Os irmãos Joesley e Wesley Batista, por meio de seu veículo de investimentos pessoais, a Globe Investimentos, estão avançando na aquisição de 100% da Nova AVB, controladora da Avibras. A movimentação, recentemente detalhada em documentos apresentados ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), marca a entrada do grupo no estratégico e sensível setor de defesa e aeroespacial brasileiro. A operação visa não apenas dar sustentação a uma empresa em recuperação, mas também posicionar os empresários em um segmento de alta relevância para a soberania e o desenvolvimento tecnológico nacional.
O que você precisa saber
- Aquisição Estratégica: A Globe Investimentos, ligada aos irmãos Batista, busca adquirir a totalidade das ações da Nova AVB, que controla a Avibras, marcando sua entrada no setor de defesa e aeroespacial.
- Oportunidade de Reestruturação: A operação é apresentada como uma chance de reestruturar e fortalecer as atividades da Avibras no Brasil, contribuindo para a preservação de sua capacidade tecnológica e industrial.
- Crise e Recuperação: A Avibras enfrentou uma grave crise financeira, entrou em recuperação judicial em 2022 e chegou a registrar faturamento zero em 2025, conforme documentos, antes de iniciar a retomada de suas operações.
- Dependência do Cade: A aquisição ainda não foi concluída e está sob análise do Cade, órgão responsável por garantir a livre concorrência no mercado brasileiro.
- Empresa Estratégica: A Avibras é reconhecida como Empresa Estratégica de Defesa, sendo vital para o Exército Brasileiro com produtos como o sistema ASTROS e mísseis, e tem recebido atenção do governo para ampliar encomendas.
A Nova Fronteira: Defesa e Aeroespacial
A entrada dos irmãos Batista no setor de defesa nacional e aeroespacial, por meio da Avibras, representa um movimento significativo no cenário empresarial brasileiro. A Globe Investimentos, que é o veículo de investimentos pessoais dos empresários, e não a holding J&F (que controla negócios em diversos outros setores), detalhou ao Cade que a operação é uma ‘oportunidade’ de ingressar nesses mercados. A justificativa para a aquisição vai além do simples negócio, buscando ‘contribuir para a reestruturação e o fortalecimento dessas atividades no Brasil’. Este posicionamento sugere um interesse em participar ativamente da revitalização de um segmento considerado vital para a autonomia tecnológica e militar do país.
A aquisição se alinha com o objetivo declarado de dar sustentação à retomada das operações da Avibras, preservar sua capacidade tecnológica e industrial e criar condições para o crescimento da companhia nos mercados brasileiro e internacional. Joesley Batista, inclusive, já havia participado de uma captação de R$ 300 milhões que visava justamente a retomada da Avibras, demonstrando um envolvimento prévio com a superação das dificuldades da empresa.
A Recuperação da Avibras: Uma Jornada Desafiadora
A Avibras Aerospacial e Defesa, com sede em Jacareí, no interior de São Paulo, é uma empresa com histórico de inovação e relevância, mas que atravessou um período de profunda crise. Em 2022, a companhia entrou em recuperação judicial, enfrentando paralisações e uma greve de funcionários que se estendeu por mais de três anos. A complexidade da situação financeira é evidenciada pelo dado de que a indústria bélica não teve qualquer faturamento em 2025, conforme o documento apresentado ao Cade, refletindo a paralisação das atividades e a necessidade importante de capital e reestruturação.
Para viabilizar a recuperação, foi criada a Nova AVB, uma estrutura que concentrou os ativos industriais e tecnológicos da companhia, enquanto a estrutura empresarial anterior permaneceu com os passivos submetidos ao processo de recuperação judicial. A retomada das atividades da unidade da Avibras Aeroco, em Jacareí, ocorreu em maio de 2026, marcando um novo capítulo na história da empresa e abrindo caminho para a atual proposta de aquisição.
O Valor Estratégico da Avibras para o Brasil
A Avibras não é apenas uma empresa; é um ativo estratégico para a defesa nacional do Brasil. Especializada no desenvolvimento de equipamentos para os setores de defesa e aeroespacial, a companhia é responsável por produtos de alta tecnologia, como o sistema ASTROS (Artillery Saturation Rocket System), fundamental para o Exército Brasileiro. Além disso, fabrica o Míssil Tático de Cruzeiro (MTC), sistemas de defesa antiaérea e o Skyfire, um sistema de foguetes de saturação.
No setor espacial, a Avibras contribui com o desenvolvimento de motores-foguete, sistemas de propulsão e outros equipamentos que são essenciais para o programa espacial brasileiro, incluindo foguetes de treinamento utilizados nos centros de lançamento de Alcântara (MA) e da Barreira do Inferno (RN). Após a retomada de suas atividades, a Avibras Aeroco foi credenciada pelo Ministério da Defesa como Empresa Estratégica de Defesa, um reconhecimento de sua importância vital. O próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou a fábrica em Jacareí em julho, afirmando a intenção do governo de ampliar as encomendas para a empresa, reforçando o apoio estatal a essa indústria.
Próximos Passos: Aprovação do Cade e o Futuro
Apesar do anúncio da aquisição e do detalhamento da estratégia ao Cade, a mudança de controle da Avibras para os irmãos Batista ainda não foi finalizada. A operação depende da aprovação do órgão antitruste, que irá analisar os impactos na concorrência e o cumprimento das regulamentações. O valor da transação não foi divulgado publicamente, mantendo um véu de sigilo sobre os aspectos financeiros do negócio.
A Avibras informou que continuará comunicando quaisquer novos desdobramentos da operação, indicando que o processo ainda está em andamento e sujeito a análises e decisões. A aprovação do Cade será um marco crucial para determinar o futuro da Avibras sob nova gestão e para consolidar a entrada dos irmãos Batista em um dos setores mais estratégicos da economia brasileira.
A potencial aquisição da Avibras pelos irmãos Batista representa um ponto de virada para a empresa e para o setor de defesa brasileiro. Se aprovada pelo Cade, a operação pode trazer o fôlego financeiro e a gestão necessários para que a Avibras não apenas se recupere plenamente, mas também amplie sua atuação e inovação, consolidando-se como um pilar da indústria de defesa e aeroespacial do país. Os próximos passos no Cade e o desdobramento dos planos de investimento serão cruciais para o futuro dessa estratégica companhia.
Aviso: este conteúdo é informativo e não representa recomendação individual de investimento, crédito, compra, venda ou decisão financeira. Antes de tomar decisões financeiras, avalie seu perfil, seus objetivos e, se necessário, procure orientação profissional.
