Proposta do Bahrein pede autorização de força para reabrir a rota, o texto menciona o Estreito de Ormuz e prevê medidas por pelo menos seis meses, debate acirrado no Conselho
O Conselho de Segurança da ONU se dividiu sobre uma resolução para proteger a navegação no Estreito de Ormuz, após semanas de negociações intensas.
A proposta, liderada pelo Bahrein, autoriza ações para garantir a passagem de navios, e países do Golfo pedem apoio internacional para reabrir a rota.
Segundo as informações divulgadas, o texto enfrenta oposição de potências com poder de veto, o que coloca a votação em dúvida, conforme informação divulgada pelo g1
O que prevê a resolução
O projeto de resolução finalizado pelo Bahrein incluiria autorização para “todos os meios defensivos necessários” com o objetivo de proteger a navegação comercial no Estreito de Ormuz.
O texto também prevê a aplicação dessas medidas por pelo menos seis meses, segundo diplomatas envolvidos nas negociações.
Fontes disseram que uma versão anterior teve o “procedimento de silêncio” quebrado por China, França e Rússia, sinal claro de oposição a trechos que permitiriam o uso da força.
Reações e vetos previstos
O enviado da China à ONU, Fu Cong, afirmou que autorizar a força “legitimaria o uso ilegal e indiscriminado da força”, e alertou para uma escalada com graves consequências.
De acordo com o jornal The New York Times, China, Rússia e França frustraram esforços árabes para obter aval do Conselho para ação militar contra o Irã, rejeitando linguagem que permita uso da força.
O presidente da França, Emmanuel Macron, classificou a ideia como “irrealista”, segundo relatos, citando os riscos na região pela presença de mísseis e forças da Guarda Revolucionária iraniana.
Contexto regional e impacto global
O bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo e gás do mundo, já elevou custos de energia, transporte e seguros no mercado global.
Fontes relatam que os preços do petróleo dispararam desde ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã no fim de fevereiro, o que desencadeou o conflito atual e praticamente fechou a principal rota de navegação da região.
Analistas apontam que a resolução tem mais peso simbólico do que prático, porque países do Golfo dependem do apoio dos Estados Unidos e têm capacidade militar limitada para operar sozinhos.
Próximos passos e incertezas
Uma resolução do Conselho de Segurança precisa de ao menos nove votos favoráveis e não pode sofrer veto de nenhum dos cinco membros permanentes, o que torna fundamental a posição de China, Rússia, França, Reino Unido e Estados Unidos.
Diplomatas também relataram que a reunião e a votação foram remarcadas para a manhã de sábado, em vez de sexta-feira, por causa de feriado na ONU, e o impasse deve continuar enquanto as potências discutem o alcance da autorização.
Com a navegação afetada, governos e mercados acompanham com atenção, enquanto o debate no Conselho de Segurança pode definir os contornos de uma resposta internacional ao bloqueio do Estreito de Ormuz.
