Saiba como o cálculo do tempo de TV para presidente usa bancadas na Câmara, quem já tem direito, e quanto cada sigla pode garantir na propaganda eleitoral gratuita
A propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão começa em 28 de agosto, e o tempo de TV passa a ser moeda de negociação entre pré-candidatos e legendas, especialmente do Centrão.
O critério de divisão considera o tamanho das bancadas na Câmara dos Deputados, com 90% do tempo distribuído proporcionalmente e 10% dividido igualmente entre os partidos que superaram a cláusula de desempenho.
Com vagas limitadas para a propaganda presidencial no primeiro turno, alianças podem transformar minutos em vantagem estratégica, e a disputa por apoios deve crescer nas próximas semanas.
Como é feito o cálculo do tempo de TV
O tempo de propaganda para o primeiro turno é calculado com base na representação dos partidos na Câmara, usando as bancadas eleitas em 2022. A regra determina que 90% do tempo é distribuído proporcionalmente ao número de deputados, e os outros 10% são repartidos igualmente entre os candidatos dos partidos que superaram a cláusula de barreira.
🔎 A cláusula de desempenho exige que partidos atinjam um mínimo de votos válidos ou elejam deputados suficientes, para ter acesso ao Fundo Partidário e ao tempo de TV. No cálculo em análise foram excluídos partidos que não alcançaram a cláusula em 2022.
O cálculo foi realizado pelo cientista político Henrique Cardoso Oliveira, da Fundação 1º de Maio, e não considerou as inserções ao longo da programação, apenas o horário eleitoral gratuito.
Quem já garante espaço e o tamanho das bancadas
Hoje, apenas três das legendas com pré-candidatos à Presidência cumpriram a cláusula de barreira em 2022, e, portanto, têm direito a propaganda eleitoral gratuita para presidente no primeiro turno, são elas, PT, PSD e PL.
Partidos como Novo, DC e Missão não terão direito a espaço no rádio e na TV para candidatos à Presidência. Com isso, a articulação por apoio de partidos do Centrão tende a ser decisiva para ampliar a presença na televisão.
Com uma bancada de 106 parlamentares, a agremiação deve dispor de 2 minutos 28 segundos e 19 centésimos, ou 20,78% do total de 12 minutos e 30 segundos.
Na sequência na distribuição aparecem, pela ordem de representação, o PL, a Federação PT, PCdoB e PV, MDB, PSD e Republicanos, conforme o critério proporcional aplicado ao tempo total disponível.
Impacto das alianças nas campanhas presidenciais
As coligações podem transformar significativamente o tempo de TV dos candidatos. Em um cenário em que Flávio Bolsonaro fechasse aliança com União Brasil-PP e Republicanos, o tempo saltaria de 2 minutos, 14 segundos e 98 centésimos para mais de 5 minutos.
Por outro lado, caso a Federação Brasil da Esperança consolide apoios de partidos de esquerda como PSB, PDT e a Federação PSOL Rede, o tempo da federação subiria de 1 minuto e 59 segundos para pouco mais de 3 minutos.
No segundo turno, a regra muda, e os candidatos que avançarem têm espaços iguais na propaganda obrigatória, o que nivela a disputa no rádio e na TV, e torna as negociações de primeiro turno ainda mais relevantes para quem busca visibilidade inicial.
O que as campanhas devem priorizar
Para os pré-candidatos, a prioridade imediata é somar legendas que tenham bancada significativa, porque cada acordo pode adicionar minutos valiosos de exposição. Além disso, as campanhas precisam considerar planejamento de conteúdo, inserções e presença em redes, já que o cálculo do horário gratuito não inclui as inserções ao longo da programação.
Em síntese, o tempo de TV para presidente em 2026 será um fator central nas negociações políticas nas próximas semanas, e as decisões de alianças podem alterar de forma expressiva a estratégia e a visibilidade dos candidatos no primeiro turno.
