quarta-feira, outubro 21, 2026

Bradesco: Lucro sobe 10º tri seguido, mas ações caem por receios com crédito

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O Bradesco (BBDC4) alcançou um marco significativo no segundo trimestre de 2026, registrando seu décimo trimestre consecutivo de alta no lucro líquido recorrente, que somou R$ 7,05 bilhões – um aumento de 16% em relação ao mesmo período do ano passado. No entanto, o mercado financeiro não compartilhou do entusiasmo dos números. As ações do banco registraram queda, refletindo a preocupação dos investidores com a deterioração de importantes indicadores de qualidade de crédito. Essa dualidade coloca o Bradesco em um momento crucial, onde a capacidade de crescimento se choca com os desafios de gestão de risco em um ambiente macroeconômico complexo.

O que você precisa saber

  • O Bradesco reportou lucro líquido recorrente de R$ 7,05 bilhões no 2º trimestre de 2026, com alta de 16% em 12 meses.
  • Foi o décimo trimestre consecutivo de crescimento do lucro, elevando o Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROAE) para 16,2%.
  • Apesar dos bons resultados financeiros, as ações BBDC4 caíram 2,22% no pregão após a divulgação.
  • A inadimplência acima de 90 dias subiu para 4,3%, e as operações classificadas como Stage 2 (risco de crédito elevado) aumentaram para 5,5% da carteira.
  • O índice de cobertura para devedores duvidosos caiu para 152%, ante 161% no trimestre anterior.

Desempenho operacional: Lucro em alta e carteira em expansão

A trajetória de recuperação operacional do Bradesco se manteve firme no segundo trimestre. O lucro de R$ 7,05 bilhões veio acompanhado de um Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROAE) de 16,2%, consolidando a rentabilidade do banco. A carteira de crédito bruta alcançou R$ 1,137 trilhão, crescendo 11,6% em 12 meses, impulsionada principalmente pelos segmentos corporativo e de pequenas e médias empresas.

A margem financeira (NII), que mede o ganho do banco com operações de crédito, avançou 15,7% na comparação anual, totalizando R$ 20,9 bilhões. Esse desempenho foi beneficiado por volumes maiores de empréstimos, spreads resilientes e uma forte contribuição da área de tesouraria. As despesas operacionais permaneceram sob controle, com crescimento de apenas 3,4% em relação ao ano anterior, contribuindo para uma melhora na eficiência geral do banco. Esses dados reforçam a percepção de que a reestruturação iniciada após a crise de crédito de 2022 continua produzindo resultados positivos.

A sombra sobre os resultados: A deterioração da qualidade do crédito

Apesar dos números robustos, o relatório do Bradesco trouxe sinais de alerta em relação à qualidade dos ativos. A inadimplência acima de 90 dias, um indicador crucial da capacidade dos clientes de honrar seus compromissos, subiu para 4,3%. Além disso, as operações classificadas como Stage 2, que representam créditos com risco de inadimplência significativamente elevado (embora ainda não em atraso superior a 90 dias), aumentaram de forma relevante, passando a representar 5,5% da carteira de crédito, contra 4,9% no trimestre anterior. Essa é uma métrica importante, pois sinaliza problemas potenciais antes que se tornem inadimplência de fato.

Em um movimento que gerou preocupação, o índice de cobertura — que indica quanto o banco tem em provisões para cada real de crédito duvidoso — caiu para 152%, ante 161% no trimestre anterior e quase 178% um ano antes. Uma queda nesse índice sugere que o banco possui um “colchão” menor para absorver eventuais perdas com calotes. As despesas de provisão para devedores duvidosos, por sua vez, cresceram mais de 22% em relação ao ano passado, refletindo a necessidade de reforçar as reservas diante do cenário de risco.

A administração do banco atribuiu parte dessa piora a fatores específicos, como exposições ligadas a programas governamentais (FGI/FGO) e operações do Banco John Deere. No entanto, analistas ponderam que o cenário para pessoas físicas e pequenas e médias empresas continua desafiador, indicando que a pressão sobre os indicadores de qualidade de crédito pode persistir nos próximos trimestres.

Mercado dividido: Entre a cautela e o otimismo dos analistas

A divulgação do balanço dividiu as opiniões dos especialistas de mercado. Instituições como XP, Goldman Sachs e JPMorgan adotaram um tom mais cauteloso, apesar de reconhecerem os avanços operacionais do Bradesco. A XP manteve sua recomendação neutra para as ações, prevendo que a pressão sobre a qualidade do crédito deve continuar. O Goldman Sachs, também com recomendação neutra, elogiou a melhora na trajetória de capital do banco (índice CET1 em 11,3%), mas expressou preocupação com a queda do índice de cobertura em um ciclo de crédito mais desafiador.

O JPMorgan classificou o trimestre como “misto”, destacando a surpresa positiva na margem financeira, mas chamando atenção para o aumento das operações em Stage 2, a piora da inadimplência e a redução da cobertura. A instituição questiona se o nível atual de reservas seria suficiente para um ambiente de crédito mais complexo.

Por outro lado, a Genial Investimentos e o Morgan Stanley apresentaram uma visão mais otimista. A Genial viu o trimestre como o “décimo consecutivo de recuperação”, elogiando a combinação de crescimento da carteira, melhora da rentabilidade e disciplina operacional. Para a corretora, o Bradesco executa uma estratégia conservadora de concessão de crédito, focando em operações com garantia e melhorando a qualidade do portfólio. O Morgan Stanley reiterou a recomendação “overweight” (exposição acima da média, equivalente à compra) para os ADRs (recibos de ações) do Bradesco, argumentando que as ações ainda negociam a múltiplos descontados em relação à rentabilidade que o banco já consegue entregar, apesar do cenário de risco.

Perspectivas para Bradesco: Equilibrando crescimento e risco

O Bradesco demonstra capacidade de gerar lucro e expandir sua carteira de crédito, o que é um sinal positivo de sua reestruturação. No entanto, a cautela do mercado se justifica pela deterioração nos indicadores de qualidade, que podem impactar os resultados futuros caso a economia não melhore ou a estratégia de concessão de crédito se mostre menos eficaz para conter as perdas. O desafio do banco será equilibrar o crescimento da carteira com a gestão de risco, especialmente em segmentos mais sensíveis como pessoas físicas e pequenas e médias empresas. Investidores devem acompanhar de perto os próximos balanços e as declarações da administração sobre as perspectivas para o ciclo de crédito e as estratégias de provisionamento.

Aviso: este conteúdo é informativo e não representa recomendação individual de investimento, crédito, compra, venda ou decisão financeira. Antes de tomar decisões financeiras, avalie seu perfil, seus objetivos e, se necessário, procure orientação profissional.

O Bradesco se encontra em um momento de teste. Os resultados positivos mostram que o banco está no caminho certo para a recuperação da rentabilidade, mas os desafios na qualidade dos ativos são inegáveis. O mercado continuará atento para verificar se a deterioração da inadimplência e da cobertura é um ajuste pontual ou um sinal de pressões mais duradouras. A capacidade do banco de manter o crescimento do lucro enquanto gerencia os riscos de crédito será crucial para determinar a confiança dos investidores nos próximos trimestres.

Fontes consultadas

  • Fonte 1 informada ao ViralNews pelo sistema de curadoria automatizada
💡 Aviso importante: Este conteúdo é informativo e não representa recomendação individual de investimento ou decisão financeira. Consulte um profissional habilitado antes de tomar decisões financeiras.
Equipe ViralNews
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