segunda-feira, abril 20, 2026

Grávidas cubanas em risco entre apagões e falta de combustível, enfrentam cortes no atendimento, fome e medo de parir às escuras em hospitais

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Mais de 32,8 mil grávidas cubanas lidam com apagões prolongados, combustível escasso e serviços de saúde pressionados, cobrando respostas do Estado e da ajuda internacional

Conforme relatos colhidos em entrevistas e visitas a hospitais, mulheres grávidas em Cuba enfrentam uma combinação de problemas que afetam a alimentação, o pré-natal e a segurança do parto.

Algumas gestantes relatam semanas de repouso, tratamentos com insulina e atenção médica dedicada, porém preocupam-se com a possibilidade de um parto durante um apagão.

Outras vivem sem energia elétrica por dias, dependem de fornos a lenha improvisados e não viram chegar a ajuda humanitária anunciada, fatores que aumentam o medo sobre o futuro de seus filhos, conforme informação divulgada pelo g1

Rotina doméstica e insegurança alimentar

Indira Martínez, que está com sete meses de gravidez, descreve situações de privação em casa, com a geladeira vazia e o forno elétrico inoperante.

Ela conta que, sem eletricidade, a família só consegue cozinhar quando a energia retorna por curtos períodos, e que, muitas vezes, as refeições “não matam minha fome maior por causa da gravidez”.

Martínez interrompeu seu trabalho em salão de beleza para não expor o bebê a produtos químicos, e sua família vive com a renda do marido, que trabalha como ferreiro.

Sua mãe, enfermeira aposentada, se preocupa com a falta de alimentos e com os níveis de estresse enfrentados pela filha no último trimestre da gestação.

Hospitais sob pressão e medo do parto às escuras

Nem todas as gestantes obtêm o mesmo nível de atendimento. Mauren Echevarría Peña, que está prestes a dar à luz, reconhece o esforço da equipe médica, “Eles fizeram todo o possível por mim no hospital”.

Echevarría relata que os médicos forneceram os medicamentos necessários, “Eles me deram os remédios e a insulina necessária para a saúde do meu bebê e da placenta”, e demonstra gratidão pela atenção recebida, mesmo com as condições difíceis.

No entanto, a preocupação comum entre as mulheres é a possibilidade de ter um parto durante um apagão, já que hospitais dispõem de geradores, mas enfrentam dificuldades para obter combustível.

As interrupções no fornecimento elétrico na ilha incluem apagões nacionais que, em semanas recentes, deixaram serviços essenciais em situação precária.

Escassez de combustível, política internacional e ajuda humanitária

O contexto que agravou a crise envolve restrições no abastecimento de combustível e pressões internacionais que afetaram o envio de petróleo à ilha.

Segundo relatos, houve redução dos envios de combustíveis a Cuba, e parceiros internacionais tiveram receio de implicações comerciais ao enviar cargas para a ilha.

Apesar de doações internacionais chegarem em caixas para maternidades, muitas gestantes afirmam não ter recebido assistência direta, e uma delas declara, “Não vi nada da ajuda humanitária enviada para Cuba”.

Futuro incerto e decisão de ter filhos na crise

Muitas mulheres avaliam o contexto econômico e social como fator decisivo sobre ter filhos, em um país com baixa taxa de natalidade, envelhecimento populacional e forte emigração.

Indira Martínez resume a angústia de quem vive esse dilema quando diz que, ao decidir ter um bebê, já sabia que não poderia contar com o apoio estatal, “Meu marido e eu sabíamos muito bem o que estávamos fazendo quando decidimos ter um bebê em meio a esta situação. Sabíamos que não poderíamos contar com a ajuda do governo. Somos nós contra o mundo!”

Ela também questiona como prometer um futuro melhor à filha, “Como vou dizer a ela que não há futuro? Porque ela não terá…”, e acrescenta o receio sobre as oportunidades, “Se dissesse isso, estaria mentindo. Ela não terá nenhuma oportunidade de crescimento aqui, nenhuma.”

O cenário descrito aponta para impactos diretos na saúde materna e neonatal, na alimentação das gestantes e na esperança de famílias que precisam decidir entre permanecer ou buscar alternativas fora da ilha.

O que acompanhar a seguir

Famílias e organizações humanitárias acompanham a disponibilidade de combustíveis para geradores hospitalares, a chegada e a distribuição de doações, e medidas governamentais que garantam assistência às grávidas cubanas.

Relatos pessoais, como os de Echevarría e Martínez, ilustram a combinação de cuidados médicos prestados sob pressão e a vivência cotidiana de insegurança, e ajudam a entender a urgência de respostas para proteger mães e recém-nascidos.

Equipe ViralNews
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