Sexta-feira Santa: por que a Igreja Católica não celebra missa, o significado do silêncio, do jejum e como ocorre a Ação Litúrgica da Paixão

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Por que não se celebra missa na Sexta-feira Santa, qual o sentido do silêncio, do jejum e da ausência de consagração, e como a Ação Litúrgica da Paixão é vivida nas paróquias

A Sexta-feira Santa é um dia de luto e contemplação na tradição católica, marcado por ritos e símbolos que ressaltam a morte de Jesus.

Nas igrejas, o clima é de silêncio, sem cantos festivos, sem toque de sinos, e com espaços mais simples e sem enfeites, favorecendo a introspecção.

Estas explicações e a descrição das celebrações foram apresentadas publicamente pelo Santuário de Aparecida, conforme informação divulgada pelo g1.

Por que não há missa, explicação litúrgica

A Igreja não celebra missa na Sexta-feira Santa porque não há a consagração da eucaristia, ato central da missa, que simboliza a presença sacramental de Cristo.

Segundo o Santuário de Aparecida, a ausência da consagração tem um valor simbólico e espiritual, pois a comunidade participa de um jejum eucarístico, em união com o luto pela morte de Cristo.

Como descreveu um padre ouvido pela reportagem, “É o silêncio da criação diante da morte do seu Senhor. É um silêncio litúrgico, espiritual e também existencial. A Igreja se une à dor de Cristo e convida os fiéis à contemplação desse mistério”.

Elementos visíveis, gestos e sinais

O dia é marcado por sinais que comunicam silêncio e dor, como o altar sem toalhas, a restrição de cantos festivos e o silêncio dos sinos.

O Santuário explicou que “Sem consagração, a Igreja vive o chamado jejum eucarístico. Os sinos ficam em silêncio, o altar sem toalhas e a igreja mais austera refletem o luto pela morte de Cristo”, destacou o padre.

Esses gestos preparam os fiéis para a celebração da Ressurreição, evidenciando o contraste entre a morte e a vida que será proclamada no Domingo de Páscoa.

Como é a Ação Litúrgica da Paixão do Senhor

Embora não haja missa, as paróquias realizam a Ação Litúrgica da Paixão do Senhor, que se organiza em três momentos principais.

O primeiro é a Liturgia da Palavra, com a leitura da Paixão, geralmente segundo João, e orações intercessórias pelos fiéis e pelo mundo.

O segundo momento é a Adoração da Cruz, quando os presentes veneram o símbolo central da fé cristã, em atitude de respeito e recolhimento.

O terceiro é a distribuição da Comunhão eucarística, feita com as hóstias consagradas na Quinta-feira Santa, mantendo-se assim o vínculo sacramental com a Eucaristia.

Origem histórica e sentido teológico

A prática de não celebrar missa na Sexta-feira Santa é antiga, com registros já no século IV de celebrações da Paixão sem missa em Jerusalém, e hoje é norma seguida mundialmente.

Para os católicos, a morte de Jesus é o centro da fé, e a Sexta-feira Santa abre a compreensão da Páscoa, mostrando o preço da redenção e o alcance do amor divino.

Como afirmou o religioso entrevistado, “Sem a Sexta-feira Santa, não há compreensão da Páscoa. A cruz revela a gravidade do pecado, a profundidade do amor de Deus e o preço da nossa salvação”, concluiu.

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