Contratos R$ 6,3 bilhões entre Master e Tirreno, reconhecimento de firma dois dias antes da apresentação ao BRB expõe possível venda de carteiras sem lastro

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Contratos R$ 6,3 bilhões Master Tirreno BRB aparecem com reconhecimento de firma em 13 de maio, poucos dias antes de repasse ao Banco de Brasília, levantando questões sobre documentação e risco

Relatório interno do Banco Regional de Brasília descreve que os contratos entre o Banco Master e a Tirreno tiveram o reconhecimento de firma registrado em cartório dois dias antes de serem apresentados ao BRB.

As carteiras de crédito consignado foram compradas pelo Master por R$ 6,3 bilhões e repassadas ao BRB por R$ 11,5 bilhões, e investigações da Polícia Federal indicam que os ativos, em grande parte, não possuíam lastro.

Os detalhes constam do documento finalizado em 19 de maio de 2025, conforme informação divulgada pelo g1.

Reconhecimento de firma e cronologia

No início de maio, o Banco Master compartilhou com o BRB uma pasta com contratos, segundo o relatório. No dia 5 de maio o Master disponibilizou documentos, e no dia seguinte o BRB solicitou o envio das cópias devidamente registradas em cartório, pedindo reunião para o dia 9 de maio.

O encontro foi reagendado pelo Master para 13 de maio. Em 15 de maio o banco de Daniel Vorcaro enviou ao BRB uma pasta com 26 contratos de cessão entre o Banco Master e a Tirreno, e o relatório apontou que as assinaturas eram manuais e que o reconhecimento de firma ocorreu apenas em 13 de maio de 2025, dois dias antes da reunião com o BRB.

O documento do BRB observa que, “A assinatura física e o reconhecimento posterior podem levantar questionamentos quanto à tempestividade e à formalização adequada dos documentos, sobretudo considerando o volume e a relevância financeira das operações envolvidas“.

Velocidade das cessões e riscos

O parecer do BRB também chama atenção para a rapidez com que o Master comprava carteiras da Tirreno e as repassava ao BRB, o que pode afetar a conformidade documental e a transferência efetiva de risco.

O relatório cita que “Outro ponto que merece destaque diz respeito à dinâmica das cessões: os créditos são adquiridos pelo Banco Master e, já no primeiro dia útil subsequente, são transferidos ao BRB. Essa velocidade na revenda, embora possa refletir uma estratégia operacional definida, impõe a necessidade de atenção especial quanto à conformidade documental, à efetiva transferência de risco e à adequação contábil“.

Como exemplo da rapidez, consta que o Master comprou uma operação de R$ 143,6 milhões da Tirreno em 4 de março, terça-feira de Carnaval, e repassou ao BRB por R$ 251,2 milhões na Quarta-feira de Cinzas.

Investigação da Polícia Federal e medidas do Banco Central

As investigações da Polícia Federal indicam que o BRB comprou um total de R$ 12 bilhões em carteiras de crédito podres, que não pertenciam ao Master e não tinham garantias financeiras, segundo o relatório e levantamentos citados.

A suspeita é de que o Banco Master não tinha fundos suficientes para honrar títulos que emitiu, com vencimento em 2025, e que teria comprado créditos da Tirreno sem realizar pagamentos, para então revendê-los ao BRB.

O Banco Central barrou a operação e liquidou o Banco Master na mesma data em que prendeu Daniel Vorcaro, enquanto o BRB descobriu, em visita técnica nos dias 29 e 30 de abril de 2025, que as carteiras tinham a Tirreno como origem e não o banco de Vorcaro.

Impactos e próximos passos

O caso levanta questões sobre controles, a documentação apresentada nas operações e a responsabilização dos envolvidos, e deve orientar apurações administrativas e criminais em andamento.

Autoridades financeiras e policiais seguem analisando as transações, e o desenrolar das investigações deve esclarecer quem assumiu riscos e responsabilidades nas cessões, e se houve fraude na venda das carteiras.

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