Estreito de Ormuz, tráfego quase paralisado por bloqueio do Irã, 40 países pedem reabertura imediata, EUA ausentes e risco a preços do petróleo e fertilizantes
O bloqueio imposto no Estreito de Ormuz tem reduzido drasticamente o tráfego marítimo, elevando o preço do petróleo e pressionando cadeias de suprimentos, especialmente de fertilizantes.
Diplomatas de mais de 40 países realizaram uma reunião virtual para cobrar a reabertura, enquanto o Irã anuncia um protocolo conjunto com Omã que só entraria em vigor após o fim da guerra.
O tema ganhou urgência esta semana, com pedidos por medidas econômicas e até a solicitação do uso da força por nações do Golfo, conforme informação divulgada pelo g1.
Posição do Irã e o protocolo com Omã
As autoridades iranianas disseram que trabalham em um protocolo com o Sultanato de Omã para gerenciar o tráfego no Estreito de Ormuz, segundo declaração do vice-ministro Kazem Gharibabadi à agência estatal russa Sputnik.
O governo do Irã informou que o protocolo “seria aplicado assim que a guerra terminasse”, e que a passagem permanecerá fechada a longo prazo para embarcações ligadas aos Estados Unidos e a Israel.
O Estreito de Ormuz é um corredor estratégico, por onde passam cerca de 20% das exportações de petróleo do mundo, e o controle da via se dá entre Irã e Omã.
Reações de EUA e aliados, e a ausência americana na reunião
Mais de 40 países, com liderança do Reino Unido, exigiram a “reabertura imediata” do estreito, acusando o Irã de “manter a economia mundial como ‘refém'”.
Os Estados Unidos não participaram da reunião virtual, em razão de posicionamento público do presidente Donald Trump, que afirmou que a garantia da segurança da via “não é responsabilidade americana” e que países dependentes do petróleo da região “devem cuidar disso”.
A ausência americana aumenta a preocupação entre aliados europeus, que consideram medidas econômicas e sanções, e entre nações do Golfo, que pediram ao Conselho de Segurança da ONU autorização para uso da força para liberar a passagem.
Rússia, segurança da navegação e ataques a embarcações
A Rússia, aliada do Irã, afirmou que o Estreito de Ormuz está aberto para suas embarcações, enquanto Teerã condiciona a passagem a navios não hostis ou não vinculados a aliados dos EUA e de Israel.
Desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, a região registrou 23 ataques diretos a embarcações comerciais, com 11 tripulantes mortos, segundo a empresa de dados marítimos Lloyd’s List Intelligence.
Esses incidentes e as ameaças recorrentes praticamente interromperam o tráfego, e os poucos petroleiros que atravessam a área são, em sua maioria, embarcações que tentam contornar sanções para transportar petróleo iraniano.
Impacto econômico e próximos desdobramentos
O bloqueio no Estreito de Ormuz tem efeitos imediatos nos preços internacionais de combustíveis, e reverbera no custo do transporte e nas commodities, como fertilizantes. Isso afeta mercados globais, inclusive consumidores americanos.
Governos e empresas monitoram a situação, avaliando alternativas logísticas e possíveis sanções, enquanto a diplomacia tenta combinar pressão internacional e negociações regionais, sem consenso claro sobre intervenção militar.
A disputa segue em desenvolvimento, com dependência de decisões políticas e militares na região para definir se o tráfego será restabelecido de forma segura e estável no curto prazo.
