Velório ocorre no Cemitério de Inhaúma, família e vizinhos relatam consternação, e moradores alertam para o risco constante de linhas esticadas nas ruas
O corpo do administrador de empresas Leandro Rezende Cardoso, de 40 anos, é velado no Cemitério de Inhaúma, na Zona Norte do Rio, neste sábado.
Leandro tinha uma empresa de higienização de sofás, voltava para casa depois do serviço, e estava prestes a se formar em Direito, segundo familiares.
Uma câmera de segurança registrou o momento em que ele foi atingido por uma linha chilena no pescoço, ele chegou a ser socorrido, mas não resistiu, conforme informação divulgada pelo g1.
O acidente e o velório
O acidente ocorreu em Cascadura, na Zona Norte do Rio, quando Leandro passava de moto e foi atingido por uma linha chilena no pescoço. Testemunhas e parentes dizem que a moto usada por ele no dia do acidente não tinha antena de proteção, e segue estacionada na garagem da casa da família, ainda com marcas do ocorrido.
Parentes afirmam que após o acidente um amigo da vítima retornou ao local e encontrou a linha que pode ter causado a morte. A cena está sendo lembrada com tristeza pelos moradores, e o corpo é velado neste sábado, com família e amigos bastante abalados.
Um amigo falou sobre a reação da comunidade, “Leandro era uma pessoa muito comunicativa, todos no bairro gostavam muito dele, todo mundo tá chocado com o que aconteceu”. Ele deixa os pais e uma filha de 15 anos, era viúvo e filho único.
Risco cotidiano e relatos de moradores
Moradores relataram ao RJ2 que há outras linhas espalhadas pela região, o que representa um risco constante para quem passa pelo local. O professor Carlos Eduardo Menezes disse, “Preciso me locomover de um lugar pro outro. Então, a moto me facilita nesse sentido, mas a gente passa por isso todos os dias. Todos os dias eu vejo essas linhas esticadas pela rua. Já tive situações em que eu consegui me livrar, mas infelizmente ele não teve a mesma sorte”.
O mesmo professor retornou ao local após o acidente e encontrou a linha que pode ter causado a morte de Leandro, segundo relatos.
Denúncias e números oficiais
O número de denúncias sobre o uso de linha chilena mais que dobrou no estado do Rio de Janeiro em 1 ano, segundo dados do Disque Denúncia. Em 2024, foram 561 registros. No ano passado, o total saltou para 1.203. Já nos três primeiros meses deste ano, foram contabilizadas 110 denúncias.
Especialistas e autoridades locais alertam que a presença frequente desse material nas vias urbanas aumenta o risco para motociclistas, ciclistas e pedestres, e pede-se mais fiscalização e ações educativas.
Proibição, perigos e oferta online
A linha chilena é considerada ainda mais perigosa que o cerol, podendo ser até quatro vezes mais cortante. O uso e a venda desse material são proibidos por lei, e quem for flagrado pode ser multado e até responder criminalmente.
Apesar da proibição, é fácil encontrar ofertas do produto na internet. Perfis em redes sociais divulgam a venda da linha chilena sem restrições, o que acende o debate sobre a necessidade de maior controle nas plataformas e ações de combate à comercialização.
Familiares, amigos e vizinhos do bairro seguem em choque com a perda, e pedem medidas que evitem novas tragédias provocadas por linhas cortantes nas ruas.
