-eleitoral, a mensagem central é a de cautela e planejamento estratégico. O mercado brasileiro, embora reaja fortemente a eventos políticos, tem mecanismos de ajuste. Acompanhar as sinalizações do novo governo sobre a política fiscal e monetária será crucial para entender os próximos passos. Para o investidor, a construção de uma carteira diversificada e resiliente, feita de forma estrutural e não por impulso, permanece como a melhor defesa contra o pânico e as incertezas futuras.

Fontes consultadas

  • Fonte 1 informada ao ViralNews pelo sistema de curadoria automatizada
💡 Aviso importante: Este conteúdo é informativo e não representa recomendação individual de investimento ou decisão financeira. Consulte um profissional habilitado antes de tomar decisões financeiras.
Equipe ViralNews
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