Reajuste de 10% nas polícias de SP, pacote sancionado alcança cerca de 198 mil servidores, inclui mudanças na Polícia Militar, Civil e técnico-científicos, e cronograma de promoções
O governo do estado sancionou um pacote que concede **reajuste de 10% nas polícias de SP** e altera regras de carreira das corporações.
As mudanças afetam carreiras da Polícia Militar, Polícia Civil e técnico-científicos, com impacto salarial e reorganização de quadros.
Além do aumento linear, há regras novas para progressão, exigência de qualificação e um cronograma de promoções previsto até 2028.
conforme informação divulgada pelo g1
O alcance do reajuste e o impacto nas contas públicas
O **reajuste de 10% nas polícias de SP** será aplicado de forma linear sobre os vencimentos de todas as classes e carreiras, e passa a valer a partir da publicação no Diário Oficial do Estado.
Segundo a publicação, a medida “alcança cerca de 198 mil servidores, entre ativos e inativos, com impacto estimado de R$ 1,75 bilhão nas contas públicas“.
O governo informou que, com o novo reajuste, “o aumento médio acumulado para as carreiras policiais chega a cerca de 35%, o que representa aproximadamente 21 pontos percentuais acima da inflação registrada entre 2023 e 2025, medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística“.
Foi ainda destacado que, “considerando o reajuste concedido em 2022, o impacto total acumulado chega a cerca de 55%“.
Principais mudanças nas carreiras, promoções e cronograma
Para a Polícia Militar, o Projeto de Lei 227/2026 atualiza regras de efetivo, reorganiza os quadros e cria critérios mais objetivos para promoções.
O texto também extingue a graduação de soldado de 2ª classe, de modo que o ingressante passa a ser aluno-soldado e, após a formação, é promovido automaticamente a soldado de 1ª classe.
A publicação informa que “A medida deve viabilizar a promoção de 10.608 soldados, com aumento médio de R$ 480 no salário bruto“.
Foi definido um cronograma para promoção de soldados com mais de cinco anos ao posto de cabo, com início em dezembro de 2026 e conclusão até dezembro de 2028.
No caso da Polícia Civil, o Projeto de Lei 228/2026 cria um novo plano de carreira com critérios mais objetivos de progressão, incluindo tempo na função, avaliação de desempenho, qualificação profissional e histórico disciplinar.
Com as novas regras, o policial poderá alcançar a classe especial, o topo da carreira, em cerca de 18 anos, desde que cumpra os requisitos, enquanto atualmente esse tempo pode ultrapassar três décadas.
O Projeto de Lei 225/2026 amplia o pagamento das Diárias Especiais por Jornada Extraordinária de Trabalho Policial Civil, a Dejec, para policiais técnico-científicos, mantendo o limite de até dez diárias extras por mês.
Criticas de entidades e pontos de atenção
Apesar do avanço, especialistas e entidades criticaram pontos do PL 227/2026 e do pacote como um todo.
Em parecer, “a Comissão de Segurança Pública da OAB-SP afirma que o projeto apresenta omissões e inconsistências que podem comprometer a eficiência da corporação e ampliar desigualdades internas, especialmente ao não garantir perspectivas de progressão para a maior parte dos policiais da base“.
A OAB-SP também apontou que a proposta amplia a margem de decisão do Executivo na definição da distribuição de cargos e promoções, o que, segundo o parecer, pode abrir espaço para interferências político-partidárias.
A organização Justa afirmou que o projeto pode aumentar a politização da PM e aprofundar a desigualdade entre praças e oficiais, e que “a proposta amplia o número de coronéis sem crescimento proporcional do efetivo responsável pelo policiamento nas ruas e pode dificultar a progressão na carreira de parte dos agentes“.
Representantes das categorias também criticaram a tramitação em regime de urgência, que acelerou a aprovação, e a falta, segundo eles, de diálogo mais amplo sobre as regras e critérios.
O que vem a seguir e riscos para implementação
As mudanças passam a vigorar com a publicação das leis, e o cronograma de promoções terá etapas definidas pelo Executivo e pelas respectivas corporações.
Especialistas recomendam monitoramento da execução orçamentária, transparência nos critérios de promoção, e políticas de saúde mental, itens apontados como ausentes por parte dos críticos do pacote.
O tema do **reajuste de 10% nas polícias de SP** deve continuar no debate público, entre impacto fiscal, ganhos salariais e questionamentos sobre a condução das reformas nas carreiras.
