sábado, abril 18, 2026

Guerra no Irã Pode Desestabilizar o Agronegócio Brasileiro com Impactos nos Fertilizantes e Preços de Alimentos

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O risco da guerra no Irã para a cadeia produtiva do agronegócio, que depende de fertilizantes importados para manter a produção em grandes proporções

A guerra envolvendo o Irã gera um impacto preocupante para o Brasil, um dos maiores exportadores mundiais de alimentos, mas que depende quase que integralmente da importação de fertilizantes para manter sua produção agrícola. A ameaça à navegação no estreito de Ormuz e os ataques na infraestrutura petroquímica iraniana, responsáveis pela produção da ureia, um fertilizante fundamental, expõem o setor a graves dificuldades econômicas e operacionais.

O risco de desabastecimento e elevação nos preços dos fertilizantes reverbera até os consumidores finais, que podem enfrentar alta nos preços do frango, ovos e carne bovina nos próximos meses. Além disso, a inflação dos alimentos no Brasil já apresenta sinais de crescimento acelerado, ampliando a preocupação com o cenário futuro.

Conforme informação divulgada pelo G1, o agronegócio brasileiro está diante de um desafio estratégico no horizonte diante do conflito no Oriente Médio, que pode desorganizar o fornecimento e pressionar toda a cadeia produtiva agropecuária brasileira.

Dependência de fertilizantes e impacto direto da guerra no Irã

O Brasil sustenta cerca de 30% do PIB pela agricultura, mas importa mais de 90% dos fertilizantes consumidos, em especial a ureia, composta nitrogenada essencial para o crescimento das lavouras em grande escala. Historicamente, o país compra grande parte dos insumos de Rússia e Irã, sendo que o último responde por aproximadamente 80% das importações brasileiras de fertilizantes oriundos do Oriente Médio.

Essa relação ganhou força nos últimos anos com o sistema barter, pelo qual produtores brasileiros enviam milho para o Irã e recebem fertilizantes como pagamento em troca. O estreito de Ormuz é uma rota vital para o transporte dessas cargas. Assim, a instabilidade militar e bloqueios nessa região afetam diretamente essa logística, com o risco de paralisar o fluxo comercial.

Atos recentes, como o ataque israelense a Mahshahr, centro petroquímico iraniano, que deixou pelo menos cinco mortos e 170 feridos, evidenciam a potencial ameaça física à produção e exportação de ureia, intensificando o cenário preocupante para o agronegócio nacional.

Consequências para o produtor rural e a cadeia alimentar

O aumento dos preços dos fertilizantes já vem comprimindo as margens dos produtores, que enfrentam crédito apertado e custos de produção crescendo. Os preços da ureia saltaram de cerca de US$ 350 para US$ 550 por tonelada nos últimos dias, enquanto os valores do milho e da soja desvalorizaram, prejudicando a capacidade do produtor de compensar os custos.

Além disso, alterações recentes na tributação elevaram encargos como PIS/Cofins e Funrural sobre fertilizantes, agravando a situação financeira. O Índice de Poder de Compra de Fertilizantes (IPCF) já demonstrava, antes do conflito, que produtores precisavam destinar mais sacas de grãos para adquirir o mesmo volume de adubo, refletindo uma redução na competitividade do setor.

Com preços altos e dificuldade de acesso, o produtor poderá reduzir o uso de tecnologia e fertilizantes, resultando em menor produtividade por hectare, o que impactaria diretamente na oferta de alimentos e nos preços pagos pelo consumidor brasileiro.

Desafios e alternativas para mitigar a crise

Para tentar suavizar o impacto do bloqueio no Golfo Pérsico, o Ministério da Agricultura abriu negociações com a Turquia, possibilitando que cargas brasileiras utilizem aquele país para trânsito e armazenamento, minimizando as restrições no estreito de Ormuz.

A Petrobras também reativou plantas para produção nacional de ureia em Sergipe, Bahia e Paraná, que devem suprir até 35% da demanda futura no Brasil. Contudo, especialistas reclamam que a dependência histórica da importação foi resultado de decisões políticas que sacrificaram a indústria nacional de fertilizantes.

O Plano Nacional de Fertilizantes, instituído em 2023, propõe reduzir essa dependência para 50% até 2050 e inclui o programa Profert, que visa incentivar a infraestrutura nacional de produção. Porém, o plano ainda depende de aprovação legislativa e ações efetivas.

Perspectivas e impacto econômico de longo prazo

Se as importações de ureia iraniana forem interrompidas, o Brasil terá que competir com países como Índia e Estados Unidos para comprar fertilizantes em mercados internacionais, impulsionando ainda mais os preços globais e a inflação interna dos alimentos.

Uma eventual abertura do mercado chinês, que tem priorizado seu consumo doméstico, pode ajudar a aliviar o déficit a partir de agosto, mas a situação permanece delicada no curto prazo. A continuidade do conflito e a instabilidade na logística podem transformar a crise em um problema estrutural, comprometendo a sustentabilidade e crescimento do agronegócio brasileiro, setor crucial para a economia do país.

Equipe ViralNews
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