sábado, setembro 5, 2026

Advogados Analisam Depoimento de Elizabete Arrabaça sobre Morte da Filha

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A acusada de envenenar a filha Nathália Garnica, Elizabete Arrabaça, prestou depoimento crucial à Justiça, gerando um debate intenso entre os profissionais do direito. O caso, que também envolve a morte da nora de Elizabete, Larissa Rodrigues, tem atraído a atenção pública e agora entra em uma fase decisiva, com advogados avaliando as declarações da ré e as implicações para o prosseguimento do processo.

O que você precisa saber

  • Elizabete Arrabaça, presa preventivamente desde agosto de 2025, é denunciada pela morte da filha Nathália Garnica e da nora Larissa Rodrigues, ambas por suspeita de envenenamento.
  • Em seu depoimento virtual, Elizabete declarou inocência, afirmando: “Juro por Deus que eu sou inocente, eu, mãe”, e acusou a filha mais velha, Viviane, de mentir para prejudicá-la.
  • A defesa alega fragilidade das provas, classificando as testemunhas de acusação como de “ouvir dizer” e contestando a tese de vício em jogos que motivaria interesse em herança.
  • A acusação aponta diversas contradições nas declarações de Elizabete, incluindo mentiras sobre sua situação financeira e sobre o momento da morte da filha, e menciona provas documentais e periciais robustas.
  • O processo agora segue para a fase de alegações finais. Após essa etapa, a juíza decidirá se Elizabete Arrabaça será pronunciada e levada a júri popular, um caminho que pode levar anos devido a possíveis recursos.

O Depoimento e as Alegações de Inocência

Elizabete Arrabaça, que se encontra detida na Penitenciária de Tremembé, prestou depoimento virtual à Justiça sobre a acusação de ter envenenado a filha Nathália Garnica, de 42 anos, em Pontal (SP). Durante o interrogatório, a ré reiterou sua inocência de forma veemente. “Tem muita controvérsia e eu juro por Deus que eu sou inocente, eu, mãe”, declarou.

Um ponto central do depoimento foi a acusação direta de Elizabete contra sua filha mais velha, Viviane Garnica. Segundo a ré, Viviane teria mentido e distorcido fatos em seu depoimento anterior, com a intenção de prejudicá-la. Essa alegação adiciona uma camada de complexidade às relações familiares já fragilizadas pelo trágico contexto.

A Estratégia da Defesa: Fragilidade das Provas

O advogado de defesa de Elizabete, Bruno Ribeiro, argumenta que a acusação se baseia em indícios circunstanciais, e não em provas concretas da autoria do crime. Ribeiro sustenta que o fato de Elizabete ter sido a última pessoa a estar com as vítimas em vida não é suficiente para comprovar sua culpa. A defesa também enfatiza que o bom relacionamento entre Nathália e a mãe foi confirmado pelo namorado da vítima.

Outro ponto levantado pela defesa é a natureza das testemunhas de acusação ouvidas na fase policial, que seriam “testemunhas de ouvir dizer”, ou seja, pessoas que relataram informações obtidas de terceiros, sem ter conhecimento direto dos fatos. Essa linha de argumentação busca desqualificar parte do conjunto probatório apresentado pelo Ministério Público.

A defesa também contestou a tese de que Elizabete teria um vício em jogos que justificaria um interesse na herança da filha, afirmando que ela participava apenas de jogos legalizados, como a loteria federal. Além disso, foi criticado o fato de o Ministério Público não ter questionado a ré sobre uma carta que ela havia levado ao interrogatório, alegando que o documento fugia do contexto policial.

Acusação Aponta Contradições e Provas Robustas

Em contraste com a defesa, o assistente de acusação e advogado da família Garnica, Júlio Mossin, classificou o depoimento de Elizabete como “mentiroso”. Mossin destacou diversas contradições que, segundo ele, pesam contra a ré. Uma delas diz respeito à alegação de dificuldades financeiras de Elizabete, que ela atribuiu a uma separação ocorrida há 30 anos.

O advogado da acusação argumenta que o ex-marido de Elizabete sempre cumpriu com o pagamento de pensões e que a ré recebeu diversos imóveis na partilha, os quais teria “dilapidado”. Essa divergência sobre a situação financeira busca descredibilizar a versão da acusada.

Outro ponto crucial de contradição apontado por Mossin envolve o momento da morte de Nathália. Elizabete afirmou que a filha abriu os olhos enquanto era retirada de casa pela equipe do Samu. No entanto, a acusação ressalta que o óbito de Nathália já havia sido constatado anteriormente pelo próprio Samu e por seu irmão, Luiz Antônio Garnica, que chegou ao local antes dos socorristas. Além disso, Mossin sustenta que há provas documentais e periciais “robustas” nos autos, incluindo dados de telefones celulares, que demonstrariam que Elizabete movimentou a conta bancária de Nathália após a sua morte e se apropriou de joias e do patrimônio de Viviane.

Próximos Passos e o Caminho até o Júri

Com o encerramento da audiência de instrução, a juíza responsável pelo caso converteu os debates orais em memoriais escritos. Isso significa que o Ministério Público e a defesa terão um prazo de cinco dias para apresentar suas alegações finais por escrito. Após essa etapa, a juíza proferirá a sentença de pronúncia, que decidirá se Elizabete Arrabaça será submetida a júri popular.

Caso a ré seja pronunciada, a defesa terá a prerrogativa de interpor recursos em instâncias superiores, como o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), o Superior Tribunal de Justiça (STJ) e até mesmo o Supremo Tribunal Federal (STF). O advogado João Pedro Silvestrini, especialista em direito penal que não atua no caso, avalia que essa sequência de recursos pode fazer com que o julgamento demore anos para ocorrer. Ele sugere que atrasar o júri pode ser uma estratégia da defesa para que a pressão da opinião pública diminua.

No entanto, Silvestrini alerta que as contradições no depoimento da ré e o distanciamento da família podem ser explorados pelo Ministério Público em um eventual plenário do júri. “A partir do momento que o jurado percebe que o réu está mentindo, já era. É muito difícil que ele consiga contornar a situação. Ainda mais nesse caso que a opinião pública já está contra ela”, conclui o especialista. A credibilidade de Elizabete perante os jurados será um fator determinante caso o caso chegue a essa fase.

O caso de Elizabete Arrabaça se aproxima de um ponto crucial, com a decisão sobre o júri popular. As análises dos advogados indicam que tanto a solidez das provas quanto a credibilidade do depoimento da ré serão fatores determinantes. A sociedade aguarda os próximos desdobramentos de um caso que expõe complexas relações familiares e graves acusações de envenenamento.

Aviso: este conteúdo é informativo e não substitui orientação médica, diagnóstico ou tratamento profissional. Em caso de sintomas, dúvidas ou emergência, procure um profissional de saúde ou serviço médico adequado.

Fontes consultadas

  • Fonte 1 informada ao ViralNews pelo sistema de curadoria automatizada
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