Um caso de grande repercussão em Santa Juliana, no Alto Paranaíba (MG), envolve o empresário Hélio Borges Junior, que está sob investigação após diversas denúncias de ex-funcionárias por importunação sexual e, mais recentemente, por filmar uma delas nua no banheiro da imobiliária onde trabalhavam. O empresário chegou a admitir ter escondido um celular para realizar as gravações, conforme registro policial. O caso destaca a vulnerabilidade de trabalhadores e a importância da denúncia em situações de assédio e violação de privacidade no ambiente de trabalho.
O que você precisa saber
- Pelo menos três boletins de ocorrência foram registrados contra Hélio Borges Junior por importunação sexual e gravação indevida desde 2023.
- A denúncia mais recente, de junho de 2026 (data provável erro de digitação da fonte, considerando o contexto de 2023/2024), relata que uma ex-funcionária encontrou vídeos e fotos dela nua no celular do patrão.
- O empresário admitiu à polícia ter escondido um celular no banheiro para fazer as gravações, mas negou ter divulgado as imagens ou cometido outros atos contra a funcionária.
- Denúncias anteriores, de 2023 e 2024, incluem relatos de toques sem consentimento e exposição de partes íntimas a funcionárias, algumas delas adolescentes à época.
- O caso está sob segredo de Justiça, e o Ministério Público do Trabalho (MPT) abriu um procedimento investigativo diante da gravidade dos fatos.
A descoberta das gravações e o impacto na vítima
A denúncia que trouxe o caso à tona em 2026 foi feita por uma ex-funcionária de 26 anos. Ela relatou à polícia ter encontrado fotos e vídeos dela nua no celular do ex-patrão enquanto usava o banheiro da imobiliária. A descoberta ocorreu de forma inesperada: Hélio Borges Junior havia pedido que ela usasse seu aparelho para pagar uma marmita. Ao manusear o celular, a funcionária acidentalmente acessou uma galeria de fotos e vídeos, onde se deparou com as imagens íntimas.
Assustada, a mulher fotografou a tela do celular do empresário com o próprio aparelho e deixou o local. Segundo seu relato, ela já havia percebido comportamentos estranhos do patrão e de outro funcionário, como interrupções abruptas de conversas e surpresa quando ela chegava a certos ambientes da imobiliária. A vítima também notou que Hélio acessava seu perfil pessoal no TikTok, o que aumentou suas desconfianças.
Após a descoberta, o empresário foi detido e, em depoimento, admitiu ter escondido um celular no banheiro para realizar as gravações. Ele negou, contudo, ter divulgado as imagens ou cometido outros atos. A ex-funcionária, por sua vez, relatou ter se mudado de cidade por medo e estar recebendo acompanhamento psicológico. Ela afirmou que houve uma tentativa de acordo por parte do advogado do empresário e que o pai de Hélio teria oferecido dinheiro para que ela não falasse sobre o caso, proposta que ela recusou, declarando: “Meu silêncio não se compra”.
Histórico de denúncias de importunação sexual
O caso de gravação indevida não é o único registro contra Hélio Borges Junior. Existem pelo menos outros dois boletins de ocorrência que detalham suspeitas de importunação sexual contra ex-funcionárias.
Relato de 2023: A vulnerabilidade de uma adolescente
Em 2023, uma jovem que tinha 17 anos na época e trabalhava na imobiliária denunciou ter sido importunada sexualmente pelo empresário. Segundo o relato à polícia, os episódios eram frequentes, e Hélio teria se aproveitado da vulnerabilidade da adolescente. Um dos momentos descritos pela vítima foi quando o empresário teria se sentado à sua frente com uma bermuda larga, sem cueca, de forma que suas partes íntimas ficassem expostas.
Denúncias de 2024: Toques sem consentimento
Outro registro policial, feito em 2024, reúne os relatos de duas mulheres, então com 19 e 25 anos, que também trabalhavam na imobiliária. A ocorrência foi registrada por assédio sexual e menciona estupro consumado na natureza do crime, indicando a gravidade das acusações. Ambas afirmaram ter sido tocadas pelo proprietário da imobiliária sem consentimento.
Uma das vítimas, de 19 anos, contou que, em um sábado de folga, foi chamada pelo chefe para trabalhar, com a oferta de R$ 800 para ajudar na avaliação de um imóvel. Ao final do expediente, ela relatou que o empresário tentou abusá-la, expondo seu órgão genital e tocando seus seios e nádegas sem permissão. A jovem pegou seus pertences e fugiu do local, relatando o ocorrido inicialmente ao namorado e, posteriormente, ao pai, que a acompanhou à polícia.
No mesmo boletim, a funcionária de 25 anos descreveu um episódio ocorrido em abril de 2024, quando Hélio teria se aproveitado da ausência de outras pessoas no local de trabalho para se aproximar e tocar em sua coxa e nádegas. Ela deixou o local imediatamente, mas retornou ao trabalho por medo de não receber pelo serviço e por receio de retaliações, dada a influência que considerava a família do empresário ter na cidade.
A investigação e o sigilo judicial
O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) informou que o caso está sob segredo de Justiça, o que restringe a divulgação de detalhes sobre o processo. A Polícia Civil abriu um inquérito para apurar a denúncia mais recente, de 2026, mas não houve retorno sobre a situação dos casos denunciados entre 2023 e 2024 até a última atualização da reportagem. O Ministério Público do Trabalho (MPT), embora não tivesse sido acionado inicialmente, decidiu abrir um procedimento investigativo diante da repercussão e da gravidade dos fatos. O órgão esclareceu que não há um prazo específico para o início das apurações, pois recebe denúncias de diversas violações trabalhistas.
O advogado de Hélio Borges Junior, Cássio Ernani Costa, foi procurado para se manifestar sobre as acusações, mas não obteve resposta até o momento da publicação. A ausência de manifestação da defesa mantém a apuração focada nos relatos das vítimas e nos elementos de prova coletados.
Este caso sublinha a necessidade de ambientes de trabalho seguros e o amparo legal para vítimas de assédio e violação de privacidade. A evolução das investigações e as decisões judiciais serão cruciais para determinar as responsabilidades e garantir a justiça às ex-funcionárias envolvidas.
Fontes consultadas
- Fonte 1 informada ao ViralNews pelo sistema de curadoria automatizada
