Pesquisadores da Universidade de Brasília identificam ação promissora do ômega-3 na luta contra o câncer de ovário, buscando ampliar opções terapêuticas
Um estudo recente realizado por pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) trouxe novas esperanças para o tratamento do câncer de ovário, que é o segundo tipo mais letal entre os tumores que acometem órgãos reprodutores femininos em todo o mundo. Os resultados iniciais demonstram que o ácido docosahexaenoico, conhecido como ômega-3 DHA, pode induzir a morte das células cancerígenas, sugerindo seu papel como aliado no combate à doença.
O câncer de ovário chama atenção especialmente por sua dificuldade de diagnóstico precoce, já que apresenta poucos sintomas nas fases iniciais, além de possuir alta taxa de recorrência após os tratamentos convencionais. Diante desse cenário, a busca por novas alternativas que possam complementar a quimioterapia tem sido prioritária.
Este avanço partiu de uma pesquisa direcionada a compreender o impacto da alimentação no desenvolvimento tumoral, com foco no potencial antitumoral de nutrientes acessíveis à população. A equipe responsável agora pretende avançar para testes clínicos em humanos, porém depende de financiamentos para acelerar esta etapa fundamental.
Descobertas surpreendentes com o ômega-3 DHA
Segundo a imunologista e coordenadora do laboratório responsável pelo estudo, o resultado de que o ômega-3 DHA pode promover a apoptose, ou morte programada, das células de câncer de ovário foi inesperado, mas extremamente promissor. Ela enfatiza que o estudo não visa substituir a quimioterapia, mas sim oferecer uma molécula adjuvante que potencialize os efeitos do tratamento convencional.
O trabalho, que surgiu como parte do projeto de mestrado do imunologista Gabriel Pasquarelli, revelou que o suplemento do ômega-3 DHA, facilmente encontrado em cápsulas e na alimentação, possui um efeito antitumoral importante, abrindo novas possibilidades para o manejo dessa doença.
Como o ômega-3 DHA atua e onde encontrá-lo
O ômega-3 DHA é um ácido graxo presente em peixes de águas frias, como salmão, sardinha e atum, além de estar disponível em óleos e sementes oleaginosas, bem como em suplementos alimentares. O estudo aponta seu uso não apenas como prevenção, mas também como complemento aos tratamentos já estabelecidos para diversos tipos de câncer, incluindo o de ovário.
No laboratório, a fase pré-clínica envolve a aplicação da molécula em camundongos que receberam células cancerígenas, com resultados que apoiam a eficácia antitumoral da substância.
Próximos passos e desafios para a pesquisa avançar
Apesar do entusiasmo com os achados, os pesquisadores destacam que o estudo ainda está em uma fase inicial. A próxima etapa será realizar testes clínicos em mulheres que estão em tratamento quimioterápico para câncer de ovário. Para isso, a equipe depende de recursos financeiros que possibilitem a condução do estudo com segurança e eficiência.
A coordenadora do laboratório enfatiza que estão buscando parceiros para viabilizar este financiamento, fundamental para confirmar o impacto protetor do ômega-3 DHA em humanos e, quem sabe, implementar seu uso como parte dos protocolos terapêuticos convencionais no futuro.
Essa iniciativa representa um passo importante na busca por tratamentos mais eficazes e acessíveis, oferecendo novas perspectivas para pacientes que enfrentam um dos cânceres femininos mais desafiadores.
