Cheias no Acre, seis municípios em emergência após transbordamentos e chuvas intensas, mobilização da Defesa Civil e pedidos de recursos federais

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Governo do Acre declarou situação de emergência por 180 dias em seis cidades, diante das cheias no Acre e de impactos a milhares de moradores

Cheias no Acre resultaram no decreto de situação de emergência em seis municípios, medida que visa acelerar respostas, articulação com a União e liberação de recursos para socorro.

A decisão foi motivada pelo aumento expressivo dos níveis de rios nas últimas semanas, com transbordamentos e áreas urbanas e rurais atingidas.

Nas próximas linhas, entenda como ficou a situação nos municípios mais afetados, os números das chuvas e o que muda com o decreto estadual.

O decreto e a coordenação das ações

O documento assinado pela governadora estabelece que a Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil será responsável por coordenar as ações de enfrentamento, em articulação com autoridades federais, estaduais e municipais.

O decreto tem validade de 180 dias e precisa ser reconhecido pelo governo federal, e permite a edição de normas complementares para as medidas de emergência.

Sobre a necessidade do ato, o coronel Carlos Batista, coordenador da Defesa Civil Estadual, afirmou, “Devido ao grande volume de chuvas nas últimas duas semanas, que elevou consideravelmente os níveis dos rios, trouxe impactos, danos e prejuízos às populações dessas áreas de risco. E esse decreto vai facilitar, tanto por parte das defesas civis municipais, como por parte da Defesas Civil do Estado, ações mais sérias e também solicitar recursos complementares do governo federal para apoiar as ações que já estão em andamento”.

Situação nos municípios e níveis dos rios

O decreto abrange Cruzeiro do Sul, Feijó, Mâncio Lima, Rodrigues Alves, Tarauacá e Plácido de Castro, todos em situação de emergência por conta das cheias no Acre.

As cotas de transbordamento consideradas no texto são: Cruzeiro do Sul – cota de transbordamento de 13m; Mâncio Lima – cota de transbordamento de 6,20m; Feijó – cota de transbordamento de 12,00m; Tarauacá – cota de transbordamento de 9,50m;Rodrigues Alves – cota de transbordamento de 6,20m; e Plácido de Castro – cota de transbordamento de 12,60m.

Em Cruzeiro do Sul, a cheia do Rio Juruá já afeta 28.350 pessoas no município. Na medição das 6h deste domingo, o manancial registrou 14,07 metros, uma diminuição de 0,08 centímetros em relação ao dia anterior, mas mantém-se acima da cota de transbordo, que é de 13 metros.

Ao todo, 7.087 famílias estão afetadas direta ou indiretamente pela cheia em Cruzeiro do Sul, que atinge bairros urbanos, comunidades rurais e vilas, com um total estimado de pessoas desalojadas chegando a 624 famílias. O número de famílias desabrigadas subiu para 59, abrigadas em espaços públicos ou em casas de parentes.

Em Rodrigues Alves, a Defesa Civil informa que o nível do Rio Juruá está acima dos 14 metros, enquanto a cota de transbordamento local é de 6,20 metros, e o manancial já apresenta vazante.

No município de Mâncio Lima, o Rio Môa registrou 6,24 metros, ultrapassando a cota de transbordamento de 6,20m.

Em Tarauacá, a medição das 10h apontou 7,37 metros no rio, abaixo da cota de alerta de 8,50 metros, e ainda distante da cota de transbordamento de 9,50 metros.

Em Feijó, o Rio Envira voltou a transbordar e já atinge 80 comunidades indígenas e dois bairros na zona urbana, com pelo menos uma família desalojada. A cota de transbordo do manancial é de 12 metros, e o rio marcou 12,27 metros na última quinta, recuando para 12,10 metros na manhã de sábado.

Acumulado de chuvas e áreas mais atingidas

O decreto cita alertas de chuvas nas principais bacias do estado e traz as precipitações acumuladas entre 1º e 3 de abril. Os maiores acumulados foram em Cruzeiro do Sul (277,4mm), Tarauacá (264,0mm), Feijó (243mm), Marechal Thaumaturgo (202,2mm), Porto Walter (232,00mm) e Plácido de Castro (280mm).

O texto destaca que a atual situação de inundação é caracterizada por um aumento significativo dos níveis dos rios Purus, Tarauacá, Envira, Juruá, Iaco e Abunã, “acarretando custos consideráveis para a população vulnerável, para os Municípios localizados nas respectivas bacias hidrográficas e para o Estado do Acre, bem como despesas operacionais associadas às medidas de resposta”, conforme parte da medida.

Situação na capital e próximos passos

Na capital, o Rio Acre segue acima da cota de atenção há uma semana e marcou 11,38 metros na medição das 9h deste domingo, com a cota de atenção fixada em 10 metros. O manancial já registrou picos maiores nas últimas semanas, incluindo marcações de 13,60 metros e 14,01 metros em momentos anteriores, ultrapassando cota de alerta e de transbordo.

Apesar da subida em trechos e do histórico recente, a Defesa Civil municipal informou que, na capital, não houve necessidade de retirada de famílias, e abrigos foram desmobilizados conforme o recuo do nível.

Com o decreto, a expectativa é de maior agilidade na atuação das defesas civis, em ações como realocação de famílias, distribuição de mantimentos, abrigo temporário e solicitação de recursos complementares ao governo federal para ampliar o socorro às áreas afetadas pelas cheias no Acre.

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