Alta do dólar e do petróleo, influência de declarações de Trump e sinalizações sobre oferta de petróleo, com efeitos no Ibovespa e nos mercados globais
O dólar opera em alta nesta quinta-feira, com investidores precificando o risco relacionado à escalada de tensão entre Estados Unidos e Irã, e com o petróleo voltando a subir após tocar perto de US$100 por barril. Movimentos externos pressionam também a bolsa brasileira.
Por volta das 10h30, a moeda americana avançava 0,22% e era negociada a R$ 5,1681, depois de na véspera ter recuado 0,43%, cotada a R$ 5,1566.
O Ibovespa recuava 0,46%, aos 185.214 pontos, enquanto o mercado monitorava ainda dados domésticos de produção industrial e desdobramentos geopolíticos, conforme informação divulgada pelo g1.
Por que a moeda subiu hoje
A valorização do dólar está ligada à nova onda de aversão ao risco provocada por declarações do presidente dos EUA. Em discurso recente, Donald Trump afirmou que os Estados Unidos continuarão os ataques ao Irã, sem cronograma para o fim do conflito, e que as forças americanas estão próximas de alcançar seus objetivos, com a possibilidade de a guerra terminar em duas ou três semanas, dizendo, “Vamos terminar o trabalho, e vamos fazê-lo muito rápido. Estamos chegando muito perto”.
Sem sinal claro de normalização do tráfego por rotas estratégicas, como o Estreito de Ormuz, investidores passaram a temer interrupções prolongadas no fornecimento de petróleo, o que sustenta maior demanda por dólar como ativo de refúgio.
Petróleo dispara e pressiona ativos
O petróleo subiu com força nesta manhã, pressionado pela escalada no Oriente Médio. Por volta das 8h15, o Brent avançava 7,28%, cotado a US$ 108,52 por barril, e o WTI registrava alta de 7,88%, a US$ 108,01 por barril.
As cotações tiveram uma breve queda antes do pronunciamento de Trump, mas retomaram alta após relatos de explosões em Dubai e tentativas de interceptação de uma série de mísseis iranianos, aumentando o receio de problemas na cadeia de oferta global.
Efeitos no mercado brasileiro
No pregão local, a reação ao cenário externo fez o Ibovespa recuar, mesmo com movimentos positivos em outras ocasiões recentes. Indicadores acumulados mostram que o dólar tem queda no ano, com acumulado do ano de -6,05%, e no acumulado do mês de -0,43%, enquanto na semana registra -1,62%.
O Ibovespa mantém variações positivas no período mais longo, com acumulado da semana de +3,52%, do mês de +0,26% e do ano de +16,65%, números que mostram volatilidade e sensibilidade a choques externos na curva de curto prazo.
Cenário global e outros ativos
Os mercados internacionais amanheceram em baixa, com futuros de Wall Street apontando recuos, Dow futures caindo 641 pontos, ou 1,37%, S&P 500 recuando 1,48%, e Nasdaq 100 caindo 1,87% nas indicações de abertura.
Na Europa, o STOXX Europe 600 recuava 1,43%, aos 589,16 pontos, com o FTSE 100 caindo 0,6%, o CAC 40 recuando 1,3% e o DAX perdendo 2,4%. Na Ásia, bolsas fecharam no vermelho, com Hang Seng em queda de 0,7%, aos 25.116,53 pontos, Shanghai Composite recuando 0,7%, para 3.919,29, Nikkei 225 caindo 2,4%, para 52.463,27, e Kospi registrando queda de 4,5%, encerrando aos 5.234,05 pontos.
Mercadorias também reagiram, com ouro caindo 3,9%, para US$ 4.627 por onça, e prata recuando 6,9%, para US$ 70,85, enquanto investidores seguem avaliando risco geopolítico contra possíveis impactos na inflação e nos fluxos de capitais.
Agenda e desdobramentos a observar
No front de notícias, além das declarações de Trump, os Estados Unidos removeram sanções contra a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, medida publicada no site do Departamento do Tesouro americano, o que também chama atenção de mercados emergentes.
Localmente, investidores acompanham dados de produção industrial do Brasil referentes a fevereiro, com expectativa de alta de 0,7% no indicador, leitura que pode influenciar percepções sobre atividade e fluxo cambial nas próximas sessões.
Em um cenário volátil, os próximos comunicados oficiais, movimentos no preço do petróleo e desdobramentos no Oriente Médio devem seguir ditando a direção de dólar, ações e commodities nas próximas semanas.
