Amado Batista é incluído na lista do trabalho escravo por irregularidades em fazendas de Goianápolis com funcionários em jornadas exaustivas

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Atualização da lista oficial revela que ex-empregados de Amado Batista enfrentaram jornadas de até 18 horas e ausência de estrutura nas propriedades localizadas em Goianápolis

O nome do cantor Amado Batista passou a constar na lista oficial do trabalho escravo do governo federal após fiscalização em duas fazendas localizadas na zona rural de Goianápolis. Foram encontradas 14 pessoas trabalhando em condições consideradas degradantes, com jornadas exaustivas e falta de infraestrutura mínima de convivência.

As propriedades fiscalizadas são o Sítio Esperança, destinado à criação de bovinos para produção de leite, e o Sítio Recanto da Mata, voltado para o cultivo de milho, ambas situadas em área próxima da BR-060. A defesa do artista nega o resgate dos trabalhadores e afirma que as irregularidades foram corrigidas.

Nos próximos tópicos, entenda os detalhes da denúncia, as condições encontradas pela fiscalização e a resposta da defesa sobre o caso.

Detalhes da fiscalização e condições encontradas nas fazendas

A fiscalização foi realizada entre os dias 19 e 29 de novembro de 2024 após denúncia anônima que indicava possíveis irregularidades trabalhistas na propriedade do cantor. A inspeção foi conduzida pela Polícia Civil de Goiás com apoio do Ministério do Trabalho e Emprego.

No Sítio Recanto da Mata, que é arrendado, foram identificados quatro trabalhadores submetidos a condições degradantes e jornadas diárias que chegavam a 18 horas de trabalho contínuo. Eles pernoitavam em um galpão improvisado e não tinham um espaço adequado para refeições ou repouso. Segundo relatos dos trabalhadores, não foram registrados em carteira e atrasos no pagamento foram mencionados.

Já no Sítio Esperança, onde 10 pessoas trabalhavam na criação de bovinos para leite, também foram constatadas jornadas exaustivas e falta de adequações no alojamento e áreas de convivência. A equipe de fiscalização encontrou colchões em cômodos impróprios, sem condições adequadas para descanso.

Reação da defesa e medidas adotadas pelo cantor

O advogado de Amado Batista informou que o grupo de trabalhadores encontrado nas fazendas não passou por resgate, esclarecendo que todos ainda estão empregados nas propriedades. Sobre as irregularidades, ele destacou que a fazenda do cultivo de milho foi arrendada e os quatro colaboradores trabalhavam para uma empresa terceirizada contratada para realizar a abertura da área de plantio.

Foi firmado um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público do Trabalho, no qual todas as obrigações trabalhistas foram regularizadas e os pagamentos referentes aos colaboradores integralmente quitados. A defesa afirmou que as providências administrativas seguem para encerrar quaisquer processos decorrentes das autuações.

Quanto ao Sítio Esperança, foram feitas e finalizadas correções nas moradias e áreas de convivência para garantir melhores condições aos funcionários, todos registrados formalmente e com os direitos trabalhistas devidamente pagos.

Contexto e repercussão da inclusão na lista do trabalho escravo

A inclusão do nome do artista na chamada “lista suja do trabalho escravo” representa um alerta sobre as condições precárias e ilegais em que funcionários podem estar submetidos. O documento oficial é utilizado para impedir que pessoas físicas e empresas com pendências relacionadas ao trabalho escravo contratem com órgãos públicos ou recebam crédito facilitado.

Este caso ressalta a importância das fiscalizações em propriedades rurais e o monitoramento rigoroso para evitar abusos contra trabalhadores. Além disso, reforça o desafio na aplicação da legislação trabalhista nas funções terceirizadas e arrendamentos, onde a responsabilidade pode ficar diluída.

A defesa do artista mantém que as irregularidades foram plenamente corrigidas após o episódio denunciado, destacando o compromisso com a regularidade e o respeito aos direitos dos empregados.

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