Relato detalha que, na madrugada de 28 de março, o médico teria se aproximado e encostado as partes íntimas na enfermeira, que trocou de setor, registrou boletim e denunciou ao CRM-PI
A profissional conta que, apesar de ter trocado de setor para evitar contato, o caso de assédio moral e sexual se agravou durante um plantão na madrugada. Segundo o relato, houve um desentendimento sobre a frequência de exames e, em seguida, a conduta de intimidação.
Ao buscar uma cópia do prontuário para esclarecer a anotação que a acusava de não prestar assistência, a enfermeira afirma que o médico se aproximou por trás e a teria tocado de forma íntima. O episódio assustou a profissional, que fugiu para o banheiro e só agiu oficialmente no dia seguinte.
No dia seguinte, ela registrou um boletim de ocorrência e enviou uma cópia ao Conselho Regional de Medicina do Estado do Piauí, o CRM-PI, conforme informação divulgada pelo g1
O relato da enfermeira
A enfermeira disse que, inicialmente, foi orientada por outra médica a realizar um exame a cada duas horas, mas que o médico, durante o horário de descanso dele, ordenou que o exame fosse feito a cada uma hora. Ela afirmou, em trechos do depoimento, que “Viu que eu estava no setor e foi até lá, mas não deveria ter ido porquê era o horário de descanso dele. Ordenou que eu fizesse um exame de uma em uma hora, sendo que a médica que eu estava acompanhando teria sugerido o procedimento a cada duas horas.”
Ao tentar confrontar o médico e pedir que ele retirasse a anotação do prontuário, a profissional afirmou que pediu uma cópia do que ele havia colocado, e que, nesse momento, “ele veio por trás e encostou o órgão genital em mim, segurou meu braço para que eu não conseguisse pegar a cópia e disse: “o que eu ganho para tirar [a denúncia de falta de assistência do prontuário]?””, de acordo com o relato.
A enfermeira descreveu ainda o impacto emocional da ação, dizendo que “fico revivendo a cena” e relatou ter empurrado o médico antes de correr para o banheiro do hospital.
Providências e posição das autoridades
Segundo o relato, a profissional registrou o boletim de ocorrência no dia seguinte ao incidente e encaminhou uma cópia da denúncia ao CRM-PI. A Secretaria de Estado da Saúde do Piauí informou que não vai se manifestar até que a denúncia seja devidamente apurada.
A Polícia Civil do Piauí declarou que o caso está em análise, sem indicar detalhes sobre prazos ou medidas cabíveis até a conclusão da apuração.
Medo de retaliação e impacto profissional
A vítima disse temer retaliação no ambiente de trabalho, e que a preocupação não é apenas pessoal, mas também financeira. Ela afirmou, com preocupação, “Eu não sei o que vai acontecer daqui pra frente, mas tenho medo dele e tenho medo de ter o meu trabalho prejudicado. São 12 anos de enfermagem, tenho uma filha para sustentar e não quero ser prejudicada por ele”.
O relato destaca a vulnerabilidade de profissionais de saúde que enfrentam assédio moral e sexual no ambiente de trabalho, e a necessidade de investigações transparentes e proteção às vítimas, para evitar prejuízo profissional e garantir segurança no serviço público de saúde.
O que a legislação e conselhos profissionais preveem
Em casos como este, além do registro de ocorrência policial, a denúncia ao conselho profissional, como o CRM-PI, aciona procedimentos éticos e administrativos que podem resultar em investigação, sanções e medidas cautelares. A atuação conjunta da polícia e do conselho é fundamental para apurar a conduta e oferecer mecanismos de proteção à vítima.
