sábado, abril 18, 2026

O americano que se tornou milionário vendendo terrenos na Lua e outros planetas aproveitando brechas legais do espaço

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Conheça a história de Dennis Hope, o americano que criou um negócio bilionário vendendo terrenos na Lua, Marte, Vênus e Mercúrio a partir de lacunas legais no direito espacial

Imagine ganhar dinheiro vendendo terrenos na Lua e em outros corpos celestes do Sistema Solar. Foi essa a estratégia que tornou Dennis Hope milionário a partir da década de 1980, quando se aproveitou das brechas existentes no Tratado sobre o Espaço Exterior, de 1967. Conforme informação divulgada pelo g1, Hope reivindicou propriedade sobre a Lua e outros planetas para depois subdividir esses terrenos e comercializá-los mundialmente.

Nesse artigo, você vai entender como funcionou essa ideia, quem são os compradores desses lotes espaciais, quais as controvérsias jurídicas envolvidas e um pouco do histórico de tentativas parecidas ao redor do mundo. Tudo isso mostrando a linha tênue entre inovação e o que muitos classificam como trambique.

Acompanhe a seguir os detalhes dessa história surpreendente e as opiniões de especialistas internacionalmente renomados.

Como Dennis Hope começou a vender terrenos na Lua e em outros planetas

Durante um período difícil da sua vida, Dennis Hope passou por um divórcio e enfrentava dificuldades financeiras. Foi então que ele teve a ideia inusitada de vender terrenos na Lua. Consultando o Tratado das Nações Unidas sobre o Espaço Exterior, ele percebeu que o documento impedia Estados de reivindicarem soberania extraterrestre, mas não mencionava pessoas físicas.

Interpretando essa brecha como uma oportunidade, Hope enviou uma reivindicação oficial à ONU solicitando a posse da Lua e dos planetas do sistema solar. Ele propôs subdividir esses corpos celestes e vendê-los em hectares, informando ainda que caso houvesse alguma objeção legal, que a comunicassem. Nunca recebeu qualquer resposta, abrindo caminho para seu negócio.

Desde 1995, Hope afirma que essa foi sua única atividade profissional, contabilizando vendas diárias de cerca de 1,5 mil lotes e um lucro estimado em US$ 12 milhões, equivalente a aproximadamente R$ 62 milhões hoje. Entre seus compradores, ele cita estrelas de Hollywood, ex-presidentes americanos como Ronald Reagan, Jimmy Carter e George W. Bush, além de grandes redes hoteleiras internacionais.

Os tamanhos dos lotes e a “Constituição Intergaláctica” criada por Hope

As propriedades vendidas vão desde um lote mínimo de um acre, equivalente a 0,4 hectare ou 4 mil metros quadrados, até grandes extensões chamadas de propriedades “continentais”, com 5.332.740 acres, que custam mais de 13 milhões de dólares. No entanto, segundo Hope, esses lotes continentais ainda não foram vendidos, mas já há transações volumosas entre 1,8 mil e 2 mil acres.

Para garantir uma estrutura legal para o negócio, Hope fundou a chamada “República Democrática do Governo Galáctico”, cuja Constituição foi publicada em 2004 na internet. Essa instituição afirma ter mais de 3,7 milhões de proprietários e mantém relações diplomáticas com dezenas de governos, buscando reconhecimento internacional e até ingresso no Fundo Monetário Internacional. A BBC não confirmou essas informações de forma independente.

Brechas no direito espacial e o debate sobre a legitimidade dessas propriedades

Especialistas em direito internacional, como a professora Claire Finkelstein da Universidade da Pensilvânia, afirmam categoricamente que, segundo o Tratado de 1967, a Lua e outros corpos celestes não pertencem a indivíduos, não podendo haver reivindicação legítima por pessoas físicas.

Ao mesmo tempo, pesquisadores como Ian Crawford, professor do Birbeck College de Londres, destacam que a legislação internacional é ambígua no que diz respeito a atividades comerciais privadas no espaço, como mineração de recursos. Para ele, uma atualização do Tratado sobre o Espaço Exterior é necessária para esclarecer essas questões.

Assim, a situação atual biojurídica ainda mantém a Lua como um bem comum da humanidade, sem dono individual, o que torna a iniciativa de Hope controversa, embora ele tenha conseguido extrair valor financeiro significativo dela.

Histórico de outras tentativas de “posse” da Lua e curiosidades

Antes de Dennis Hope, outras pessoas já tentaram reivindicar a propriedade da Lua, como o norte-americano Dean Lindsay em 1936 e o advogado chileno Jenaro Gajardo Vera em 1954. Este último registrou a Lua em cartório no Chile, mas revelou que foi uma brincadeira para entrar em um clube social que exigia posse de alguma propriedade.

Essas tentativas ilustram o fascínio e os questionamentos sobre a soberania de corpos celestes e reforçam a complexidade jurídica que envolve o tema. Hoje, apesar do sucesso comercial de Hope, o debate sobre a propriedade e o uso espacial permanece aberto e em constante evolução.


Fontes consultadas

  • BBC Brasil
  • Forbes
  • G1 Economia
Equipe ViralNews
Equipe ViralNewshttp://viralnews.com.br
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